Dark Horse: Vorcaro mudou rota de pagamentos do filme sobre Bolsonaro após dificuldades para enviar dinheiro ao exterior

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram que ele buscou uma alternativa para viabilizar pagamentos destinados a Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL), após sucessivos obstáculos para enviar recursos ao exterior por meio de operações de câmbio.

Segundo reportagem da Carta Capital, Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, tentaram durante dias solucionar os problemas relacionados ao pagamento. Em 5 de fevereiro de 2025, diante dos impasses, Vorcaro sugeriu uma mudança: “Vamos fazer via entre”.

Oito dias depois, em 13 de fevereiro, a Entre Investimentos e Participações Ltda. transferiu US$ 2 milhões para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos. No dia seguinte, Zettel enviou a Vorcaro o comprovante da operação acompanhado de uma única palavra: “filme!”.

A Polícia Federal investiga o caminho percorrido pelo dinheiro e a destinação dos recursos. Segundo a investigação, a Entre realizou sete transferências para o Havengate entre fevereiro e setembro de 2025, somando US$ 12,33 milhões.

Mensagens reveladas pelo site Intercept Brasil apontam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou a Vorcaro a quantia de R$ 131 milhões para viabilizar a produção cinematográfica. Planilhas apreendidas durante as operações da PF indicam que, desse total, cerca de R$ 60 milhões foram efetivamente quitados. O parlamentar, que é candidato à Presidência da República, nega a existência de irregularidades.

“Esse é o mais importante disparado”

As tratativas registradas no celular de Vorcaro remontam pelo menos a dezembro de 2024. No dia 18 daquele mês, o publicitário Thiago Miranda encaminhou ao então banqueiro documentos relacionados ao projeto, que naquele momento ainda aparecia sob o nome Capitão do Povo.

Entre os arquivos estavam um acordo de financiamento da produção e um plano de negócios. O contrato previa investimento total de US$ 24 milhões, dividido em parcelas.

Em janeiro de 2025, as conversas passaram a registrar cobranças pelo início dos pagamentos. No dia 20, Miranda informou a Vorcaro que aquela era a data-limite para o primeiro repasse destinado ao filme.

Oito dias depois, Vorcaro perguntou a Zettel: “Filme vc pagou?”. O cunhado respondeu: “irmão, Não vem 1 real tem 3 semanas… kkkkkkk Paguei foi nada…”.

Vorcaro então enfatizou a prioridade que atribuía ao projeto: “esse é o mais importante disparado”. Na sequência, acrescentou: “não pode falhar mais”.

Dificuldades para enviar dinheiro ao exterior

As mensagens mostram que os obstáculos também envolviam a estrutura necessária para realizar a operação financeira. Em 29 de janeiro, Zettel informou a Vorcaro que uma empresa criada por ele não possuía cadastro suficiente para executar as operações relacionadas ao filme e perguntou se poderia utilizar outra estrutura.

No dia seguinte, ao ser questionado sobre o valor destinado ao projeto, respondeu: “2M de dólares”.

O impasse persistiu. Em 31 de janeiro, Vorcaro perguntou novamente se Zettel havia conseguido efetuar o pagamento. “Amigo, não faz assim que me dá dor de barriga…”, respondeu o cunhado.

Zettel também informou que continuava aguardando uma definição sobre qual empresa seria utilizada para realizar a operação.

As cobranças aumentaram em 3 de fevereiro. Depois que Zettel incluiu “resolver filme” entre suas pendências, Vorcaro reagiu: “como assim”, “Nao fez sl?” e “Nem filme”.

Zettel respondeu: “amigo, não faz assim comigo!! Eu te escrevo todo dia!!”.

Vorcaro sugere operação “via entre”

Dois dias depois, as mensagens registraram uma mudança na estratégia. Em 5 de fevereiro, Zettel informou que a operação relacionada ao filme permanecia pendente e que o envio do dinheiro estava “dando caso”.

Vorcaro perguntou: “paga pra quem?”. Logo depois, escreveu: “vamos fazer via entre”.

Zettel respondeu que pediria “pro Minas”. De acordo com o SBT News, a referência a “entre” aparece no contexto que antecedeu o uso da Entre Investimentos e Participações, do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, nas transferências posteriormente identificadas pela investigação.

Os problemas, porém, continuaram. Em 6 de fevereiro, Thiago Miranda procurou Vorcaro para informar que o pagamento ainda não havia avançado.

“Estamos com problema pra fazer o cambio e olha que estou fazendo interno”, respondeu Vorcaro.

Miranda perguntou se deveria esperar a conclusão do procedimento, e Vorcaro afirmou que esperava solucionar a questão naquele mesmo dia.

Cinco dias depois, em 11 de fevereiro, o problema ainda aparecia nas conversas. Questionado por Vorcaro sobre o pagamento, Zettel afirmou ter encaminhado a questão a “Mineiro”, que também estaria encontrando dificuldades.

“O câmbio não quer fazer…”, escreveu Zettel. Segundo ele, havia um problema de cadastro e as informações eram consideradas “meio estranhas”.

Vorcaro respondeu: “preciso resolver HOJE”.

US$ 2 milhões são transferidos

A primeira transferência identificada posteriormente pela investigação ocorreu em 13 de fevereiro de 2025.

No dia seguinte, Zettel encaminhou a Vorcaro um documento referente a uma operação internacional de US$ 2 milhões realizada pela Entre Investimentos e Participações Ltda. em favor do Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos.

Ao enviar o comprovante, escreveu: “filme!”.

Segundo a investigação da Polícia Federal, essa foi a primeira das remessas posteriormente relacionadas ao financiamento de Dark Horse.

PF investiga sete remessas

De acordo com a investigação, a Entre realizou sete transferências para o Havengate durante 2025. As operações ocorreram entre fevereiro e setembro e totalizaram US$ 12,33 milhões.

Os valores são próximos às parcelas previstas no acordo de financiamento encontrado no celular de Vorcaro. O documento estabelecia investimento total de US$ 24 milhões, com duas parcelas iniciais de US$ 2 milhões e pagamentos posteriores de aproximadamente US$ 1,67 milhão.

A investigação da PF busca esclarecer o percurso dos recursos e sua destinação.

Cobranças continuaram após primeiro pagamento

A realização da primeira transferência não encerrou as cobranças registradas nas mensagens.

Em 12 de março, Miranda informou a Vorcaro: “sobre o filme só foi pago a primeira de janeiro”.

Vorcaro encaminhou a cobrança a Zettel e escreveu: “precisa me ajudar controlar isso” e “tem que pagar a segunda e a terceira”.

Zettel respondeu que cobraria “Mineiro” e afirmou acreditar que os pagamentos estavam sendo realizados.

As mensagens registram novas cobranças nos meses seguintes. Em agosto, Miranda enviou a Vorcaro uma tabela segundo a qual estavam previstos quase US$ 24 milhões em pagamentos, enquanto aproximadamente US$ 10,67 milhões haviam sido recebidos até então.

Em outubro, as cobranças permaneciam. No dia 22, Miranda perguntou se Vorcaro conseguiria liberar as parcelas e alertou que, caso isso não acontecesse, a produção poderia parar.

Vorcaro respondeu: “sim” e “liberei mais uma hoje”.

Em seguida, pediu que Miranda transmitisse um recado: “pede desculpas os atrasos meu esforço tem sido máximo possível e prioridade total. Apesar de qq tempestade vou ate o fim com isso”.

Documentos da investigação divulgados posteriormente indicam que o pagamento mencionado nessa ocasião não chegou a ser efetivado.

Em 31 de outubro, Miranda informou que os documentos haviam chegado, mas o dinheiro não. Vorcaro respondeu que a operação havia “voltado” e seria refeita.

Fonte: Brasil 247

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