Construção circular e regenerativa: a mudança começa quando a intenção muda

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Publicado em 10 de Setembro de 2026 às 15:29

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*Celso Bastos

O setor da construção civil enfrenta
um dilema histórico: embora seja o principal motor do
desenvolvimento socioeconômico, continua sendo um dos maiores
geradores de resíduos e consumidores de recursos naturais do
planeta. 

Durante décadas, tentamos mitigar esse impacto com soluções
paliativas no canteiro de obras. No entanto, reduzir o dano já não
é suficiente. O futuro do ambiente construído exige uma mudança de
paradigma: a transição do modelo linear para a Construção
Circular e Regenerativa.

A
diferença fundamental entre a sustentabilidade convencional e a
regeneração reside na origem da decisão. Enquanto a
sustentabilidade tradicional busca a neutralidade ( netzero ),
a abordagem regenerativa pretende restaurar e revitalizar os
ecossistemas no entorno das edificações. 

O edifício deixa de ser
um consumidor passivo para operar como um ativo vivo, gerando
impactos positivos para a biodiversidade e para a economia local.

Esta
transformação é decidida na prancheta. Cerca de 80% do impacto
ambiental e dos custos do ciclo de vida de uma edificação são
definidos ainda na fase de projeto. É na concepção que
determinamos se um edifício será um futuro bota-fora de entulho ou
um “banco de materiais” planejado para a desconstrução e
reutilização. 

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Para viabilizar essa virada, a
arquitetura e a engenharia precisam adotar estratégias consolidadas
de ecologia industrial como: Design for Deconstruction (DfD), que
seria projetar a desmontagem, permitindo a recuperação integral de
componentes; o Passaporte de Materiais e BIM, mapeando a composição
e a procedência dos insumos, garantindo rastreabilidade para a
logística reversa; e a industrialização Off-site, incorporando
métodos pré-fabricados de baixo carbono que eliminam o desperdício
na origem.

O
papel do arquiteto vai além de desenhar formas. Trata-se de assumir
a governança técnica e a responsabilidade pelo ciclo completo de
cada especificação. A construção regenerativa é uma exigência
de mercado e de sobrevivência. A mudança na construção civil
começa quando mudamos a intenção da nossa arquitetura desde a
primeira linha traçada. A mudança começa no projeto.

*Celso
Bastos é arquiteto e urbanista, Mestre em Engenharia Civil, Doutor
em Engenharia Ambiental e Vice-Presidente Institucional da AsBEA/ES

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Análises semanais do setor da construção civil, engenharia, arquitetura e decoração, com especialistas do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES), Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU-ES), e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-ES).

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