CropLife debate ciência, inovação e diplomacia no GAFFFF 2026
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – Da superação dos desafios da agricultura tropical à oportunidade de se consolidar como liderança global por meio da inovação e das tecnologias desenvolvidas no país. É este o cenário que confere ao Brasil uma vantagem competitiva exclusiva no mundo.
O modelo produtivo brasileiro e o avanço da ciência embarcada no campo foram os grandes temas capitaneados pela CropLife Brasil durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, realizado na última sexta-feira (2), em São Paulo.
Ao lado de representantes da cadeia produtiva, a entidade debateu como as condições únicas do país, aliadas às soluções tecnológicas adaptadas e à produção em escala industrial, abrem novos caminhos para o agronegócio mundial. A pauta também destacou outros temas estratégicos para o desenvolvimento do setor, como a modernização do ambiente regulatório e o fortalecimento da diplomacia.
Agricultura Tropical – pesquisa, produção e regulação

Foto: CropLife Brasil
A habilidade de produzir respeitando as condições naturais do território foi possível por meio de investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Mais do que isso, contar com o arcabouço regulatório brasileiro para garantir êxito na produção. Mas como contar isso e se fazer reconhecido? No painel “Do desafio à liderança: o que é que só o Brasil tem?”, mediado pela presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, lideranças debateram como contar isso e se fazer reconhecido. Produtividade, obstáculos científicos e tecnológicos, regulação e segurança foram assuntos abordados como interdependentes. Para que o Brasil passe a ser reconhecido globalmente, transformar esses aspectos em competitividade é fundamental.
“A agricultura tropical brasileira é resultado de décadas de pesquisa, adaptação, investimento e conhecimento acumulado no campo. E isso nos coloca diante de uma oportunidade que vai além de exportar commodities e alimentos. Podemos exportar conhecimento, tecnologia, genética, soluções de manejo e modelos produtivos adaptados aos trópicos. Se queremos que ela seja reconhecida, não basta dizer que o Brasil produz bem. Precisamos mostrar por que produzimos bem e levar segurança ao mercado internacional de que somos um país relevante para negociar tecnologia”, sintetizou Repezza.

Foto: CropLife Brasil
Presente no painel, o pesquisador e assessor da Presidência da Embrapa, Aryeverton de Oliveira, recapitulou a trajetória do Brasil nos últimos 40 anos e destacou como dados, modelagem de risco e informações agroclimáticas apoiaram decisões relacionadas à produção nacional. “Nós temos dados que asseguram que aquele selo, aquele certificado de cada produto, passa por um controle. Temos que parar de esperar que alguém venha aqui nos dizer o que fazer e passar a dizer o que pode ser feito. Temos uma agricultura tropical, um processo diferenciado. (…) Somos um país com uma história recente, mas temos coisas interessantes por aqui. O nosso setor, o agro, foi muito eficiente na adoção de tecnologias e nas nossas políticas. Não tem mais espaço só para discurso vago e conversa. Precisamos demonstrar que nossa ciência e nossos dados saem do paper e chegam ao Estado”, declarou o cientista.

Foto: CropLife Brasil
Em complemento, a sócia-proprietária da Lina Frutas, diretora ESG da Abrafrutas e board member da Global Women Fresh, Priscilla Nasrallah, apresentou a perspectiva do produtor e as preocupações dos compradores no exterior. “O cliente está mais atento à rastreabilidade, qualidade e segurança do produto. E a nossa expertise em agricultura tropical consegue entrar em lugares que outros países não conseguem”, afirmou.
Já pela perspectiva do governo, a assessora da Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Andrea Claudia Parrilla, destacou a evolução do ambiente regulatório brasileiro e seus indicadores, além de apontar legislações que ainda demandam avanços em regulamentação e segurança jurídica para estimular investimentos no país. “O Brasil não só produz, ele desenvolve tecnologia. Estamos em outra fase”, afirmou.
Bioinsumos e Fertilizantes – integração e sustentabilidade

Foto: CropLife Brasil
Já no eixo de tecnologias agrícolas, a segurança alternativa diante de tensões comerciais e a integração no manejo foram as reflexões obtidas em outro debate do dia. O assunto foi abordado no painel “Fertilizantes, Bioinsumos e Biológicos – Segurança, inovação e sustentabilidade”, onde especialistas comentaram a dependência externa de fertilizantes e a necessidade de ampliar alternativas capazes de fortalecer a produção nacional e aumentar a eficiência no uso de nutrientes.
Mediadora do encontro, a diretora de Biológicos da CropLife Brasil, Amália Borsari, destacou que o Brasil é uma potência agrícola, mas ainda possui dependência externa de insumos essenciais. “Talvez a pergunta já não seja simplesmente ‘como substituir o que importamos?’, mas ‘como transformar esse desafio em uma oportunidade para desenvolver soluções próprias e construir uma agricultura ainda mais eficiente, tecnológica e competitiva?’”, afirmou.
A discussão também abordou novas fontes de nutrientes, economia circular e o avanço dos biológicos como plataforma de inovação.




Fotos: CropLife Brasil
Outro ponto central do debate foi a construção de um ambiente regulatório capaz de acompanhar a velocidade da inovação, com segurança jurídica, previsibilidade e base científica.
“Falamos aqui de segurança de suprimento, produção nacional, investimentos e inovação. Para que tudo isso chegue de fato ao produtor, existe uma variável transversal: o ambiente regulatório. No caso dos bioinsumos, o Brasil está justamente em uma etapa decisiva dessa construção setorial”, explicou Amália. “O desafio agora é transformar as convergências em torno da proposta de regulação em discussão em uma regulamentação que combine ciência, segurança, previsibilidade e capacidade de acompanhar a velocidade da inovação”, acrescentou.

Foto: CropLife Brasil
Também participaram do painel, o diretor executivo da ANDA, Ricardo Tortorella; o diretor de Operações da Agrion Fertilizantes Vinícius Monteiro; e a líder de Biológicos da Corteva Agriscience, Tainá Sipos.
Biotecnologia – simetria regulatória
Outro encontro relevante na agenda foi o painel “Desafios regulatórios internacionais associados à biotecnologia”, ocorrido durante a manhã.
Na ocasião, os participantes discorreram sobre os ambientes regulatórios de países como Argentina, EUA e China – importantes parceiros comerciais do Brasil – e quais os entraves no entendimento comum dos países no âmbito da segurança dos produtos e as consequências de assimetrias, seja para o mercado, seja para o produtor.
A fundadora da Biofocus Hub, membro do Conselho Consultivo do Pacto Global da ONU no Brasil e consultora da CropLife Brasil, Adriana Brondani, reforçou o quanto o Brasil possui dados e pesquisas que mostram a sua biossegurança, amparados no trabalho integrado entre academia, indústria e órgãos reguladores. Entretanto, o benefício da tecnologia e as questões de percepção não chegam a quem não está próximo da agricultura. Segundo ela, existem três pontos principais que estão associados a esse fator: a distância, a preocupação com as entregas e as assincronias entre diferentes países.

Foto: CropLife Brasil
Para além disso, o país também conta com produtores ávidos por inovação, que pedem esse retorno de tecnologias e demandam entregas eficientes. Contudo, destacou que é preciso compartilhar informações e trabalhar ao máximo para que assincronias reduzam.
“É um setor que envolve ciência, indústria e academia e que faz entregas tão bem-sucedidas, que os produtores pedem tecnologia para quem desenvolveu. E quando alguém está pedindo essa tecnologia, é de extremo valor que ela seja reconhecida e preservada para continuar evoluindo para responder a sua pergunta. Essa ação envolve todo o nosso arcabouço regulatório, os dados gerados, que podem ser compartilhados para intensificar essa troca de experiência regulatória entre o Brasil e os outros países. (…) Temos que compartilhar informações e trabalhar ao máximo para que essas assincronias diminuam, e esse é um trabalho que precisa de todos os elos da cadeia, aproveitando a relação positiva e diplomática do Brasil”, apresentou.
Além da consultora, participaram o presidente da Abramilho e membro do Conselho de Administração da Aliança Internacional das Associações de Produtores e Exportadores de Milho da Argentina, do Brasil e dos EUA (MAIZALL), Paulo Bertolini; o agricultor e membro do Conselho da MAIZALL, Manuel Ron; e o diretor de Políticas Comerciais do U.S. Grains & BioProducts Council. Andrew Brandt. A condução ficou por conta do diretor-executivo da MAIZALL, Benno van der Laan.
Fonte: Brasil 247