China: que país é este?
Por Vicente Rauber — Brasil de Fato
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Engenheiro especializado em Planejamento Energético e Ambiental.
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A China é gigante. Tudo é gigante: a população, a infraestrutura, a poluição e a produção sustentável com a recuperação da natureza, a tecnologia e o desenvolvimento estratégico, o ensino e o desenvolvimento interno e a sua relação com o mundo consolidando-se como potência mundial sem o uso de armas, com domínio econômico e negocial.
Não se trata de submeter-se a este gigante, trata-se de conhecê-lo melhor para manter e construir relações equânimes e soberanas, vantajosas a ambos. Cabe ao Brasil continuar construindo a sua soberania no contexto do multilateralismo, do qual é o maior defensor. O que não significa estar ou manter-se isolado: representa também avançar o Mercosul, fortalecer os Brics e o Acordo com a União Europeia.
A China é nosso maior parceiro comercial e econômico.
Hoje a China é nosso maior parceiro comercial com superávits crescentes e históricos a favor do Brasil; somente em 2025 o saldo foi de R$ 68 bilhões.
Vendemos principalmente commodities: soja, minério de ferro, petróleo bruto (principalmente o pesado que a China é capaz de processar) e carnes. Compramos produtos industrializados como derivados de petróleo, química e fertilizantes.
A China tem no Brasil seu principal parceiro econômico, onde mais realiza investimentos, especialmente em energia, infraestrutura e veículos elétricos.
A China possui 22 províncias, 5 regiões autônomas, 2 regiões administrativas especiais, 8 desertos e 4 granes áreas arenosas.
A China possui 9,6 milhões de km², incluindo 8 desertos (540 mil km²) e 4 grandes áreas arenosas (122 mil km²), apenas 11,62% maior que o Brasil (8,6 milhões de km²).
É constituída por 22 províncias, além de 5 regiões autônomas e 2 regiões administrativas especiais.
As cinco regiões autônomas são Guangxi, Mongólia Interior, Ningxia, Tibete e Xinjiang, assim reconhecidas por serem habitadas por minorias étnicas, tendo maior poder legislativo e de governo.
As duas regiões administrativas especiais são Hong Kong, que retornou do Reino Unido em 1997, e Macau, que retornou de Portugal em 1999, ambas cedidas por empréstimo. Convivem pelo princípio criado por Deng Xiaoping que permite a coexistência do socialismo da China com o capitalismo de Hong Kong e Macau. Possuem executivo, legislativo e judiciário independentes, moedas próprias (dólar de Hong Kong e Pataca macaense), controle da imigração e emissão de passaportes, além de leis locais.
Neste país vivem 1,405 bilhões de pessoas, 68% em zonas urbanas e 23% com mais de 60 anos. Teve redução da população nos últimos 4 anos, somente em 2025, 3,39 milhão de pessoas. A lei do filho único, que vigorava desde 1980 foi flexibilizada em 2015 para até três filhos.
A Ilha de Taiwan, integrante dos “Tigres Asiáticos” (semicondutores e chips), para onde fugiram, em 1949, Chiang Kai-sheck e os derrotados da Guerra Civil, considera-se um país independente, reconhecido pelos EUA e alguns outros pequenos países, porém considerada uma província rebelde pela China, situação de guerra ainda não resolvida.
A China integra a Ásia, continente mais populoso do mundo, com 58% da população mundial, enquanto a África conta com 19%, a América com 14% e a Europa com 9%.
A partir da década de 1970 a China abriu-se para o mundo combinando o comunismo maoista com a economia dinâmica de mercado. Continuou combatendo a fome e a pobreza, porém priorizando as exportações, especialmente a preços baixos.
Nos anos 2000 até 2010 cresceu a incríveis taxas anuais de 2 dígitos, tornando-se uma superpotência comercial.
A partir de 2010 optou por crescimento mais moderado, com controle do endividamento e reestruturação imobiliária. Passou a priorizar a economia interna e a qualidade de vida de sua população. Em 2021 anunciou o fim da pobreza extrema oficial, tendo retirado 800 milhões da miséria em 4 décadas, o que inclui muitos investimentos em educação, saúde, infraestrutura, energia e saneamento. Ainda assim, em torno de 600 milhões possuem renda considerada baixa, de 150 dólares, tendo apoio governamental, especialmente em alimentos. O piso salarial varia para cada região, em função do custo de vida, entre 300 e 420 dólares. Atualmente os eixos centrais do desenvolvimento são os estímulos a produção e distribuição ao consumo interno, seguido do comércio e exportações globais.
O meio rural continua com os menores ganhos; há protestos localizados por melhoria das condições de vida e parte dos jovens desejam trabalhos mais qualificados.
Hoje a China é o país com a maior inovação tecnológica, mas também não descuida do ensino básico. No meio urbano, 75% dos que concluíram o segundo grau consegue ingressar em universidades; no meio rural 50%. O ingresso é através do “Enem da China” (Gaokao); as melhores médias alcançam faculdades melhores; para exercer cargos públicos é necessário ter cursado as “faculdades de elite”.
A China ainda é o maior emissor de gases de efeito estufa (GEEs), principalmente em função do uso de 49% de carvão mineral para geração de energia elétrica; já foi mais de 80%.
Ao mesmo também é o maior produtor de fontes alternativas de energia e atividades de recuperação da natureza.
Estas atividades foram unificadas e intensificadas principalmente em 2013 com o Código Ecológico e Ambiental, do qual destacamos:
– Proibição de novas usinas a carvão vegetal em metrópoles, fechamento de indústrias obsoletas e milhões de residências tiveram que trocar aquecimento a carvão por gás natural ou eletricidade;
– Governantes locais passaram a ser avaliados pelo crescimento do PIB e pelo cumprimento de metas ecológicas;
– Multas diárias e cumulativas para indústrias poluentes e possibilidade de prisão de seus dirigentes;
– Maior produtor e exportador de veículos elétricos; incentivos para emplacamentos de veículos elétricos ou híbridos, hoje já maioria nos grandes centros;
– Liderança global da produção de energia eólica e fotovoltaica;
– Demarcação de 25% do território nacional protegido como reserva ecológica;
– Grande Muralha Verde, criando cinturões verdes nos desertos de Taklamakan e Gobi, já tendo sido plantadas mais de 65 bilhões de árvores, além de fazer a fixação da areia. Aumento da arborização nos grandes centros. Há significativa mudança de clima e disponibilidade de água.
– Alcançar a neutralidade do carbono antes de 2060.
Precisamos conhecer muito mais: o gigantismo de sua infraestrutura, as produções enormes, o desenvolvimento tecnológico e a expansão internacional. E as possibilidades de ampliação das parcerias com o Brasil na transição energética, infraestrutura e nas terras raras e metais estratégicos. Em próxima edição seguiremos.
Em outubro próximo o Brasil precisa decidir se neste mundo interdependente, subordinar-se à uma relação entreguista desejada por Trump, como propõe e agem várias candidaturas ou avançar em sua soberania, fazendo mais parcerias justas e equânimes com a China e outras nações, como os EUA, nosso segundo parceiro comercial.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.
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Fonte: Brasil de Fato