De que se trata o pagamento por hora de Flavio Bolsonaro e Marinho que busca afogar o fim da 6×1?

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Por Julia Cardoso — Esquerda Diário

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Sabemos que Flávio Bolsonaro sempre se opôs ao fim da escala 6×1. Se apoia na sua corja escravista dentro do Senado para ameaçar alterar a Constituição, como já propunha Rogério Marinho, para rasgar a CLT e jogar os trabalhadores na escala 7×0. Por nenhum voto em Flávio Bolsonaro e não arredar o pé da luta independente pelo fim da escala 6×1!

Em maio de 2026, vimos o senador bolsonarista Rogério Marinho veio a público na tentativa de alterar o artigo 7 da Constituição prevendo que o trabalhador possa escolher entre o regime tradicional da CLT, incluindo todos os direitos trabalhistas, ou o regime por hora trabalhada que rasga cada um dos direitos do trabalho previstos e o jogo na negociação entre patrão e empregado, abrindo espaço para enormes escalas de precarização do Trabalho. Durante o período eleitoral, vimos a fatídica fala de Flávio Bolsonaro anunciando que se aproveitaria do seu capital político inicial para alterar o texto da constituição de acordo com seus interesses, o que envolve aprofundar o máximo que puder a precarização e repressão da juventude e da classe trabalhadora, por exemplo ao enunciar defender a redução maioridade penal.

O crescimento da extrema direita no Senado é uma realidade que aflora preocupações desde o resultado do primeiro turno, o PL passará de 9 para 28 cargos nesta instância. As enunciações de ameaças de alterar o texto da constituição de Marinho e Flávio revelam algo importante: Flávio se apoia na sua base escravista no Senado com objetivos de aprofundar a exploração e precarização do trabalho sobre as costas dos trabalhadores. É importante vermos isso porque, ao contrário do que quer nos fazer acreditar o candidato bolsonarista com sua guinada demagógica, de que votaria pelo fim da escala 6×1. É claro que Flávio defende e sempre defendeu a jornada trabalhista que prevê a alteração do artigo 7. Isto é, uma escala na qual o pagamento não é fixo, mas sim se dá por escala trabalhada, o que abre espaço para a escala 7×0 e culpabilização dos trabalhadores por não atingirem um salário digno. Trata-se de uma medida extraordinária e superior do capitalismo para aprofundar ao máximo a exploração do trabalhador.

Para irmos aos detalhes do que se trata a mudança de jornada, sob o qual os bolsonaristas pretendem driblar o fim da 6×1. A PEC 12/2026 de Marinho propõe que o trabalhador ao invés de trabalhar sob as 44 horas semanais e 8 horas diárias e com seus direitos trabalhistas previstos, poderia optar por uma jornada dita flexível, na qual se recebe proporcionalmente a quantidade de horas trabalhadas, de modo que o caráter de horas extras é dissolvido. Ou seja, mesmo que o empregado trabalhe horas a mais do horário previsto recebe o mesmo valor. Se argumenta que assim instituída essa mudança não seria necessário aprovar o fim da 6×1 porque haveria a “liberdade” do trabalhador negociar os seus direitos que foram rasgados pela lei com o seu patrão e também “montar seu próprio horário”. Argumento que não passa de uma farsa, piada e afronta aos trabalhadores. Isso porque, em meio a precarização de vida ascendente que vivemos hoje na prática o que acontece é os trabalhadores acularem horas e horas trabalhadas para tentarem um salário digno e as negociações com os patrões sempre favorecerem os próprio patrões e se darem por meio de pressões e assédios morais que obrigam os trabalhadores aceitarem jornadas cada vez mais longas e precárias. Ou então, os patrões podem determinar uma jornada reduzida e pagar um salário de miséria aos trabalhadores e ainda sem nenhum direito, ou seja todas as decisões ficam a bel prazer do patrão, e aos trabalhadores resta a vulnerabilidade e a angústia de como fechar as contas do mês. Assim, sabemos que é um verdadeiro absurdo que Flávio Bolsonaro saia a público nesse período eleitoral falando que votaria pelo 6×1 quando na verdade busca articular com seus Senadores escravistas e direitistas afogar essa demanda tão cara aos trabalhadores.

É preciso deixarmos claro para todos os trabalhadores que Flávio Bolsonaro é contra o fim da 6×1, defende um projeto que defende não só a manutenção das reformas, como a trabalhista e da previdência, mas que pretende aprofundar a precarização do trabalho para arrancar o máximo de sangue e suor do nosso trabalho para manter os lucros dos grandes capitalista. É preciso termos claro que os bolsonaristas do PL estão há meses colocando seus esforços para invisibilizar a aprovação do fim da 6×1, mesmo com 70% da população aprovando essa medida, porque querem nos jogar na miséria e no trabalho infinito.

Todo rechaço às ameaças de Flávio Bolsonaro e Marinho em alterar a constituição para viabilizar ataques mais duros contra os direitos dos trabalhadores. Por isso, precisamos manter firme a mobilização pelo fim da escala 6×1 de forma independente dos patrões e dos governos, sem redução salarial e sem subsídios para os patrões, e garantir que não haja nenhum voto em Flávio Bolsonaro!

Fonte: Esquerda Diário

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