Colecionismo além da parede: como o projeto ABERTO apresenta novas visões para a arte

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Por Fepe CamargoSeu Dinheiro

Quem coleciona mistura. Colecionar é unir arte contemporânea, moderna, objetos de viagem, arte popular, uma infinidade de objetos e criações, inclusive, joias. É desse pensamento que surge o ABERTO, um projeto expositivo que fomenta um formato novo de apresentar artes e artistas brasileiros em diálogo com arquiteturas emblemáticas.

Fundado por Filipe Assis, em 2022, já realizou exposições em casas modernistas assinadas por arquitetos como Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas, além de ocupar as casas-ateliês de Tomie Ohtake e Chu Ming Silveira.

O mais interessante desse projeto não é só contextualizar a arte com arquitetura, mas propor comissionamentos e desdobramentos da obra de artistas.

Isso pode ocorrer em forma de instalações, que são criações site specific criadas especificamente para determinados lugares, novos tamanhos, formatos. E apresentar a arte junto com arquitetura, instalada, apresentada como parte de uma coleção.

Isso parece singelo, mas dada a maneira com que muito colecionador tem seu primeiro contato com a arte, no cubo branco da galeria, essa proposta humaniza a arte.

Além disso, apresenta formas de colecionar e de adquirir. Assim como existem muitas formas de colecionar, há também muitas formas de propor como uma criação de encaixa de forma exclusiva e perfeita para uma seleção.

ABERTO SOLO, com Luísa Matsushita

Em 2025, o ABERTO realizou sua primeira edição internacional na Maison La Roche, projetada por Le Corbusier, em Paris, registrando o maior público desde a abertura da casa à visitação, em 1968.

Em 2026, apresentou uma edição especial na Casa Bola, de Eduardo Longo, e lançou o projeto ABERTO RUA, dedicado a intervenções artísticas no espaço urbano.

Outra iniciativa de 2026 é o ABERTO SOLO, a primeira dedicada à realização de exposições individuais concebidas a partir do diálogo entre artistas contemporâneos e espaços singulares da cidade.

Sua primeira edição acontece em parceria com o teatro Cultura Artística. Ela marca a inauguração da nova área expositiva da instituição, localizada no primeiro andar do edifício.

Três cenas de ABERTO SOLO, com Luísa Matsushita
ABERTO SOLO, com Luísa Matsushita

Com o título Tudo que eu sei, eu aprendi à noite, Luísa Matsushita apresenta obras inéditas até o próximo dia 27 de setembro. Muitas delas fazem um diálogo entre seu passado na música como a vocalista Lovefoxxx, da banda Cansei de Ser Sexy.

Ali, o que se vê são memórias afetivas de um centro de São Paulo que ainda se faz presente pela geografia do teatro e o momento atual da artista, dedicada exclusivamente às artes visuais.

Além do conjunto de obras da mostra, Luísa criará uma instalação site specific de 15 metros de largura para o saguão principal do teatro.

Assim, busca expandir a ocupação para além da sala expositiva e estabelecendo um diálogo direto com a arquitetura do edifício. A intervenção reforça a proposta da ABERTO SOLO de desenvolver projetos concebidos em estreita relação com os espaços que os recebem.

Outras formas de colecionar arte

Além de um conjunto de obras apresentadas e expostas como arte, o que o ABERTO oferece como diferencial é a oportunidade de o artista fazer parcerias com marcas que compartilham o interesse pelo diálogo entre arte, design e criatividade.

Isso amplia a possibilidade de um criador, de ver seu trabalho em formatos e suportes diferentes. Nessa edição do SOLO, três dessas colaborações chamam a atenção: HStern, Bordallo Pinheiro e mobiliário de Claudia Moreira Salles.

Com a HStern, a pintura Hambago (2023) dá origem a uma pulseira que trabalha as formas e escalas tonais da obra original em forma de joalheria.

Com a Bordallo, a artista cria uma cerâmica que trabalha um dos símbolos da marca, a folha de couve. Aqui, porém, ela os reinterpreta a sua maneira, através de cores e formas concretas.

O trabalho de Luísa também aparece nos estofados das poltronas da arquiteta Claudia Moreira Salles. Com isso, ela cria objetos únicos onde o mobiliário é obra por si só e moldura para o imaginário da artista.

O interessante aqui não é a arte sendo transformada em produto, mas produtos sendo idealizados como arte. Diferente de colecionáveis ou séries numeradas, a ideia é permitir que o universo do artista seja acessado por diferentes lugares e apreciado em diferentes formatos.

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A arte fora do lugar

Existem muitas formas de acessar a arte e todas elas são válidas pra começar uma coleção. Treinar o olhar para enxergar estas diferentes formas e variados formatos é importante.

No caso do ABERTO, esse conceito é bem explorado. Não só pela curadoria, mas pelas obras encomendadas para cada edição, pelos projetos de parcerias com marcas, pela relação com a arquitetura.

Essa relação com o espaço não é nova, mas ainda é pouco discutida ou pensada por quem começa a colecionar. E aí, não raro surgem obras especificas para espaços como o teto, uma parede inclinada, nas mais variadas expografias e disposições.

Mais que um sentido de decoração, trata-se de organizar obras pensando nas relações entre elas e sua relação com o espaço em que está. E o ABERTO tem se provado mestre nisso.

Duas cenas de ABERTO SOLO, com Luísa Matsushita: tela sobre cortina azul e verso de tela com assinatura da artista
ABERTO SOLO, com Luísa Matsushita

ABERTO SOLO – Luísa Matsushita: Teatro Cultura Artística (Rua Nestor Pestana, 196, Consolação, São Paulo), até 27 de setembro. Quartas a sextas-feiras, das 12h às 20h; sábados, das 10h às 20h; e domingos, das 10h às 18h. Entrada gratuita.

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Fonte: Seu Dinheiro

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