DCM denuncia que dono de Veja trocou fake news com Flávio Bolsonaro por promessa de concessão de TV
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O Diário do Centro do Mundo (DCM) publicou uma denúncia segundo a qual a divulgação, pela revista Veja, de acusações de Daniel Vorcaro contra o presidente Lula estaria vinculada a uma promessa de concessão de televisão aberta feita por Flávio Bolsonaro. A informação se baseia no relato de uma fonte que afirma ter ouvido sobre a negociação diretamente de um diretor da revista.
Segundo o DCM, Flávio teria prometido à Editora Abril uma concessão semelhante à da Jovem Pan em troca da publicação da reportagem sobre um suposto financiamento irregular do documentário Lula, dirigido por Oliver Stone. A existência dessa negociação é uma alegação da fonte ouvida pelo portal e ainda depende de comprovação.
Fonte atribui decisão à direção da Abril
De acordo com o relato publicado pelo DCM, a iniciativa de divulgar as acusações teria partido da direção da empresa. A revista, que já atua no streaming, buscaria ampliar sua presença para a televisão aberta.
“A matéria foi pedida pela direção da empresa e a Veja topou dar dentro dessa negociação pra depois obter uma TV aberta”, afirmou a fonte ao portal.
A reportagem de Veja, publicada na sexta-feira (9), apresentou áudios atribuídos a Vorcaro sobre supostos pagamentos para o filme de Lula. A campanha do presidente classificou a publicação como uma “grande farsa montada por Flávio Bolsonaro e Vorcaro” e anunciou medidas judiciais.
Mensagens não sustentariam acusação contra Lula
Segundo o DCM, as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro não apresentam registros de pagamentos, patrocínios ou negociações financeiras relacionados ao documentário de Oliver Stone.
O aparelho, apreendido em novembro de 2025, conteria conversas desde julho de 2012, abrangendo o período de produção do filme.
O portal aponta que as mensagens recuperadas incluem, por outro lado, discussões sobre investimentos em produções relacionadas a Jair Bolsonaro e Michel Temer. No caso de Dark Horse, cinebiografia de Bolsonaro, o DCM cita investigação do Intercept Brasil segundo a qual Flávio teria negociado US$ 24 milhões com Vorcaro, dos quais ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido pagos.
PF nega depoimento descrito pela revista
Veja também afirmou que Vorcaro teria apresentado à Procuradoria-Geral da República um documento sobre pagamentos de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para o documentário.
Segundo o DCM, fontes da PGR e da Polícia Federal negaram a existência do documento e disseram desconhecer o áudio divulgado.
Em nota divulgada na sexta-feira, a PF esclareceu que Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado pela revista e não entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo descrito na publicação.
A instituição também informou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa não foram acolhidas por não atenderem aos requisitos legais.
Defesa contesta relato de novo depoimento
O advogado Daniel Bialski, integrante da defesa de Vorcaro, negou que o banqueiro tenha prestado um novo depoimento à Polícia Federal sobre o suposto financiamento.
“Eu não estava na defesa do Daniel Vorcaro quando foram apresentadas as propostas de colaboração. O que posso afirmar é que ele não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal discorrendo sobre isso”, declarou ao Correio Braziliense, conforme reproduzido pelo DCM.
O portal também menciona artigo de João Moreira Salles, publicado na revista Piauí, segundo o qual Fábio Carvalho, dono da Editora Abril, participou de jantares de apoio a Flávio Bolsonaro como anfitrião ou convidado. Essa participação, por si só, não comprova a negociação relatada pela fonte.
Diante da publicação, a defesa do presidente Lula anunciou uma queixa-crime contra Vorcaro, uma ação indenizatória contra a revista e um pedido de investigação à PF sobre a autenticidade das declarações e a possível divulgação de informações falsas.
Fonte: Brasil 247