Cuba condena perseguição dos EUA à cooperação médica internacional

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, acusou o governo dos Estados Unidos de pressionar outros países a interromper a cooperação médica com a ilha, sem considerar as consequências para as populações atendidas.

Segundo a teleSUR, o chanceler denunciou no sábado o uso de relatórios e de iniciativas diplomáticas de Washington para justificar ações contra os programas cubanos de saúde no exterior.

A manifestação foi publicada na rede social X após a divulgação de um novo relatório anual do Departamento de Estado americano sobre tráfico de pessoas. O documento associa programas de cooperação profissional de Cuba, sobretudo as missões médicas, a práticas classificadas por Washington como “trabalho forçado”. O governo cubano rejeita essa caracterização.

“Com mais um relatório unilateral e mentiroso sobre tráfico humano, o Departamento de Estado dos EUA busca continuar justificando a política agressiva daquele governo contra Cuba e sua perseguição obsessiva à colaboração médica cubana”, escreveu Rodríguez.

O chanceler também afirmou que o “governo estadunidense insiste na mentira para tentar manipular a opinião pública internacional” e classificou como “cínico o reconhecimento explícito das duras pressões e da chantagem que exercem contra os governos que recebem cooperação”.

Na mesma publicação, Rodríguez declarou que a ofensiva prossegue “sem importar as consequências para as populações que foram beneficiadas pela presença médica cubana”.

Pressões atingem acordos na América Latina e no Caribe

De acordo com a teleSUR, o relatório americano reconhece indiretamente a pressão exercida para encerrar a missão médica cubana na Guatemala. O ministro das Relações Exteriores do país centro-americano também havia reconhecido essa pressão em maio.

A emissora relata que, nos últimos meses, Honduras, Jamaica, Antígua e Barbuda, Bahamas, Granada, Guiana e Trinidad e Tobago suspenderam a cooperação médica com Cuba ou modificaram as condições dos acordos sob pressão de Washington.

O México manteve o programa. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, defendeu a parceria ao afirmar que os profissionais cubanos prestam assistência a pessoas sem atendimento e que o acordo bilateral contribui para o sistema de saúde do país.

A atuação americana contra as missões também alcançou outras regiões. A reportagem menciona iniciativas diretas de altos funcionários da diplomacia dos Estados Unidos contra a presença de médicos cubanos na Calábria, no sul da Itália.

As estimativas sobre o tamanho das missões variam. O relatório do Departamento de Estado aponta que, no início de 2026, aproximadamente 18 mil funcionários cubanos atuavam no exterior, em sua maioria profissionais de saúde, distribuídos por 52 países. Outras fontes internacionais citadas pela teleSUR indicam 24 mil profissionais em 56 nações, principalmente na América Latina, no Caribe e na África.

Sanções afetam uma fonte de financiamento da saúde cubana

A exportação de serviços profissionais tem peso relevante na economia de Cuba. Segundo o Escritório Nacional de Estatística e Informação do país, essa atividade respondeu por mais de 40% das vendas da ilha ao exterior entre 2018 e 2020.

Conforme a reportagem, o governo cubano destina receitas dos serviços médicos internacionais à compra de insumos e tecnologias para a rede pública de saúde. O setor enfrenta dificuldades agravadas pelas restrições ao fornecimento de petróleo e pelas sanções americanas.

A teleSUR informa que a administração do presidente Donald Trump adotou mais de dez rodadas de medidas contra Cuba em 2026. Em julho, Washington incluiu entre os alvos o ministro cubano da Saúde, a Unidade Central de Cooperação Médica e a empresa Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos S.A.

A unidade coordena os compromissos internacionais de cooperação sanitária vinculados ao Ministério da Saúde Pública. Já a empresa arrecada recursos com a prestação desses serviços, destinados ao sistema de saúde da ilha.

Cooperação internacional começou na década de 1960

A atuação médica cubana no exterior teve uma de suas primeiras experiências em 1960, quando profissionais foram enviados ao Chile após um terremoto que deixou milhares de mortos. O marco oficial do programa é 23 de maio de 1963, data do envio de uma brigada de 55 integrantes à Argélia.

Ao longo de mais de seis décadas, cerca de 600 mil trabalhadores da saúde participaram de missões em mais de 160 países, segundo os dados apresentados pela teleSUR. A cooperação abrange atendimento básico, assistência especializada e respostas a emergências, como terremotos, furacões e epidemias.

Durante a pandemia de Covid-19, Cuba enviou 58 brigadas a 42 países. Profissionais da ilha também atuaram no enfrentamento de surtos de ebola.

Dados oficiais cubanos acumulados até o início de 2025 atribuem às missões o atendimento a mais de 2,3 bilhões de pessoas, a realização de 17 milhões de cirurgias e a assistência ao nascimento de cinco milhões de crianças. As autoridades estimavam que o trabalho havia contribuído para salvar 12 milhões de vidas.

Os modelos de financiamento variam conforme o acordo. Em 2017, médicos cubanos trabalhavam em 62 países: em 27, o governo anfitrião não pagava pela cooperação; nos outros 35, os custos eram compartilhados segundo condições específicas.

A formação de profissionais estrangeiros também integra essa política. Nas últimas décadas, Cuba qualificou mais de 87,9 mil estudantes de 150 países em especialidades médicas, sobretudo de nações do Sul Global. Desse total, mais de 31,2 mil estudaram na Escola Latino-Americana de Medicina, situada a oeste de Havana, que também recebeu alunos dos Estados Unidos.

Fonte: Brasil 247

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