“Centrão” deve seguir no comando da Câmara e do Senado
Por Hiroshi Bogéa — Opinião em Pauta

Henrique Acker – O brasileiro terá direito a seis votos no primeiro turno das eleições 2026, em 4 de outubro. Pela ordem, o eleitor vota para deputado federal, deputado estadual, dois senadores, o governador do seu estado e, por último, para presidente. O mais provável é que os partidos do chamado Centrão façam a maior bancada na Câmara e continuem dirigindo as duas casas do
parlamento.
Na disputa pelo Senado, assim como na eleição para a Câmara dos Deputados, pesam as máquinas regionais de campanha. Dos 27 senadores que vão seguir com seus mandatos em Brasília, 17 são de partidos de direita e extrema-direita e 9da base do governo.
Juntos, o Centrão e o bolsonarismo podem chegar a 40 dos 81 senadores. Ótimo para Flávio Bolsonaro, em caso de vitória ou derrota. Ruim para Lula, mesmo em caso de vitória na eleição presidencial. Boa parte dos chamados “governistas” no Senado não têm um alinhamento automático com o governo em muitas das votações.
De olho no Orçamento do Executivo
Em seu prognóstico para a eleição de deputados federais, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) aponta que a Federação PP/União Brasil – partidos do Centrão – deve alcançar a maior bancada na Câmara de Deputados (93 a 121).
O PL (bolsonarista) deverá eleger a segunda maior bancada de deputados federais (78 a 103). Já a Federação PT/PCdoB/PV será a terceira na Câmara, elegendo de 74 a 100 deputados.
Três partidos com maioria do Centrão devem eleger bancadas médias: PSD (43 a 60), Republicanos (37 a 59) e o MDB (27 a 43). As demais serão de partidos e federações com menos de 30 deputados cada. Portanto, a direção da Câmara dos Deputados deve seguir sob o comando do Centrão.
A disputa para a Câmara está muito mais acirrada a cada eleição, depois que 25% do Orçamento do Poder Executivo passaram para as mãos dos deputados, em forma de emendas a serem distribuídas aos estados.
Voto para governador não define presidente
Os votos para governador e deputado estadual pouco interferem na escolha do candidato à Presidência. São votos em que a realidade regional pesa mais na definição do eleitor. Já o voto para presidente pode interferir no voto para governador, em função das alianças e do partido.
Em onze estados (SP, SC, RR, PI, MS, PB, SE, TO, AP, GO, MS e MA) as pesquisas indicam a eleição de governadores já no primeiro turno. Em quatro (PE, CE, BA e AL), as sondagens apontam empate técnico, com dois candidatos chegando a quase 50% da intenção de votos, o que pode levar a uma definição também no primeiro turno.
Este cenário se deve a uma mudança de estratégia dos partidos. O número médio de candidaturas aos governos estaduais, que era de 8,3 em 2022, caiu para 7,2 em 2026. Assim, as chances se concentram em dois ou três principais concorrentes, sendo mais fácil um dos candidatos alcançar a metade dos votos válidos para se eleger no primeiro turno.
Atualmente, o PSD tem seis governadores e o PT conta com quatro. MDB, PP e União Brasil governam em três estados. O PL, PSB e o Republicanos têm dois governadores cada. O Novo conta com um (Minas Gerais) e um governador está sem partido.
Dos nove candidatos que concorrem à reeleição, cinco são favoritos em seus estados (PI, SC, SP, SE e MS). Outros três (CE, BA e PE) estão entre os primeiros colocados nas pesquisas. Os prefeitos de capitais também são candidatos fortes aos governos estaduais. São os casos do Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Alagoas.
Quadro da disputa para governador nos estados mais importantes e DF:
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Estado 1º nas pesquisas/Partido 2º nas pesquisas/Partido
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- Paulo (1t) Tarcísio de Freitas (Republicanos) Fernando Haddad (PT)
Minas Gerais (2t) Cleitinho (Republicanos) Patrus Ananias (PT)
Rio de Janeiro (1t) Eduardo Paes (PSD) Douglas Ruas (PL)
Bahia (2t)(?) Jerônimo Rodrigues (PT) ACM Neto (União Brasil)
Pernambuco (2t)(?) João Campos (PSB) Raquel Lyra (PSD)
Ceará (2t)(?) Elmano de Freitas (PT) Ciro Gomes (PSDB)
Rio G. do Sul (2t) Luciano Zucco (PL) Juliana Brizola (PDT)
Pará (2t) Doutor Daniel (Podemos) Hana Ghassan (MDB)
Distrito Federal (1t) Celina Amaral (PP) Leandro Grass (PT)
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(1t) Possível vitória no 1º Turno; (2t) Definição em segundo turno; (?) Empate técnico;
OBS: Levantamento realizado com base nas pesquisas eleitorais.
Por Henrique Acker (jornalista e colunista), com informações de (*) Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – DIAP, Datafolha, Real Big Data, Quaest, Poder 360, G1 e Congresso em Foco.
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Fonte: Opinião em Pauta