Como avançar rumo a uma Greve Geral por moradia e educação?
Por Corrente Revolucionária de Trabalhadores e Trabalhadoras – CRT, Corriente Roja – Quarta Internacional — Esquerda Diário

A luta pela moradia é a luta de toda a classe trabalhadora e da juventude.
O despejo de Maricarmen, uma moradora de 87 anos, provocou uma onda de indignação em todo o Estado Espanhol. Após uma série de protestos em várias cidades, a grande manifestação deste sábado em Madri culminou em um acampamento massivo na Puerta del Sol. No domingo, uma manifestação multitudinária, convocada para preparar a greve por tempo indeterminado na educação em Madri, terminou em um ato conjunto com o acampamento pela moradia na Puerta del Sol. Essa luta concentra hoje toda a revolta acumulada, pois a situação tornou-se insustentável. É preciso coordenar todas as forças a partir da base para apoiar a luta do Sindicato de Inquilinos e de todas as organizações de defesa da moradia em todo o Estado Espanhol. A luta pela moradia é a luta de toda a classe trabalhadora e da juventude.
A luta pela moradia é a luta de toda a classe trabalhadora e da juventude!
Maricarmen não é um caso isolado. Há poucos dias, Olga suicidou-se em Hospitalet de Llobregat após sofrer um despejo. Em Latina, Paquita, que vive em seu apartamento há quase trinta anos, também enfrenta um possível despejo. Casos assim se repetem em todo o país. O que mudou é que o despejo de Maricarmen marcou um ponto de virada. Não dá mais para tolerar que a moradia seja um negócio para especuladores. Pedro Sánchez chegou ao governo prometendo que não haveria “nem mais um despejo”, mas são executados mais de 45 despejos por dia, mais de 25.000 por ano. A Lei de Habitação de 2023, apresentada como histórica pelo PSOE e pelo Unidas Podemos, não freou a alta dos aluguéis nem a crise habitacional. O governo com o Sumar tem sido “mais do mesmo”. Não se aguenta mais um governo “progressista” que vive de promessas vazias enquanto reprime aqueles que lutam.
É preciso vencer essa luta
O Sindicato de Inquilinos exige que o governo de Pedro Sánchez aprove, na próxima terça-feira, em reunião do Conselho de Ministros, o “decreto Maricarmen”, que inclui a suspensão de despejos sem alternativa habitacional, o congelamento de aluguéis, a renovação automática dos contratos e restrições a imóveis de aluguel para turistas, entre outras medidas de urgência. Em um ato de campanha neste domingo, Pedro Sánchez prometeu aprovar um decreto na próxima reunião do Conselho de Ministros. Nesse dia, o governo tentará nos empurrar um “decreto-armadilha”, repleto de retórica, com poucas medidas de fundo e contrapartidas para os proprietários de imóveis. É assim que ele tem agido nesta legislatura, juntamente com seus parceiros de governo e no Parlamento, onde agora tentam se reposicionar como críticos, como se acreditassem que não temos memória. Também não podemos descartar a possibilidade de que aprovem o decreto do sindicato de inquilinos contando que a direita o derrube no Parlamento em 30 dias. Por isso, não devemos confiar nem um pouco nas promessas vazias do governo “progressista” nem em um Parlamento com maioria de direita. Devemos confiar apenas em nossas próprias forças, pois o caminho para conquistar essas medidas é generalizar a luta e a organização a partir da base.
Exigir da CCOO, da UGT e de todos os sindicatos um plano de luta e preparar a greve geral.
O Sindicato de Inquilinas apontou que, caso o decreto “Maricarmen” não seja aprovado, a CCOO e a UGT deveriam convocar uma greve geral. Além disso, o movimento por moradia na Catalunha, juntamente com o sindicalismo combativo e dezenas de coletivos sociais, vem defendendo a necessidade de organizar, a partir da base, uma greve por moradia e pelo aumento geral dos salários, por meio da plataforma “Ens costa la vida”. Esse é o caminho. Para avançar nessa direção, o Sindicato de Inquilinas tem hoje força para convocar uma reunião de emergência com todas as organizações sindicais do Estado Espanhol, incluindo CCOO, UGT, LAB, ELA e todo o sindicalismo combativo, bem como organizações estudantis, plataformas de moradia e associações de moradores. Nessa reunião, poderiam ser definidos imediatamente os passos para um plano de luta e a preparação da greve geral.
Na manifestação por moradia realizada no sábado em Madri, milhares de pessoas gritavam: “É necessária uma greve geral já”. Hoje, o acampamento na Puerta del Sol e as outras ações sendo convocadas em diversas cidades, com o Sindicato de Inquilinas à frente, podem se tornar polos fundamentais para a coordenação de todas as lutas e de todos os setores combativos.
Se o decreto for aprovado na terça-feira, será preciso manter a mobilização para impedir que a direita consiga derrubá-lo nas Cortes. Conquistar isso seria uma grande vitória, que deveríamos transformar no primeiro passo de uma luta pela expropriação dos fundos abutres e dos grandes proprietários, pela redução de 50% nos aluguéis, pela regulação de preços e pela proibição de vendas especulativas, somando-se a demandas fundamentais como reajustes salariais, investimento para a educação e serviços públicos.
Habitação e educação: uma mesma luta
Esta onda de protestos por moradia coincide com as greves na educação que começarão ou serão retomadas em várias comunidades nos próximos dias. Trata-se de um setor que tem demonstrado como, a partir dos locais de trabalho, é possível apoiar famílias ameaçadas — como fazem as diversas plataformas “080” de professores catalães, que se organizam para impedir os despejos de seus alunos. Neste domingo, a marcha da educação terminou na Puerta del Sol, convergindo com o acampamento pela moradia. É preciso aprofundar esses laços de unidade entre os movimentos e entre todos os diferentes setores de trabalhadores. É necessário unir os sindicatos de moradia aos sindicatos trabalhistas, às assembleias gerais da educação e às assembleias estudantis que preparam a greve em escolas e universidades, para convergir com todos os setores em luta.
Coordenar todas as forças da base da classe trabalhadora e da juventude, começando por unir a luta por moradia às greves na educação, é o caminho para conquistar nossas reivindicações. Trata-se de colocar no centro o desenvolvimento da mobilização e da organização nos locais de trabalho, de estudo e nos bairros para lutar até o fim e, também, evitar que o movimento seja instrumentalizado eleitoralmente em favor daqueles que governaram nos últimos oito anos ou apoiaram o governo. É preciso unir as fileiras da nossa classe contra o veneno racista impulsionado pela direita, que nas últimas semanas tem fomentado discursos xenofóbicos e pogroms, e contra o governo “progressista”, que usou a fome e o desamparo contra os migrantes de Ceuta e pretende endurecer ainda mais as leis de imigração. Trata-se de enfrentar um governo que se diz muito progressista, mas defende especuladores, reprime quem luta, aplica parte da agenda da direita contra migrantes e aumenta os gastos militares, enquanto a educação e a saúde pública desmoronam.
Em cada local de estudo e de trabalho, nos bairros, propõe-se debater essas ideias, convocar assembleias e reuniões e nos mobilizar para apoiar o acampamento na Puerta del Sol. A luta é agora: Maricarmen acendeu a faísca; agora é o momento de organizar a indignação.
Postado originalmente em espanhol no La Izquierda Diario, tradução para o português por Abayomi Abebe
Fonte: Esquerda Diário