China oferece caminho prático para países do Sul Global aproveitarem oportunidades no desenvolvimento da IA, dizem especialistas

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Por Leonardo Sobreira — Brasil 247

Global Times – O compromisso da China com o código aberto, a abertura, a cooperação e o compartilhamento oferece um caminho prático para que os países do Sul Global aproveitem as oportunidades no desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e reduzam a divisão Norte-Sul no campo da IA, afirmaram especialistas.

Durante o Fórum de Modernização do Sul Global de 2026, realizado na quarta-feira no Cairo, participantes disseram que a modernização no Sul Global atravessa uma etapa importante de superação das limitações ao desenvolvimento, redução das diferenças de capacidade e transformação dos motores de crescimento, destacando a necessidade de utilizar bem a IA para fortalecer o impulso endógeno de desenvolvimento.

O ex-primeiro-ministro do Egito Essam Sharaf afirmou, em seu discurso, que os países do Sul Global enfrentam desafios relacionados a recursos, infraestrutura e profissionais qualificados no desenvolvimento da IA.

Segundo ele, a IA pode aprofundar a dependência externa do Sul Global em relação a softwares, algoritmos, dados, capacidade computacional e conhecimento, criando, assim, uma nova divisão entre Norte e Sul.

Isso exige que os países do Sul Global reforcem a cooperação, promovam a colaboração entre instituições de pesquisa e programas conjuntos de formação, desenvolvam aplicações de IA em idiomas locais e trabalhem em conjunto para construir um sistema global responsável de governança da IA, acrescentou Sharaf.

Chen Zhimin, vice-presidente da Universidade Fudan, afirmou que “o foco do Sul Global está mudando da questão de saber se esses países conseguem acessar e utilizar a tecnologia para a questão de saber se conseguem realmente transformar a tecnologia em sua própria capacidade de desenvolvimento”.

Segundo ele, essas necessidades oferecem uma direção mais clara para o aprofundamento da cooperação em IA entre a China e os países do Sul Global.

Ezzat Saad, diretor do Conselho Egípcio de Relações Exteriores, afirmou que a cooperação em IA entre a China e os países do Sul Global pode ajudar a alinhar melhor a experiência chinesa às necessidades e prioridades de desenvolvimento do Sul Global.

Cai Fang, membro das divisões acadêmicas da Academia Chinesa de Ciências Sociais, disse que a China e outros países do Sul Global enfrentam tarefas semelhantes no desenvolvimento da IA, o que torna o compartilhamento de experiências e o aprendizado mútuo especialmente relevantes na prática.

Especialistas e acadêmicos afirmaram que os países do Sul Global devem participar de forma mais ativa das discussões e da cooperação em temas como ética da IA, segurança, governança de dados e definição de padrões, contribuindo, assim, para promover um sistema internacional de governança da IA mais inclusivo.

Maged Botros, professor de ciência política da Capital University, no Egito, afirmou que o desenvolvimento da IA deve levar em consideração os diferentes níveis e estágios de desenvolvimento dos países, além de suas necessidades específicas.

Gustavo Lema, diretor de comunicação e informação do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, afirmou que a promoção, pela China, de modelos de IA de código aberto e o incentivo a aplicações de IA adaptadas às necessidades locais podem ajudar mais países do Sul Global a utilizar e desenvolver tecnologias relacionadas.

“Os países latino-americanos já começaram a utilizar tecnologias e ferramentas chinesas relevantes para enfrentar as mudanças climáticas e melhorar as condições de produção, beneficiando melhor as populações locais”, disse ele à Xinhua.

Em um fórum paralelo intitulado “Promovendo o aprendizado mútuo entre civilizações por meio do uso adequado da IA”, Yang Bojiang, presidente do Instituto de Civilizações Globais, afirmou que uma integração mais profunda entre o desenvolvimento tecnológico e o diálogo entre civilizações pode transformar a IA em uma importante infraestrutura tecnológica para promover intercâmbios e aprendizado mútuo entre civilizações na nova era.

Segundo ele, isso pode oferecer aos países do Sul Global um novo caminho para a modernização que, ao mesmo tempo, respeite suas tradições culturais e acolha a onda da tecnologia moderna.

Yang Cheng, reitor-executivo da Academia de Governança Global e Estudos Regionais de Xangai, da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, disse à Xinhua que a cooperação em IA entre a China e os países árabes deve avançar para além da “cooperação tecnológica” em direção ao “desenvolvimento civilizacional conjunto”, com regras de governança da IA que recorram mais aos recursos éticos presentes nas tradições de ambos os lados e com uma cooperação capaz de promover intercâmbios e aprendizado mútuo entre civilizações.

A IA vem sendo aplicada em ritmo acelerado em setores específicos em todo o Sul Global.

O Centro Africano de Pesquisa para Mitigação de Desastres, sediado no Egito, e a Universidade Fudan desenvolveram conjuntamente uma tecnologia inteligente de sensoriamento remoto optoeletrônico e criaram uma plataforma de pesquisa para monitoramento e alerta precoce de desastres, com o objetivo de atender às necessidades africanas de prevenção e mitigação de desastres.

Mohamed ElGabry, diretor do Centro Africano de Pesquisa para Mitigação de Desastres, disse à Xinhua que os grandes modelos chineses de IA, caracterizados pela acessibilidade de código aberto e pela inclusão, oferecem condições tecnológicas mais convenientes para que os países do Sul Global façam uso da IA.

Joseph Olivier Mendo’o, diretor-executivo do departamento de intercâmbio internacional do Conselho Empresarial China-África, disse à Xinhua que, durante visitas a áreas rurais da China, viu pessoalmente a aplicação da IA na agricultura.

“A China busca demonstrar aplicações de IA que possam ser adaptadas às condições locais. No futuro, agricultura, saúde e serviços públicos deverão se tornar áreas importantes da cooperação China-África em IA”, afirmou.

Realizado sob o tema “A ascensão da inteligência artificial: oportunidades e desafios para a modernização no Sul Global”, o fórum reuniu mais de 100 especialistas e acadêmicos de quase 30 países e regiões.

Durante o fórum, foram lançados “A ascensão do Sul Global: um atlas da pesquisa acadêmica sobre a modernização no Sul Global” e “As 10 principais palavras-chave da pesquisa sobre modernização do Sul Global em 2026”, além da realização de uma sessão intitulada “Vozes da juventude do Sul Global”.

Uma série de atividades de intercâmbio entre jovens e seminários de centros de pesquisa foi organizada antes e depois do fórum.

Fonte: Brasil 247

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