Deputado polonês persegue brasileiras por usar adesivos do PT: entenda o caso
Por Serguei Monin — Brasil de Fato
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O deputado polonês Dominik Tarcyński, que apoia Flavio Bolsonaro (PL) nas eleições brasileiras, perseguiu duas cidadãs brasileiras apoiadoras do Partido dos Trabalhadores (PT) que realizaram seu voto no exterior durante as eleições do último domingo (4).
Em uma imagem postada nas redes sociais, as brasileiras aparecem com broches do PT e fazendo o símbolo de “L” com as mãos, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O deputado utilizou esta imagem das brasileiras para ameaçar ajudar a deportá-las por “disseminar o comunismo”.
“Promover o comunismo na Polônia é constitucionalmente proibido! Livre-se dos comunistas no Brasil, assim como fizemos na Polônia. Vote no Flávio!”, escreveu Tarcyński nas redes sociais.
Em outra publicação, o deputado europeu manifestou abertamente apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições, chegando a comemorar os resultados do primeiro turno da votação, que terminaram com uma vantagem de 47,03% do bolsonarista contra os 45,16% alcançados pelo presidente Lula (PT).
A atuação de Tarczyński no episódio envolvendo as brasileiras e sua simpatia ao bolsonarismo não são isoladas. O deputado polonês, integrante do partido Lei e Justiça (PiS) e do grupo Conservadores e Reformistas Europeus (ECR) no Parlamento Europeu, é conhecido por posições nacionalistas e por sua proximidade com setores da extrema direita europeia e estadunidense.
O discurso utilizado por Tarczyński também se relaciona a uma marca política que o deputado construiu nos últimos anos: “Be Like Poland” (“Seja como a Polônia”, em português). A expressão se tornou um de seus principais lemas políticos e hoje dá nome ao seu próprio site, a uma campanha e até a uma linha de produtos comercializados pelo deputado. A ideia é apresentada por Tarczyński como uma defesa da soberania nacional, de políticas migratórias rígidas, valores conservadores e uma maior aproximação entre Polônia e Estados Unidos.
Ele ocupa uma cadeira no Parlamento Europeu desde 2019 e integra, entre outras, a delegação da instituição para as relações com os Estados Unidos.
A retórica adotada por Tarczyński também encontra eco em uma política de Estado desenvolvida na Polônia após o fim do socialismo. O país promoveu, especialmente a partir da década de 2010, um processo de descomunização da memória pública. Uma lei aprovada em 2016 proibiu nomes de ruas, praças, prédios públicos e outras estruturas que homenageassem pessoas, organizações ou acontecimentos associados ao comunismo.
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Fonte: Brasil de Fato