Cota de carne brasileira para a China pode acabar nos primeiros meses de 2027
Por Felipe Rabioglio — ICL Notícias
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O Brasil poderá consumir rapidamente a cota de exportação de carne bovina para a China em 2027 caso o ritmo elevado dos embarques seja mantido. O limite destinado ao produto brasileiro será de 1,128 milhão de toneladas no próximo ano, apenas 22 mil toneladas acima do estabelecido para 2026.
Dentro da cota, a carne brasileira entra no mercado chinês com tarifa de 12%. Depois que o volume anual é atingido, porém, a alíquota sobe para 55%, o que reduz significativamente a competitividade do produto.
A China adotou o sistema de salvaguardas no fim de 2025 para tentar proteger sua produção doméstica diante do crescimento das importações de carne bovina. As restrições valem entre 2026 e 2028 e atingem diferentes fornecedores estrangeiros.

China é principal destino da carne brasileira
O tamanho da cota é especialmente relevante para o Brasil porque o mercado chinês concentra uma parcela expressiva das exportações nacionais de carne bovina.
Entre janeiro e agosto deste ano, o país asiático comprou 899,2 mil toneladas do produto brasileiro, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). No mesmo período, as exportações brasileiras para todos os mercados somaram 2,2 milhões de toneladas.
Em 2025, antes da entrada em vigor das novas restrições, aproximadamente 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira foram destinadas à China.
A diferença entre o volume historicamente demandado pelos chineses e o limite estabelecido para 2027 aumenta a importância de outros destinos para os frigoríficos brasileiros. Depois que a cota é preenchida, a tarifa adicional torna as vendas para a China menos atraentes.
Outro fator é que a contagem chinesa considera a data de entrada da mercadoria no país. Com isso, cargas embarcadas pelo Brasil ainda no fim de 2026 poderão consumir parte da cota destinada a 2027.
Setor também enfrenta restrições na Europa
A limitação chinesa ocorre enquanto a carne bovina brasileira também enfrenta dificuldades para acessar o mercado da União Europeia.
Desde 3 de setembro, o Brasil está impedido de exportar carne bovina ao bloco por causa de novas exigências relacionadas à comprovação do não uso de determinados antimicrobianos ao longo da cadeia produtiva.
A adequação é mais complexa no caso dos bovinos devido ao ciclo de criação dos animais, que pode durar cerca de dois anos. As exigências europeias envolvem comprovação desde o nascimento.
A indústria brasileira apresentou ao Ministério da Agricultura um protocolo de adesão às exigências europeias e busca uma solução que permita a retomada dos embarques.
A União Europeia é um mercado de menor volume que a China, mas de maior valor para a carne brasileira. Em 2025, as vendas ao bloco renderam aproximadamente US$ 1 bilhão ao setor.
Com restrições simultâneas em dois mercados importantes, a diversificação dos destinos ganha peso para a indústria brasileira. Atualmente, o país exporta carne bovina para cerca de 170 mercados.
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Fonte: ICL Notícias




