Conheça os principais erros em projetos arquitetônicos e como evitá-los

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Publicado em 16 de Setembro de 2026 às 08:40

Yasmin Spiegel

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Uma cozinha bonita, mas com pouca bancada para preparar as refeições; um quarto com iluminação intensa, sendo que o local deveria favorecer o descanso… Não faltam exemplos para ilustrar que alguns problemas de uma casa só aparecem quando ela começa a ser usada, mostrando que um ambiente visualmente atraente nem sempre é confortável.

Sobre o tópico, a arquiteta e designer de interiores Priscila Maciel explica que isso costuma acontecer quando as decisões são tomadas a partir de referências estéticas, sem considerar os hábitos de quem vai ocupar o imóvel. A planta pode estar bem resolvida no papel e a decoração funcionar nas fotografias, mas o cotidiano expõe rapidamente o que foi ignorado durante o projeto.

“Uma casa não é uma vitrine. Ela precisa funcionar numa manhã corrida, receber as compras do supermercado, acomodar os objetos que fazem parte da rotina e continuar confortável no fim de um dia cansativo. Quando o projeto considera apenas a imagem final, o morador passa a se adaptar ao espaço, quando deveria acontecer justamente o contrário”, afirma.

Entre os erros mais frequentes está a escolha de móveis sem observar a proporção do ambiente. Uma peça pode caber na medida exata e, ainda assim, prejudicar a circulação. Sofás muito profundos, mesas maiores do que a dinâmica da família exige e cadeiras que não podem ser afastadas com conforto são exemplos de decisões que comprometem o uso sem necessariamente chamar atenção em uma imagem.

A iluminação é outro ponto que costuma ser percebido tarde demais. Um único ponto de luz no teto pode deixar sombras sobre bancadas, enquanto lâmpadas muito brancas tornam quartos e salas pouco acolhedores. Priscila destaca que cada atividade exige uma resposta diferente.

“Não existe uma iluminação boa para a casa inteira. A luz necessária para cortar um alimento não é a mesma que ajuda o corpo a desacelerar antes de dormir. O projeto precisa criar camadas: uma iluminação funcional para as tarefas, outra mais confortável para os momentos de descanso e pontos específicos para valorizar o que realmente importa no ambiente”, explica.

A arquiteta Thalita Peixoto complementa ao dizer que errar pela falta de iluminação é um problema mais fácil de ser corrigido, enquanto o erro pelo excesso pode ser mais trabalhoso e, às vezes, irreparável: “A iluminação também precisa considerar as características de quem vai utilizar o ambiente. Pessoas com maior sensibilidade visual, por exemplo, podem sentir desconforto diante do excesso de luz. As cores escolhidas para os espaços também influenciam essa experiência, porque provocam diferentes sensações e podem trazer aconchego ou desconforto”.

Também entram nessa lista a falta de tomadas nos locais de uso, a escolha de revestimentos difíceis de limpar, a ausência de espaços para guardar objetos cotidianos e a reprodução de tendências que não combinam com o estilo de vida dos moradores. 

Materiais delicados podem se tornar uma fonte permanente de preocupação em casas com crianças ou animais, por exemplo. Já uma cozinha aberta pode ser interessante para quem gosta de receber, mas pouco prática para quem prefere manter odores e ruídos afastados da área social.

“Precisamos entender que nem tudo o que está em alta precisa fazer parte da nossa casa. Às vezes, a referência pode ser somente uma referência, um ponto de partida, mas não vai conversar com a rotina de quem vai morar ali. Eu sempre acho importante perguntar: isso faz sentido para mim? Eu realmente vou usar? Como seria manter a longo prazo? 

O mais interessante é pegar aquilo que você gostou e adaptar para a sua realidade. No final, uma casa não precisa seguir uma tendência. Ela precisa funcionar e ter a cara de quem mora nela”, pontua Thalita.

Já para Priscila, um projeto bem-sucedido não é aquele que elimina todos os objetos da vista, e sim o que prevê onde cada parte da vida real pode acontecer. Isso inclui desde o lugar para deixar bolsas e chaves ao chegar até o apoio para carregar o celular próximo à cama. São escolhas discretas, mas que determinam se o espaço vai facilitar ou dificultar a rotina.

“Conforto não é apenas ter um sofá macio. É conseguir circular sem obstáculos, alcançar o que se usa todos os dias, limpar a casa sem sofrimento e acender a luz certa para cada momento. O bom projeto aparece justamente quando a pessoa usa o ambiente sem precisar pensar sobre ele”, finaliza.

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