Delator do Master movimentou R$ 1 mi com empresa ligada ao caso Corinthians
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – O empresário Antônio Carlos Freixo Jr., que firmou acordo de delação em investigações sobre o Banco Master, aparece em registros de 570 prêmios de loterias e casas de apostas entre janeiro de 2020 e junho de 2025, com valores que somam R$ 176 milhões. De acordo com o blog do Fausto Macedo, o Ministério Público de São Paulo investiga se essas operações integraram uma estrutura de lavagem de dinheiro. A apuração também identificou uma transferência de R$ 940 mil de uma empresa ligada a Freixo para a Wave, companhia que aparece na investigação sobre supostos desvios envolvendo o contrato entre o Corinthians e a Vai de Bet.
Dono da Entre Investimentos e conhecido como “Mineiro”, Freixo integra o grupo de investigados na Operação Crédito Oculto. O Gaeco e a Receita Federal deflagraram a ação nesta quinta-feira (24) para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial ligadas ao setor de combustíveis. A Receita afirma que a operação constitui um desdobramento da Carbono Oculto e busca esclarecer estruturas financeiras usadas para esconder beneficiários e a origem de recursos.
A representação que embasou as medidas judiciais registra R$ 176 milhões em premiações atribuídas a Freixo ao longo de cinco anos e meio. Outro levantamento, baseado em relatórios de inteligência financeira citados na decisão judicial, aponta R$ 176,4 milhões em 570 comunicações relacionadas a prêmios e apostas.
Para os investigadores, a frequência das premiações e o volume movimentado justificam a apuração sobre a origem e o destino dos recursos. O Ministério Público sustenta que empresas ligadas ao empresário prestavam serviços financeiros a diferentes clientes investigados.
“Descortinou-se para além de atos característicos de lavagem de capitais, uma rede de estruturação financeira fraudulenta envolvendo prêmios e apostas, aparentemente, com o intuito em lavar dinheiro dos seus clientes”, afirmam promotores do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo.
Repasse de R$ 940 mil leva investigação ao caso Corinthians
A apuração também identificou um pagamento de R$ 940 mil feito por uma empresa de Freixo à Wave. O Ministério Público cita essa companhia em outra investigação, relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro em desvios associados ao contrato de patrocínio firmado entre o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet.
Segundo o MP, a Wave pertence formalmente a um motoboy e movimentou milhões de reais nos últimos anos. A empresa aparece na denúncia apresentada contra ex-dirigentes do Corinthians como uma das pessoas jurídicas que teriam recebido recursos dentro do fluxo financeiro investigado.
Os investigadores também encontraram movimentações da Wave com um empresário do futebol mencionado na colaboração de Antonio Vinicius Gritzbach. Gritzbach colaborou com autoridades em investigações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e morreu em novembro de 2024 em frente ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
O pagamento de R$ 940 mil não significa, por si só, participação de Freixo nas irregularidades investigadas no Corinthians. O Ministério Público incluiu a transação entre os elementos que usa para reconstruir a rede financeira relacionada ao empresário e verificar a origem, a finalidade e os beneficiários dos recursos.
Freixo também aparece nas investigações do Banco Master
Freixo ganhou espaço nas apurações sobre o Banco Master depois de relatar sua atuação em operações financeiras ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem do Estadão, ele admitiu que auxiliava Vorcaro na obtenção de dinheiro em espécie para determinadas transações.
O Banco Central liquidou a Entre Investimentos em março, após a empresa entrar no alcance da Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes relacionadas ao Banco Master.
Entre os assuntos abordados por Freixo em sua colaboração com a Procuradoria-Geral da República estão transferências que, segundo sua versão, ocorreram a pedido de Vorcaro para um fundo ligado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A Operação Crédito Oculto também examina a relação de Freixo com negócios associados a Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, e Mouhamad Murad, chamado de Primo. As investigações relacionam os dois a empresas do setor de combustíveis e apuram possíveis crimes tributários, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
Operação mira estruturas financeiras no setor de combustíveis
A Receita Federal afirma que a Operação Crédito Oculto procura esclarecer mecanismos financeiros usados para ocultar o controle econômico de empresas e a identidade dos beneficiários de determinadas operações. A ação envolve Receita, Gaeco do Ministério Público de São Paulo, Secretaria da Fazenda paulista, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.
Os órgãos cumpriram mandados em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas em sete estados. A investigação analisa a aquisição de uma distribuidora de combustíveis e rastreia estruturas formadas por instituições financeiras, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais e outras pessoas jurídicas.
Segundo a Receita, uma das frentes identificou uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios de uma empresa do setor sucroalcooleiro. Os investigadores também apontaram a movimentação de cerca de R$ 11,6 bilhões, entre 2021 e 2025, por uma empresa financeira envolvida nas operações sob análise.
A investigação sustenta que diferentes estruturas financeiras criaram camadas para dificultar a identificação dos beneficiários e da origem dos recursos. Os órgãos responsáveis ainda analisam documentos, contratos, mensagens, áudios e dados financeiros reunidos nas fases anteriores da Operação Carbono Oculto.
O Gaeco pediu as buscas que alcançaram Freixo nesta quinta-feira, e o juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva, autorizou as medidas. A reportagem original informou que não localizou a defesa do empresário para comentar as suspeitas.
Fonte: Brasil 247