Celina Leão cobra protagonismo feminino e combate ao feminicídio

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, defendeu a organização de uma pauta de mulheres com foco em políticas públicas, combate ao feminicídio, proteção a vítimas de violência e mudanças na legislação penal.  “Tem que existir um movimento feminino coordenado por vocês, mulheres que já estão eleitas. Para ter voz depois”, disse ela, que registrou 49,93% (825 mil) dos votos e disputará o segundo turno no DF contra Leandro Grass, do PT (569 mil/34,47%). A etapa final está marcada para 25 de outubro. 

Durante coletiva de imprensa, em Brasília (DF), onde a federação União Progressista anunciou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, Celina afirmou que mulheres eleitas precisam atuar de forma coordenada para garantir voz política.

A chefe do Executivo citou programas do Distrito Federal voltados a vítimas de violência e defendeu investimento em educação, proteção social e instrumentos legais contra agressores reincidentes. “A gente precisa estar engajado, ter uma pauta muito clara sobre as mulheres. Queremos participar, ser ouvidas”, declarou.

Dos 19 governadores eleitos no primeiro turno deste domingo (4), apenas Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco, garantiu vitória entre as mulheres e conquistou um novo mandato à frente do estado.

Três candidatas avançaram para o segundo turno: Maiza Assis (Progressistas), que disputará o governo do Acre contra Alan Rick (Republicanos); Celina Leão (Progressistas), que concorrerá ao Governo do Distrito Federal contra Leandro Grass (PT); e Professora Dorinha (União Brasil), senadora licenciada que segue na disputa pelo governo do Tocantins contra Vicentinho Júnior (PSDB). 

A bancada feminina na Câmara dos Deputados chegará a 109 parlamentares na legislatura que começa em fevereiro de 2027, o maior número da história da Casa. As deputadas eleitas no domingo (4) ocuparão 21,2% das 513 cadeiras, acima das 90 representantes escolhidas em 2022, quando elas correspondiam a 17,5% do total. O crescimento foi de 21,1%, com 18 mulheres a mais.

A composição partidária das deputadas eleitas será proporcionalmente mais à esquerda que a Câmara como um todo. Das 109 parlamentares, 52 pertencem a partidos de direita, 47 a siglas de esquerda e 10 a legendas de centro, uma divisão de 48%, 43% e 9%, respectivamente. 

No conjunto da Casa, a direita terá 59,1% dos deputados, a esquerda 24,2% e o centro 16,8%. Entre os 404 homens eleitos, 62% são de partidos de direita, 19% de esquerda e 19% de centro, conforme dados do TSE citados no levantamento.

Políticas públicas para mulheres

Ao tratar das prioridades, a governadora afirmou que o país precisa ampliar investimentos em políticas para mulheres. Segundo ela, a proteção feminina não pode ficar restrita ao discurso. “A primeira coisa que nós precisamos de ter é um investimento maior nessas políticas públicas de mulheres. Não faz política pública de mulheres só com discurso, com retórica. Falando isso, você tem que investir na educação”, afirmou.

“O que mata a mulher é esse tipo de comportamento. De você reforçar estereótipos, comportamentos machistas. Então a gente tem que melhorar isso na educação, na base. Uma educação que educa de verdade, que educa sem discriminação, que educa para as mulheres”, declarou.

A governadora também citou a necessidade de programas nacionais capazes de garantir renda e segurança a mulheres que tentam sair de relações violentas. Ela mencionou o auxílio-aluguel existente no Distrito Federal.

“Quais são os grandes programas nacionais que colocam o recurso no bolso da mulher que quer sair da agressão? Por exemplo, um auxílio aluguel para mulheres vítimas de violência. Aqui nós temos isso aqui no DF. Hoje nós temos quase 500 mulheres nesse programa que saíram da violência e recebem um aluguel e elas ficam em endereço indefinido. Porque correm risco de vida”, afirmou.

Feminicídio e violência de gênero

O Brasil contabilizou 1.571 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, o maior patamar já registrado pela série histórica, de acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). O número indica alta de 4% sobre 2024 e equivale a 1,4 caso para cada 100 mil mulheres, mantendo a trajetória de avanço desse crime no país e marcando o quarto recorde consecutivo do indicador. 

A governadora Celina afirmou que o feminicídio deve receber tratamento específico por envolver violência de gênero. Para ela, esse crime não pode ser analisado como uma ocorrência comum de violência.

“Não dá para brincar, porque não é mim-de-mim. Eles nos matam mesmo. Entendeu? O feminicídio é um crime de gênero. Ele não pode ser estudado como a violência normal. Ele é crime de gênero. Ele envolve machismo, ele envolve preconceito”, disse.

Questionada sobre declarações de uma deputada eleita em São Paulo que afirmou não acreditar na existência do feminicídio, Celina classificou a posição como erro. “É um erro isso. É um erro. É um erro, é um reforço. Como a gente saberia quantas mulheres são assassinadas se você não tivesse a certificação desse crime?”, afirmou.

A governadora disse que atua em defesa das mulheres desde seu primeiro mandato e relatou contato direto com vítimas de violência. “Eu que milito desde o meu primeiro mandato pelas mulheres. Eu trabalho com experiências de vidas. Eu tenho quatro mandatos. Eu já acolhi muitas mulheres que quase morreram no meu colo”, declarou.

Regras mais rígidas contra reincidência

Celina também comentou a proposta de castração química para determinados crimes. Ela afirmou que o tema deve ser discutido no plenário, mas defendeu medidas mais duras em casos de reincidência.

“Eu acho que esse tipo de situação tem que ser discutido aqui dentro do plenário. Mas eu acho que dependendo do tipo de crime e da reincidência, você tem que tomar uma certa atitude um pouco mais drástica”, disse.

A governadora afirmou que o país precisa rever regras ligadas à execução penal e às audiências de custódia em casos de crimes contra mulheres. “O que nós precisamos de ter são regras mais rígidas. A gente precisa de visitar alguns institutos, como a lei de execuções penais, a lei de execução penal na reincidência para crimes contra mulheres”, afirmou.

Ela também defendeu a importância de registrar crimes como violência psicológica para evitar a escalada da violência. “Quando a gente colocou, eu era deputada federal na época, a violência psicológica como crime contra as mulheres, fomos muito criticadas. Mas esse tipo de crime, quando ele é identificado e você consegue ter ele registrado em ocorrências, ele inibe o crime mais grave, que é o crime do feminicídio”, disse.

Programas no Distrito Federal

Ao citar sua gestão no Distrito Federal, Celina afirmou que ampliou equipamentos públicos voltados às mulheres e programas de atendimento. “Eu estive na bancada feminina. Eu fiz um trabalho muito sério aqui no DF. Nós saímos de 13 equipamentos públicos para 30. Nós ampliamos todos os programas”, declarou.

A governadora também mencionou um programa voltado a órfãos do feminicídio. Segundo ela, o crime afeta famílias inteiras e deixa impactos prolongados. “Eu tenho um programa do Orphan, do feminicídio, que eu não gostaria de ter nenhum. Mas eu falo que o crime do feminicídio é um crime continuado. Porque as famílias são destroçadas. A criança está sem mãe. O pai está preso”, afirmou.

“Agora, nós estamos falando do crime mais grave. E as 19 mil ocorrências de agressão. E as outras que as mulheres não tiveram coragem de denunciar”, afirmou.

Segurança no Distrito Federal

Na parte final da entrevista, Celina comentou a situação da segurança no Distrito Federal após o avanço da direita no Senado e afirmou que o GDF manterá estabilidade institucional. “Com certeza. Eu acho que isso se dá na firmeza do meu mandato. Eu trouxe essa cidade há 66 dias. Eu trouxe essa cidade novamente à normalidade”, afirmou.

“Nós tivemos uma eleição absolutamente tranquila aqui no Distrito Federal. 100% monitorada, com 5 mil policiais. As embaixadas fecharam por precaução, mas não tinha nenhum alerta nesse sentido”, declarou.

A governadora também citou a construção do Batalhão dos Poderes e afirmou que sua gestão tem compromisso com a democracia. “Então, assim, nós começamos a construção do Batalhão dos Poderes. Temos um batalhão provisório aqui. Então, o Distrito Federal, eu sou muito responsável. Eu acho que quando a gente tem gestão e tem compromisso com a democracia, nunca mais vai acontecer isso”, disse.

Fonte: Brasil 247

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