Charuto, uísque e Londres: os bastidores do encontro do PGR Paulo Gonet com Vorcaro
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O encontro de Paulo Gonet com Daniel Vorcaro registrado em uma foto em Londres ocorreu durante um evento patrocinado pelo Banco Master e voltou a aparecer nas conversas do banqueiro meses depois, em diálogos que mencionam charutos, uísque Macallan, uma nova viagem à capital britânica e até a possível participação de um filho do procurador-geral da República.
Os detalhes constam de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e foram revelados pelo jornal O Globo. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem, feita em abril de 2024, mas Gonet nega que o registro ou os diálogos indiquem uma relação de proximidade com o ex-dono do Master.
Na fotografia, Gonet aparece sentado próximo a Vorcaro, com um charuto nas mãos e copos de uísque sobre a mesa. O registro foi feito durante uma confraternização realizada em Londres, vinculada à primeira edição de um fórum jurídico patrocinado pelo Banco Master.
A imagem chegou ao celular de Vorcaro mais de um ano depois. Em 19 de junho de 2025, o advogado Ciro Soares, então ligado à defesa do banco, encaminhou a fotografia ao banqueiro acompanhada da frase: “PG me mandou”, referência às iniciais de Paulo Gonet.
Evento teve degustação de Macallan
A fotografia foi feita em uma programação que incluía degustação de uísque e charutos. Segundo O Globo, Vorcaro desembolsou R$ 3,2 milhões para promover um evento privado de degustação de Macallan no George Club, em Londres.
O episódio ganhou novo significado com a divulgação de conversas posteriores, de 2025, quando estava sendo organizada uma segunda edição do fórum jurídico patrocinado pelo Master na Inglaterra.
Em uma das mensagens encaminhadas por Ciro Soares a Vorcaro e atribuídas a Gonet, o procurador-geral manifesta interesse na programação: “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”.
Vorcaro respondeu em seguida: “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de macalan rsrs”.
O segundo encontro em Londres, porém, acabou não ocorrendo porque o evento previsto para 2025 foi cancelado.
Mensagens falam em “saudades”
Outras conversas recuperadas pela PF mostram Ciro Soares funcionando como intermediário entre Gonet e Vorcaro.
Em determinado momento, o advogado encaminhou ao banqueiro mensagens que atribuiu ao procurador-geral. Entre elas estavam: “Que bom! Estou na torcida por vocês!” e “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”.
Vorcaro respondeu: “Agradece muito o carinho. Saudades dele, vamos marcar de estar juntos”.
Na sequência dos diálogos, Soares afirmou ainda a Vorcaro que o procurador-geral “lhe adora” e confirmou que Gonet participaria da nova viagem a Londres. As mensagens fazem parte do conjunto analisado pela PF.
Gonet contesta que essas trocas demonstrem intimidade. Ao falar sobre o episódio no Supremo Tribunal Federal, afirmou que teve apenas um encontro presencial com Vorcaro.
“Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação intermediada por advogado foi brevíssima e banal. A atuação do Ministério Público Federal em primeiro grau e no Supremo Tribunal Federal (STF) sempre foi pelo total esclarecimento dos fatos e pelo sucesso da persecução penal”, afirmou.
Filho de Gonet entra nas conversas
Os diálogos também registram uma consulta feita por Ciro Soares sobre a participação de um filho de Gonet na viagem prevista para Londres em 2025.
Depois de comunicar a Vorcaro que Gonet participaria do encontro, o advogado perguntou se o filho do procurador-geral poderia viajar com o grupo.
Vorcaro respondeu: “Óbvio, né”.
Segundo o material divulgado, Soares também atuou nas tratativas relacionadas à viagem. O conjunto das mensagens passou a integrar a controvérsia sobre a natureza da relação entre Gonet e o banqueiro.
Gonet chama encontro de “banal”
Ao se manifestar no STF, Gonet afirmou que o episódio de abril de 2024 aconteceu na presença de várias autoridades e não envolveu discussão profissional relacionada ao Banco Master.
A versão apresentada pelo procurador-geral é de que não existiu amizade ou vínculo pessoal com Vorcaro. A PGR também sustenta que sua atuação nos processos relacionados ao banco não foi influenciada pelos contatos registrados nas mensagens.
O ministro André Mendonça, responsável por tornar público o relatório da PF contendo as referências a Gonet, também ressaltou durante julgamento no STF que não estava fazendo uma acusação contra o procurador-geral.
“Aqui não estou fazendo juízo de valor em relação ao procurador-geral, até porque as informações que vieram, são informações, na minha avaliação, de outra densidade”, afirmou Mendonça.
Gonet, por sua vez, questionou a validade do relatório policial. Ele argumenta que o documento foi produzido a partir de uma determinação de Mendonça sem pedido prévio do Ministério Público ou da própria Polícia Federal e também levantou a necessidade de autorização do plenário do STF em investigações que envolvam ministros da Corte.
A fotografia, portanto, não revela um encontro até então desconhecido — Gonet já havia admitido sua participação no evento. O novo elemento é o registro visual daquele episódio e sua conexão com uma sequência de mensagens posteriores que mostram referências a outro encontro em Londres, charutos, Macallan e novas tratativas envolvendo o grupo.
Fonte: Brasil 247