CPMI para investigar Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz já tem 100 assinaturas
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – Lideranças governistas no Congresso Nacional articulam a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e o advogado Willer Tomaz. O requerimento já reúne 100 assinaturas, segundo o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC).
Até o momento, o pedido conta com o apoio de 15 senadores e 85 deputados federais. Para alcançar o número mínimo necessário ao protocolo, são exigidas 198 assinaturas, sendo 171 de deputados e 27 de senadores. Mesmo após o cumprimento desse requisito, a instalação da comissão depende da leitura do requerimento pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP).
Uczai afirmou que o governo não teme a investigação e cobrou reciprocidade da oposição. Segundo ele, parlamentares governistas apoiaram o pedido de CPMI apresentado pela oposição para investigar Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva.
“Queremos que o time do Flávio Bolsonaro tenha a mesma postura que nós. Assinamos a CPMI deles e queremos que eles assinem a nossa CPMI contra o Willer Tomaz para investigar todas as acusações”, disse o líder petista.
Investigação sobre o filme Dark Horse
Segundo a CNN Brasil, o requerimento foi apresentado por Uczai e pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE). A proposta prevê uma comissão formada por 16 senadores e 16 deputados, com prazo de 180 dias para apurar dois conjuntos de fatos investigados no Supremo Tribunal Federal (STF).
O primeiro caso envolve o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-mandatário Jair Bolsonaro. A investigação foi aberta em julho pelo ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal (PF) e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento da produção.
Mensagens e áudios divulgados em maio indicaram negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para aportes de até US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na época.
De acordo com uma delação homologada em setembro, sete remessas financeiras, que totalizaram US$ 12,3 milhões, foram enviadas em 2025 ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. A Polícia Federal investiga se parte dos recursos foi utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro no país.
Relações financeiras com Willer Tomaz
O segundo conjunto de fatos está relacionado a um inquérito encaminhado pela Polícia Federal ao STF em 8 de outubro e sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A apuração teve origem em uma investigação sobre plataformas de pagamento e apostas e passou a envolver Willer Tomaz.
Em agosto, o advogado foi alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo o requerimento da CPMI, a Polícia Federal identificou indícios que justificariam investigar uma possível participação econômica de Flávio Bolsonaro em empresas ligadas ao advogado.
Entre os elementos mencionados estão o cadastro do senador como usuário master de uma conta da Alcazar Holdings, empresa da qual Willer Tomaz é o único sócio formal, e um pedido de desvinculação dessa conta encaminhado ao banco em 22 de maio de 2025.
O documento também cita o custeio de viagens de Flávio Bolsonaro e de familiares pela Cathedral Holding, acionista única da Rede Loto, casa de apostas credenciada no Rio de Janeiro. Outro ponto é a movimentação de aproximadamente R$ 130 milhões, entre março e maio de 2025, em uma conta vinculada ao advogado.
Jato conecta investigados
As duas investigações também se cruzam por meio de uma aeronave. A Alcazar Holdings possui participação em um jato do qual Daniel Vorcaro também foi cotista. Flávio Bolsonaro utilizou a aeronave em uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil, em janeiro de 2025.
Willer Tomaz, por sua vez, viajou ao exterior com a família poucos dias depois de o inquérito que o envolve chegar ao STF. A Polícia Federal avalia se a viagem teve como objetivo evitar a aplicação de medidas cautelares.
O requerimento apresentado pelos parlamentares solicita a apuração das relações financeiras entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, além dos vínculos de ambos com a Alcazar Holdings e Daniel Vorcaro.
Fonte: Brasil 247