Coreia do Norte justifica expansão do arsenal nuclear ante cerco dos EUA e aliados

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Por Guilherme LevoratoBrasil 247

247 – O crescente reforço militar promovido pelos Estados Unidos e a expansão de uma aliança nuclear trilateral entre Washington, Seul e Tóquio justificam plenamente os esforços da Coreia do Norte para fortalecer e ampliar suas forças nucleares, afirma o vice-ministro da Defesa do país, Kim Kang Il. A declaração foi feita nesta quinta-feira (17) durante discursos proferidos no Fórum de Xiangshan, em Pequim, a principal conferência de segurança internacional promovida pela China, informa a Reuters.

Durante sua intervenção no evento, o alto funcionário militar norte-coreano ressaltou que o status da República Popular Democrática da Coreia (RPDC) como potência nuclear tornou-se definitivo e irreversível, assegurando que o governo de Pyongyang manterá o ritmo de expansão do seu arsenal de destruição em massa.

“O incessante aumento do armamento nuclear dos Estados inimigos justifica plenamente a construção de um escudo nuclear sólido para a RPDC”, declarou Kim Kang Il aos participantes do fórum. De acordo com o vice-ministro, as ações da coalizão ocidental colocam a segurança regional sob constante pressão. “À medida que a ameaça nuclear dos Estados inimigos atinge um nível extremo, a RPDC defenderá firmemente a paz e a estabilidade na Península Coreana e na região, expandindo e fortalecendo incessantemente sua força de dissuasão nuclear de autodefesa.”

Ao analisar as origens do agravamento do cenário geopolítico no Leste Asiático, o vice-ministro norte-coreano atribuiu a escalada das tensões na Península Coreana à política hostil que, segundo ele, permanece “invariável” por parte do governo de Washington. Kim acusou abertamente os Estados Unidos de converterem a cooperação trilateral mantida com a Coreia do Sul e o Japão em uma estrutura formal de aliança nuclear direcionada contra o território norte-coreano.

Diante desse panorama, o representante de Pyongyang enfatizou que o status constitucional da Coreia do Norte como Estado detentor de armas nucleares representa uma “linha sem recuo”. Ele aproveitou o palco internacional para instar a comunidade global e as potências adversárias a abandonarem o que classificou como um “sonho impossível” no tocante à desnuclearização da península.

A intervenção presencial de Kim Kang Il no Fórum de Xiangshan registrou uma rara aparição pública de uma alta autoridade da Coreia do Norte em conferências internacionais de segurança de grande porte nos últimos anos. O movimento ocorre em uma conjuntura na qual Pyongyang busca aprofundar suas relações bilaterais e o alinhamento estratégico com Pequim, ao mesmo tempo em que enfrenta a intensificação das sanções e do cerco militar imposto pelos Estados Unidos e por seus aliados regionais.

Indagado ao final de sua participação sobre a viabilidade de uma eventual nova cúpula de negociações diretas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder supremo norte-coreano, Kim Jong Un, o vice-ministro esquivou-se de projeções diplomáticas, declarando pontualmente que não estava em posição de discutir ou antecipar a realização de um encontro desse nível.

Fonte: Brasil 247

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