Cleitinho rebate bolsonaristas após defender o fim da escala 6×1

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Por Hiroshi Bogéa — Opinião em Pauta

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O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), precisou se explicar depois de virar alvo de ataques de bolsonaristas por publicar um vídeo ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O motivo da discórdia: a articulação para colocar em votação o projeto que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

Ainda no exercício do mandato de senador, Cleitinho anunciou, ao lado de Alcolumbre, que a proposta seria votada na próxima quarta-feira (14). A iniciativa provocou a fúria de apoiadores do bolsonarismo, que passaram a acusá-lo de trair o eleitorado mineiro.

Diante das críticas, o parlamentar respondeu a uma seguidora que manifestou decepção com a gravação. Disse que nunca votou em Alcolumbre e que sempre fez campanha contra ele, mas ressaltou que o senador é o atual presidente da Casa e permanecerá no cargo até dezembro.

“Para que meus projetos sejam aprovados, passa por ele”, justificou.

Cleitinho afirmou que o objetivo do encontro foi exclusivamente político e institucional: conseguir que a proposta, defendida por ele há três anos, entre na pauta de votação. Negou ter feito elogios ou manifestado apoio político a Alcolumbre.

Em outra resposta, lembrou que votou no senador Eduardo Girão (Novo-CE) para a presidência do Senado. Segundo Cleitinho, se todos os parlamentares que se apresentam como integrantes da direita tivessem apoiado Girão, Alcolumbre não teria chegado ao comando da Casa.

Bolsonaristas reagem

A reação expõe uma contradição recorrente no ambiente político: uma pauta de interesse dos trabalhadores pode acabar subordinada às disputas entre grupos que, em tese, deveriam defender os mesmos eleitores.

O fim da escala 6×1 é considerado uma bandeira eleitoralmente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao mesmo tempo, Alcolumbre enfrenta críticas de setores da direita por não colocar em votação os mais de 100 pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

No X, antigo Twitter, um eleitor de Flávio Bolsonaro (PL) criticou a iniciativa de Cleitinho e defendeu que a discussão sobre a jornada de trabalho fosse adiada para depois de uma eventual chegada de Flávio à Presidência da República.

Na avaliação desse apoiador, reduzir um dia de trabalho representaria aumento de despesas para famílias brasileiras, argumento utilizado para atacar a proposta.

Outro episódio que provocou indignação entre perfis bolsonaristas foi a manifestação de solidariedade de Cleitinho à deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT), que recebeu ameaças de morte e estupro.

Um perfil de extrema direita, com mais de 60 mil seguidores, acusou o governador eleito de mudar de lado e classificou a parlamentar petista como militante extremista de esquerda.

A história pessoal por trás da defesa da escala 6×1

A posição de Cleitinho sobre a jornada de trabalho não surgiu apenas durante a disputa política atual. No mês passado, durante uma sabatina promovida pelo jornal Estado de Minas, pelo Portal Uai e pela TV Alterosa, o senador se emocionou ao recordar a rotina de trabalho de sua família no comércio.

Segundo ele, quando trabalhava no varejo com os familiares, a jornada chegava a sete dias por semana. A experiência, afirmou, marcou sua visão sobre o direito ao descanso e a necessidade de garantir mais tempo para a convivência familiar.

Cleitinho contou que seu pai raramente conseguia aproveitar fins de semana ou feriados para viajar com a família. Mesmo quando os demais parentes tinham a oportunidade de sair, o pai permanecia trabalhando.

O parlamentar perdeu o pai, que enfrentava um câncer de bexiga, em abril de 2024. Ao recordar a oportunidade que teve de melhorar a renda e proporcionar descanso a ele, Cleitinho não conteve a emoção.

“Tive oportunidade de ter um salário melhor e dar um descanso para o meu pai. E a hora que eu fui dar o descanso do meu pai, meu pai morreu”, relatou.

A lembrança ajuda a explicar por que o senador transformou o fim da escala 6×1 em uma de suas principais bandeiras.

No embate com os bolsonaristas, Cleitinho sustenta que sua aproximação institucional com Alcolumbre não representa adesão política ao presidente do Senado. Para ele, trata-se de utilizar os mecanismos disponíveis para fazer avançar uma proposta que considera importante para os trabalhadores. (Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

Por Opinião em Pauta com informações Estado de Minas

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Fonte: Opinião em Pauta

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