Charma transforma cascas de coco em biochar para agricultura no RN
Por Brasil 247 — Brasil 247
A Charma, empresa instalada no Vale do Açu, no Rio Grande do Norte, está transformando cascas de coco descartadas pela indústria de água de coco em biochar, um bioinsumo voltado à melhoria das características físicas, químicas e biológicas do solo. A iniciativa conta com apoio do Sebrae-RN.
O material é produzido por pirólise, processo termoquímico realizado com pouco ou nenhum oxigênio. Os resíduos agrícolas passam por trituração e homogeneização antes de serem submetidos a altas temperaturas em um reator. Parte dos gases gerados é reaproveitada na própria operação, enquanto a fração sólida resulta no biochar.
Segundo o diretor-geral e fundador da Charma, Xavier Mulliez, o modelo busca criar uma relação circular entre a indústria de água de coco e a agricultura. Nesse sistema, os rejeitos da produção de água de coco abastecem a planta de pirólise, e o biochar pode retornar aos coqueirais como insumo agrícola.
Aplicação no campo
A unidade da empresa no Vale do Açu tem capacidade produtiva atual de cerca de 10 toneladas por ano. O produto já atrai interesse de produtores e instituições de pesquisa em regiões como Mossoró, Vale do Açu e Touros, incluindo cadeias de coco, algodão e manga.
Em áreas do semiárido, onde a disponibilidade de água e a qualidade do solo influenciam a produção, o biochar pode contribuir para a retenção de água e nutrientes, a melhoria da estrutura do solo e a atividade biológica, integrado a outras práticas de manejo regenerativo.
A Charma mantém articulações com a Embrapa, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) para ampliar testes e conhecimentos sobre as aplicações do produto.
A empresa participou dos programas Impacta RN e Regenera, do Sebrae-RN, voltados à estruturação e aceleração de negócios de impacto socioambiental. O Sebrae também apoiou a aproximação da companhia com produtores de coco e com uma agroindústria de água de coco que se tornou sua principal fornecedora de matéria-prima.
De acordo com a empresa, há atualmente 13 parcerias para aplicações do biochar em áreas agrícolas, incluindo coqueirais. A Charma pretende consolidar sua atuação no Rio Grande do Norte e avançar para o Ceará, dentro da proposta de ampliar o aproveitamento de resíduos da cadeia de água de coco.
Com informações da Sebrae
Fonte: Brasil 247