Daniel Vorcaro nega exploração de mulheres em rede de prostituição
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou veementemente, por meio de nota oficial divulgada nesta terça-feira (13), que tenha explorado mulheres sexualmente. No mesmo posicionamento, o ex-proprietário do Banco Master afirmou não reconhecer mensagens interceptadas que o vinculam ao gerenciamento de uma rede de prostituição e declarou estar aberto a colaborar com as investigações da Justiça, informa a Folha de São Paulo.
“Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrespeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei”, disse o ex-banqueiro no comunicado divulgado.
A manifestação ocorre após a divulgação de dados de uma reportagem veiculada pelo portal UOL, que revelou mensagens encontradas pela Polícia Federal no telefone celular de Vorcaro. Os registros indicam o suposto envolvimento do empresário na estruturação e na gestão de um esquema de prostituição que envolvia mulheres estrangeiras.
Em nota assinada de próprio punho, Vorcaro rebate as suspeitas e classifica a divulgação do material como uma manipulação promovida de forma criminosa a partir de conteúdos fora de contexto.
“É absurdo ver frases pinçadas, conversas, áudios e prints descontextualizados falarem por mim, enquanto permaneço preso e sem o direito de falar oficialmente. Além de expor indevidamente minha intimidade e violar minha privacidade, esses vazamentos colocam em risco a segurança da minha família e apresentam à sociedade uma história enviesada, sujeita ao uso político e à manipulação da opinião pública”, afirmou.
Mesmo sem mencionar diretamente negociações para um acordo de delação premiada, o ex-dono do Banco Master ressaltou a intenção de prestar esclarecimentos aos investigadores. Segundo ele, a utilização ilícita e manipulada de mensagens privadas encobre discussões centrais e será “objeto de responsabilização cível e criminal no seu devido tempo”.
“Reitero que quero falar de forma objetiva e transparente sobre todos os assuntos investigados e todas as minhas relações. Sei da importância desses esclarecimentos e quero prestá-los com responsabilidade, pelas vias adequadas e com respeito ao devido processo legal”, reiterou.
As investigações detalhadas pelo portal UOL apontam que Vorcaro atuava como sócio oculto, tendo estruturado e financiado a rede de prostituição internacional desde o ano de 2023. O montante alocado no empreendimento alcança pelo menos R$ 4,3 milhões, contando com o suporte de intermediários, recrutamento ostensivo de mulheres no exterior e a manutenção de uma casa noturna localizada na cidade de São Paulo.
De acordo com as apurações, o ex-banqueiro escolhia pessoalmente mulheres de diversas nacionalidades, emitia diretrizes operacionais e tomava decisões sobre contratações. As trocas de mensagens citam o envolvimento de cidadãs russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas.
A Polícia Federal mantém uma apuração preliminar sobre os indícios de crimes ligados à exploração sexual e projeta solicitar formalmente a abertura de um inquérito policial dedicado ao tema. Em maio, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) já havia encaminhado uma notícia-crime ao Ministério Público Federal pedindo a investigação de orgias, exploração sexual e tráfico internacional de mulheres associados aos desdobramentos do escândalo financeiro do Banco Master.
Reportagens anteriores já haviam detalhado que o empresário promovia festas com a presença de modelos contratadas no exterior, vindas de países como Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela, utilizando aviões particulares e hospedagens em hotéis de luxo para atrair integrantes da elite política.
A relevância dessas recepções para seus negócios foi abordada pelo próprio Vorcaro em uma discussão com sua então noiva, Martha Graeff. Na ocasião, ela questionou o fato de o empresário manter contato em redes sociais com mulheres que qualificou pejorativamente. “Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, declarou Vorcaro em mensagem datada de 18 de agosto de 2025, resgatada pelos peritos da Polícia Federal.
Fonte: Brasil 247