Conselho Superior do MPF marca data de sessão que vai analisar mensagens de Vorcaro que citam Gonet
Por Gabriel Andrade — Carta Capital
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A apuração está sob relatoria do conselheiro Francisco de Assis Sanseverino
O Conselho Superior do Ministério Público Federal marcou para o dia 25 de setembro a análise do procedimento interno para analisar mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
A apuração está sob relatoria do conselheiro Francisco de Assis Sanseverino. Ao relator, Gonet disse nesta terça-feira 15, que não possui elos com Vorcaro. “Posso afirmar, em termos bastante diretos e simples, que não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”.
“No decorrer da minha atuação nas investigações da chamada Operação Compliance Zero, todas as manifestações foram motivadas pelo intuito do cumprimento do papel que cabe ao Ministério Público na persecução pena — bem assim pelo respeito devido a esse papel —, velando invariavelmente pelo seu resultado útil e com vistas a afastar possíveis nulidades que pudessem prejudicar o andamento do feito”, disse Gonet.
O PGR virou alvo do Conselho Superior após uma representação de deputados federais do partido Novo. Os parlamentares pediram ao colegiado que designasse um subprocurador-geral da República para atuar “com imparcialidade e independência” em procedimentos relacionados ao caso Master que eventualmente envolvam o atual PGR.
Embora não atribua qualquer prática de ilícito a Gonet, o documento destaca que parte dos fatos sob apuração diz respeito a interlocuções que teriam como destinatários o próprio procurador-geral ou integrantes de seu núcleo familiar.
No começo do mês, o então relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, levantou o sigilo de um relatório produzido a partir da quebra dos sigilos de Vorcaro, trazendo à tona mensagens encaminhadas ao dono do Master pelo advogado Ciro Soares que seriam de Gonet.
Em outros trechos, o banqueiro teria pedido ao ministro do STF Alexandre de Moraes que acionasse o procurador-geral e o chefe da PF para barrar uma operação contra a instituição financeira. Além disso, o filho do PGR teria pedido ao banqueiro para ir a um evento custeado por ele em Londres, com despesas pagas, de acordo com o material da corporação.
O documento também registra mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor que a PF suspeita ser Moraes a atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor. Horas depois de o conteúdo vir a público, o PGR se manifestou pela nulidade da investigação, sob o argumento de que as diligências não poderiam ter sido realizadas sem provocação do Ministério Público ou da própria PF.
Gabriel Andrade
Editor do site de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital