dadá Joãozinho costura surrealismo e biografia em “O Laço da Cobra”, seu segundo disco solo

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Por SOM.VC — Mídia NINJA

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Com premissa operística, obra apresenta a trama do personagem Cobra Rara; lançamento acontece em 25 de setembro

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A partir das tensões entre masculinidade e identidade, e entre poder e tecnologia, surge Cobra Rara, personagem que conduz a narrativa de “O Laço da Cobra”, segundo disco solo de dadá Joãozinho. A obra apresenta música pop contemporânea global com fundamento brasileiro e latino, culturas entrelaçadas ao surrealismo, chega às plataformas digitais em 25 de setembro, como um lançamento do selo Coala Music, ouça aqui. 

“O Laço da Cobra é uma ópera de guerras internas. Uma premissa operística que enche de drama a travessia desse personagem, Cobra Rara. Num mundo de aceleracionismo tecnológico, neo colonialismo, disputa de soberania e busca de identidade Sul global, eu coloco esse trabalho como um reflexo disso esteticamente, através do que é o íntimo e sensível nessa história. É um drama, afinal”, explica o artista. “Também investigo a minha posição de corpo no meio disso, provocando as certezas e culturas do que é ser esse homem no mundo hoje. Todas essas contradições desse corpo-personagem: como ele vê o mundo, os outros, a si, como se projeta, o que deseja e o que rejeita”. 

Em desenvolvimento há cerca de cinco anos, “O Laço da Cobra” nasceu de um processo extenso, com revisões, pesquisas, experimentações e colaborações, que resultam em um trabalho com o coro composto por Ana Frango Elétrico, Jadsa & Samuel de Saboia, co-direção de tttigo ao lado de dadá Joãozinho, co-produção de Mundo Video, Vasconcelos Sentimento, CARLO, Felipe Castro, João Viegas & Matheus Ullmann e vozes de Nina Maia, Juliana Franarin & Possanti. O nome da obra veio da ponta da língua, dadá começou a utilizar a expressão, que o atraiu, em seu cotidiano. Depois, se atentou em como essa frase poderia causar fascínio ao explorar os significados atribuídos às cobras e do interesse em trazer uma nova atribuição — como um movimento — a essa simbologia. “O título foi a primeira coisa que eu tive desse trabalho todo. Tudo que construí a partir daí foi para servir à essa imagem, essa expressão, esse sentimento que ‘O Laço da Cobra’ me despertava”, explica. 

O disco marca um momento de transformação no trabalho de dadá Joãozinho, evocando com ainda mais força elementos como a percussão, baterias eletrônicas, rezas e a estética do poema falado, criando contrastes simbólicos e, acima de tudo, técnicos. O percurso do álbum, que começa sutil e estoura em canções fortes e até mesmo inesperadas, é estruturado a partir de atos: Prelúdio, Ato I, Ato II, Interlúdio e Ato III. 

Para o artista, o formato é reflexo das suas referências e objetivos como criador. “Esses caminhos e costuras têm muito a ver com meus desejos enquanto artista. Isso está nas imagens e nas palavras, eu estou criando universos e habitando neles. Essas decisões e estruturas estão aí para dar forma à essa contação de história, que é o meu trabalho principal. É música, literatura, teatro, cinema”. 

Além da estrutura, a contação de histórias também reflete diretamente no repertório do disco: “Nunca Vi Você Tão Triste”, música de Monarco e Ratinho que se popularizou na voz de Zeca Pagodinho, ganha uma regravação no trabalho, mostrando também o lado intérprete do artista. A música entra no repertório para firmar uma linha histórica direta com o trabalho de dadá Joãozinho e os artistas que vieram antes.

“Ganhei dos meus padrinhos esse CD, ‘Água Da Minha Sede’, e ouvia no carro sem parar. Foi quando me apaixonei por todo esse repertório. Testei essa música ao vivo algumas vezes e decidi gravar”, conta. “No contexto do álbum, eu sentia uma aproximação temática muito grande, sentia que o trovador que existe nesse álbum poderia cantar um samba mais antigo que os meus”. 

A influência familiar também aparece em “Mais Caro”, faixa que conta com a participação de Pedro, avô do artista. Na música, ele aparece cantando um trecho de “La Barca”, essa citação no disco auxilia a contar a história da obra por meio de interferências sonoras nas faixas, na citação Pedro canta: “cuida que no naufragues en tu vivir” – “Cuidado para não naufragar em seu viver”, em tradução livre. 

O desdobramento visual do disco foi desenvolvido ao lado de Juliana Franarin, criativa que assina como Diretora de Imagem do projeto. Neste âmbito, o universo de Cobra Rara foi multiplicado e transformado em matérias que ultrapassam o som. Para Juliana, os resultados não servem como complemento à música, mas como criações tão importantes quanto ela. 

“Criamos uma dramaturgia a partir do disco que não é necessariamente algo que complemente a música ou coisa que o valha, mas um trabalho tão importante quanto. Os desdobramentos visuais desse universo vão se multiplicando e sendo criados através de fotografia, roupa, vídeo… é um espaço que se retroalimenta. A música com a imagem e a imagem com a música, criando cada vez novos sentidos. Cobra Rara é o ponto central e de partida para todo esse universo, ele tensiona o ser masculino em declínio, talvez. Há poder e decadência, algo tragicômico nele, essa coisa que já foi ou apenas fantasiou ser”. 

Entre memórias, visuais, novos mundos e a repaginação de influências, dadá Joãozinho solta no mundo um universo que, com linguagem e maneiras próprias, convida o ouvinte a refletir sobre outras formas possíveis de questionar, se rebelar e descobrir novos rumos e aberturas — no outro e em si próprio. 

Artista multimídia natural de Niterói, transita entre música, texto, imagem e performance para construir narrativas a partir de suas vivências e das diferentes formas de interpretar a realidade ao seu redor. Iniciou sua trajetória artística no coletivo ROSABEGE, com quem lançou o disco Imagem (2019). Em 2023, apresentou seu primeiro álbum solo, tds bem Global, trabalho que ampliou sua atuação autoral e recebeu atenção da crítica nacional e internacional. Dois anos depois, deu continuidade às suas investigações entre som e visualidade com os projetos 1997 e Sustos, pautados em música e visualidades, com universos próprios que expandem sua produção. Agora, prepara um novo disco, aprofundando essa pesquisa e abrindo um novo momento de sua trajetória artística.

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Fonte: Mídia NINJA

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