Por Heraldo CamposBrasil 247

Voltando ao instigante livro “Sobre a fé e a ciência”, citado na crônica “Mosassauro, um salvador?” [1], num determinado trecho da conversa dos autores, Marcelo Gleiser começa sua fala com o seguinte questionamento: “Como é que o Sol exerce uma influência sobre os planetas, de forma que eles se movem e continuam estáveis em suas órbitas? Newton explicou de uma forma em 1686, dizendo que a gravidade é uma força que cai com o inverso do quadrado da distância. De fato, você faz os cálculos usando essa força e vê que as órbitas são elípticas, como os astrônomos já sabiam desde a época de Kepler, no início do século XVII. Essa é a típica explicação do ‘como’. Mas se você perguntar ‘por que o Sol gera essa força?’ (e os planetas também, como tudo que tem massa), a ciência não tem nada a dizer. (…)”.

Mas e aqui na terra do país da jaboticaba, com as eleições que estão batendo na porta nesse ano de 2026, uma primeira pergunta que vem é: por que a maldade explícita faz parte da plataforma eleitoral de alguns candidatos de extrema direita e de suas redes sociais? São candidaturas de hipócritas que, por exemplo, para ficar somente num tema, pregam o combate ao crime organizado, sendo que se sabe que, muitas delas, na realidade, fazem parte de grupos de notórios bandidos. Mas, então, por que usam esse tipo de ação como cortina de fumaça para enganar o eleitor?

Isto posto, como evitar esse tenebroso caminho e não eleger esses candidatos de araque? Veja bem as propostas dos candidatos, pois entende-se que não existe um salvador da pátria. Existem muitos e são aqueles que acreditam na democracia. Essas eleições não podem ser oferecidas de bandeja aos entreguistas, porque o próximo passo é o golpe de Estado, como já vimos esse filme antes em tempos recentes, depois da última eleição. Lembram-se?

Um breve retorno no tempo. Nos anos 90 do século passado, cursando a disciplina “Geoquímica Fundamental”, ensinada pelo Professor Franco Levi, na pós-graduação do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, foi solicitado aos vários participantes que preparassem um seminário sobre os temas apresentados nessa disciplina. Escolhi o tema dos fractais, na tentativa de explicar como se dava a exploração predatória do granito verde em Ubatuba, Litoral Norte do Estado de São Paulo, e por que rolava esse filme antigo [2], há mais de 30 anos e, praticamente, nada acontecia por parte do poder público, com ações eficazes para se evitar um caos ambiental.

Lembro que cheguei cedo na sala de aula e enchi a extensa lousa à base de giz, tentando amarrar o cenário de degradação ambiental com a Teoria dos Fractais, em que o fractal, de forma bem simplificada, é a “estrutura geométrica complexa cujas propriedades, em geral, repetem-se em qualquer escala” [3] ou, em poucas palavras, um cálculo de uma geometria que pode ter um valor fracionado irregular, tipo 1,3, a título de exemplo. Nessa época, talvez tenha conseguido explicar alguma coisa, mas confesso que deu algum burburinho em sala de aula e nos corredores do Instituto — isso, porém, é outra história.

Assim, diante desse cenário, em que alguns antipatriotas e golpistas vêm, dia a dia, desejando se aproveitar da vida dos outros e, agora, com seu voto, cabe aqui citar um trecho que reflete esse cenário caótico: “(…) outro dia um amigo de mais de quatro décadas perguntou se eu ainda acreditava em alguma coisa. Respondi para ele que de uns tempos para cá poderia dizer que sou 90% ateu e 10% devoto de Nossa Senhora de Aparecida (…)”. [4]

Nessa direção, conforme certa vez o escritor português José Saramago disse algo parecido com “o mais difícil é fazer as perguntas, porque as respostas estão no mundo”, encerra-se aqui esse texto, com a expectativa de que as forças democráticas e progressistas obtenham a grande maioria nessas eleições de 2026.

Fontes:

[1] Crônica “Mosassauro, um salvador?” de Heraldo Campos de 12/09/2026. https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2026/09/mosassauro-um-salvador.html

[2] Crônica “Filme antigo” de Heraldo Campos de 24/05/2021.https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2021/05/filme-antigo.html

[3] Verbete do “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa”. Editora Objetiva. Rio de Janeiro. 2001.

[4] Crônica “Caminhos de Gandhi” de Heraldo Campos de 26/01/2026.https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2026/01/caminhos-de-gandhi.html

Fonte: Brasil 247

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