Chanceler do Irã se reúne com mediadores do Catar, sob pressão dos EUA contra programa nuclear

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reuniu-se na segunda-feira (28) com mediadores do Catar, em Nova York, para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo a Al Jazeera, um funcionário dos Estados Unidos afirmou que não haverá acordo para encerrar a guerra sem tratar do programa nuclear iraniano. A exigência mantém o impasse sobre a ordem das medidas que cada país deverá adotar.

Araghchi disse à mídia iraniana que os representantes catarianos apresentariam a Washington as ideias examinadas no encontro e que esperava uma resposta até terça-feira (29). “Conversamos sobre ideias e como encontrar soluções para atender às exigências do Irã e como implementá-las”, afirmou. “Eles apresentaram algumas ideias, e tivemos uma discussão que eles também apresentarão ao lado americano.”

O chanceler informou que retornaria a Teerã sem esperar em Nova York pela posição americana. “Sempre que os catarianos têm uma resposta, eles sabem como nos enviá-la”, disse. Segundo ele, as mensagens trocadas por intermédio do Catar e do Paquistão ganharam “uma forma mais séria” após a apresentação da proposta iraniana.

O plano de Teerã prevê que os Estados Unidos liberem recursos iranianos congelados, suspendam sanções e encerrem o bloqueio naval aos portos do país. Araghchi sustenta que essas medidas poderiam ser executadas em quatro ou cinco dias. A partir daí, o estreito seria reaberto e, no sétimo dia, começariam negociações para um acordo definitivo, inclusive sobre a questão nuclear.

O presidente americano, Donald Trump, classificou a proposta como “inaceitável” no sábado (26). Apesar da rejeição, um funcionário dos EUA disse à Al Jazeera que as conversas indiretas prosseguem e as descreveu como “positivas e construtivas”. De acordo com ele, Trump estaria disposto a aliviar sanções e liberar recursos congelados em troca de avanços concretos na questão nuclear.

“O Irã indicou que é flexível em relação às questões nucleares, mas as partes ainda divergem quanto ao cronograma dos compromissos e quem dará os primeiros passos”, afirmou o funcionário. A divergência é central: Teerã quer medidas americanas antes da reabertura de Ormuz e do início das negociações finais, enquanto Washington exige progresso nuclear como condição para um acordo. apnews.com

As acusações sobre o cumprimento de entendimentos anteriores também dificultam as tratativas. O funcionário americano afirmou que o Irã violou um memorando assinado em junho ao atacar navios mercantes. Teerã nega a acusação e diz que Washington descumpriu seus compromissos ao não impedir ataques israelenses ao Líbano e ao buscar rotas marítimas alternativas pelo estreito.

Ormuz está no centro da disputa desde o início da ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Antes da guerra, passava pela região cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás. Com a forte redução do tráfego marítimo, o preço do petróleo ultrapassou US$ 100 por barril.

As exportações de petróleo bruto dos principais produtores do Oriente Médio chegaram a 12,8 milhões de barris por dia em setembro, o maior patamar desde o início da guerra, segundo dados da empresa de inteligência marítima Kpler citados pela Reuters. O volume, porém, permanece abaixo dos 18,8 milhões de barris diários registrados em fevereiro.

Parte das embarcações tem usado uma rota supervisionada por militares americanos perto da costa de Omã. Segundo a reportagem, navios atravessam a área à noite com os sistemas de rastreamento desligados e transferem petróleo para petroleiros fora do estreito. No sábado, o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, afirmou que forças americanas auxiliaram em 2 mil travessias e no transporte de mais de 1 bilhão de barris de petróleo nos últimos meses.

Além do bloqueio aos portos iranianos, Washington ameaçou impor sanções secundárias a aeroportos e empresas que mantenham negócios com companhias aéreas do Irã. Emirados Árabes Unidos, Iraque e Omã já cancelaram voos relacionados a essas operações.

Questionado na segunda-feira sobre as negociações, Trump confirmou que autoridades americanas haviam conversado com mediadores e fez uma previsão sobre a guerra: “Vamos vencer. Vai ser bem rápido.” Ele afirmou ainda que os preços da gasolina cairiam após uma vitória dos EUA.

Em Teerã, o líder supremo Mojtaba Khamenei declarou, em mensagem divulgada pela mídia iraniana, que forças adversárias haviam sido afastadas das águas próximas ao país. “Tendo sofrido duros golpes de nossos valentes combatentes e dos guardiões do Estreito de Ormuz, eles não ousam aventurar-se além do Mar Arábico”, afirmou. A declaração foi divulgada em uma mensagem que também marcou o aniversário do assassinato do líder do Hezbollah Hassan Nasrallah, por Israel, em 2024. apnews.com

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, major-general Ali Abdollahi, prometeu uma “resposta decisiva e devastadora” a novas ameaças contra o país. Já o contra-almirante Habibollah Sayyari afirmou que Ormuz continua fechado e que as forças iranianas estão preparadas para impedir a entrada de forças inimigas.

Fonte: Brasil 247

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