Clubes alertam para impacto de mudanças no setor de apostas online e falam em “fim do futebol brasileiro”

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – Clubes brasileiros divulgaram nesta quinta-feira (17) um manifesto conjunto em reação à possibilidade de o governo federal restringir o mercado de jogos e apostas online. Intitulado “O fim do futebol brasileiro”, o documento sustenta que mudanças abruptas nas regras podem provocar forte impacto financeiro sobre equipes que passaram a depender dos recursos provenientes de empresas do setor.

Entre os clubes que compartilharam o posicionamento estão Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Santos, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro, Grêmio, Vasco e Chapecoense. A Federação Paulista de Futebol (FPF) também divulgou o manifesto.

A mobilização ocorre enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma medida provisória para endurecer a regulação do setor no Brasil. Segundo a agência Reuters, a proposta em discussão não alcançaria diretamente as apostas esportivas nem os patrocínios de clubes e campeonatos. 

O impacto sobre o futebol, contudo, é uma preocupação do setor porque muitas empresas operam simultaneamente nas duas modalidades. Atualmente, 188 bets estão autorizadas a funcionar no país.

Clubes apontam dependência dos patrocínios

No documento, as entidades reconhecem os problemas sociais relacionados à expansão das apostas e defendem medidas de proteção aos consumidores, fiscalização, educação e prevenção.”O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.  Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável”, destaca o manifesto. 

 Ao mesmo tempo, argumentam que o caminho adotado pelo Brasil foi a regulamentação e que alterações repentinas poderiam comprometer contratos e planejamentos financeiros.  Os clubes destacam principalmente a importância dos recursos das empresas de apostas para equipes com menor capacidade de geração de receita. “Para muitas destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento”, afirma o manifesto.

De acordo com as entidades, os recursos não ficam restritos ao futebol profissional masculino e ajudam a financiar diferentes áreas das agremiações.

“Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não gerem recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta”, diz o documento.

A dimensão da presença das casas de apostas no futebol brasileiro ajuda a explicar a reação. Em 2025, todos os integrantes da Série A mantinham algum tipo de patrocínio de empresas do setor, segundo o Estadão. Na temporada atual, 13 clubes têm uma bet ocupando a cota máster da camisa. Outra estimativa divulgada nesta quinta-feira aponta cerca de R$ 1 bilhão em contratos desse tipo.

Manifesto defende manutenção do mercado regulado

Outro argumento apresentado pelos clubes é o risco de fortalecimento das plataformas clandestinas caso o mercado legal seja inviabilizado.

“Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades”, afirma o manifesto.

As entidades sustentam ainda que contratos, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos depois da criação do marco regulatório brasileiro e defendem que eventuais alterações levem em consideração essa realidade.

O argumento sobre o mercado clandestino aparece em um momento no qual o próprio governo reforça medidas de fiscalização. Em 15 de setembro, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda anunciou novas regras para prevenção, identificação e repressão de transações financeiras relacionadas à exploração irregular das apostas de quota fixa.

Proibição dos cassinos online está em discussão

A medida provisória preparada pelo governo ainda não teve seu texto final divulgado. De acordo com a Reuters, integrantes do Executivo discutem uma proibição direcionada aos cassinos online, modalidade que inclui jogos eletrônicos de aposta, preservando as apostas esportivas e os patrocínios.

Dados apresentados pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), com base em números governamentais, indicam que 73,9% do volume movimentado pelo setor provém dos cassinos online, enquanto as apostas esportivas representam 26,1%. A entidade argumenta que uma restrição profunda pode provocar disputas judiciais porque as autorizações concedidas às operadoras contemplaram as duas modalidades.

Mesmo sem atingir formalmente o patrocínio esportivo, uma proibição dos cassinos poderia reduzir a capacidade financeira das empresas que também atuam com apostas em partidas e competições — justamente a preocupação que desencadeou a mobilização dos clubes.

Congresso também discute restrições à publicidade

Paralelamente à iniciativa do Executivo, o Congresso discute propostas para endurecer as regras aplicadas às bets.

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou em setembro o PL 2.470/2026, que amplia as restrições à publicidade e ao patrocínio de apostas de quota fixa e jogos online. O substitutivo apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) prevê proibição do patrocínio de clubes, federações, ligas, competições e transmissões esportivas, entre outras atividades. O texto estabelece período de 24 meses para adequação ou encerramento dos contratos existentes.

Há ainda outra proposta, o PL 4.977/2026, apresentada pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que prevê proibição mais abrangente da exploração, operação, divulgação, publicidade e patrocínio de apostas, inclusive as vinculadas a eventos esportivos. Conforme a página oficial do Senado consultada nesta quinta-feira, a matéria estava aguardando despacho.

O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO

O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das… pic.twitter.com/sJ4CxqmEhO

— Flamengo (@Flamengo) September 17, 2026

Fonte: Brasil 247

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