Com tensões em alta, tropas britânicas simulam ação argentina nas Malvinas

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – Tropas britânicas vêm realizando exercícios militares nas Ilhas Malvinas para simular a retomada do arquipélago no caso de uma eventual ação por parte da Argentina. Mais de 100 soldados do Reino Unido se juntaram a reservistas locais para conduzir um treinamento de seis dias na região no início deste mês, informa o jornal The Times.

O exercício militar reproduziu eventos históricos da invasão argentina ocorrida em 1982. A rotina de treinamento incluiu uma longa caminhada noturna de 32 quilômetros, além da execução de um ataque anfíbio pelas forças mobilizadas.

De acordo com o comandante da companhia, major Nunkoosing, em declaração ao The Times, a atividade deu aos militares “a oportunidade de seguir os passos de nossos antepassados e ter uma pequena ideia do que eles enfrentaram para alcançar a vitória em 1982”.

A realização das manobras ocorre em um momento de acentuada deterioração nas relações diplomáticas entre o Reino Unido e a Argentina. O desgaste se intensificou após o presidente argentino, Javier Milei, colocar a disputa territorial no centro da agenda política ao anunciar sanções contra empresas envolvidas na extração de petróleo nas proximidades das ilhas.

Durante discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), Milei classificou as atividades de exploração de combustíveis fósseis na área como “ilegal e ilegítima”. Na ocasião, o líder argentino também descreveu os habitantes das Malvinas como uma população “implantada pela potência ocupante em um território cuja soberania é disputada”.

As Malvinas formam um arquipélago situado no Oceano Atlântico Sul, localizado a cerca de 500 quilômetros a leste do território continental da Argentina e a aproximadamente 13 mil quilômetros do Reino Unido. O território é composto por duas ilhas principais — Malvina Oriental e Malvina Ocidental — além de outras 778 ilhas menores.

O histórico de ocupação registra o primeiro desembarque em 1690, efetuado pelo capitão naval inglês John Strong. A Grã-Bretanha assumiu a posse formal da Malvina Ocidental em 1765. Embora a França e a Espanha tenham mantido assentamentos no local em diferentes momentos históricos, os britânicos reafirmaram o controle sobre o arquipélago em 1833 e administram o território desde então.

Atualmente, o local conta com uma população de cerca de 3.660 habitantes e possui sua própria assembleia legislativa eleita para administrar os assuntos internos. A maioria dos residentes é de origem britânica, embora a comunidade também inclua pessoas oriundas de Santa Helena, do Chile e das Filipinas.

A disputa diplomática pela soberania apoia-se em argumentos distintos de cada lado. A Argentina reivindica o território sustentando que herdou a área da Espanha após o seu processo de independência em 1816, alegando que a Grã-Bretanha tomou o controle em 1833 por meio de um ato colonial ilegal. Por outro lado, o governo do Reino Unido defende que os próprios moradores das ilhas possuem o direito de decidir o futuro do arquipélago.

O impasse resultou em um conflito armado em abril de 1982, quando o governo militar argentino, sob a liderança de Leopoldo Galtieri, determinou a invasão das ilhas por acreditar que a Grã-Bretanha não reagiria militarmente. No entanto, a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviou uma força-tarefa naval e recuperou o controle do território após 74 dias de combates.

A rendição argentina ocorreu em junho de 1982, e o resultado da guerra acelerou o fim da junta militar no país sul-americano. O saldo total de mortos nos combates atingiu 649 argentinos, 255 militares britânicos e três moradores locais.

O desfecho da guerra representou um momento decisivo para a gestão de Thatcher, que enfrentava forte desgaste político antes do confronto. A vitória foi amplamente comemorada pela imprensa do Reino Unido e serviu para restabelecer a confiança nas forças armadas britânicas. Contudo, o conflito e a manutenção da presença britânica deixaram um sentimento de ressentimento que permanece vivo na Argentina até os dias de hoje.

Fonte: Brasil 247

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