Cedae Saúde pagou despesas médicas de Cláudio Castro
Por Dayane Santos — Brasil 247
247 – O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro acumulou uma dívida de R$ 140 mil com a Cedae Saúde, entidade responsável pela assistência médica vinculada à companhia estadual de saneamento. Segundo reportagem do G1, publicada nesta sexta-feira (9), a atual administração do plano notificou Castro para quitar o débito, após cancelar sua cobertura em agosto, depois de cerca de um ano e meio de inadimplência.
Documentos obtidos pela TV Globo indicam que Castro foi incluído como associado durante a gestão de Erik Gualberto à frente da Cedae Saúde. A auditoria interna também identificou que a mulher do ex-governador, Analine, e os filhos do casal utilizaram os serviços médicos oferecidos pela entidade sem efetuar os pagamentos correspondentes.
O estatuto social da Cedae Saúde permite que pessoas eleitas para cargos do Poder Executivo sejam beneficiárias do plano. A apuração, portanto, envolve não apenas a existência do débito atribuído ao ex-governador, mas também os procedimentos adotados pela antiga direção para conceder e administrar o benefício.
Castro diz que não pediu adesão e promete pagar dívida
Em nota, Cláudio Castro afirmou que nunca solicitou sua inclusão no plano de saúde. Segundo o ex-governador, a própria diretoria da Cedae Saúde o informou de que ele tinha direito ao benefício e lhe entregou a carteirinha para utilizar os serviços médicos.
Castro declarou que não recebeu boletos nem cobranças mensais e que só tomou conhecimento do débito cerca de uma semana antes da manifestação. No entanto, ele afirmou ainda que fará o pagamento do valor cobrado pela entidade.
Auditoria aponta pagamentos de R$ 95 milhões a empresas
A investigação administrativa também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas pela atual direção da Cedae Saúde. De acordo com o relatório, quatro empresas vinculadas a uma offshore atribuída ao ex-presidente da entidade receberam R$ 95 milhões durante a gestão de Gualberto.
Os documentos produzidos pela auditoria serão encaminhados ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que poderá avaliar os registros e apurar eventuais irregularidades. As informações apresentadas no relatório, por si só, não representam uma conclusão definitiva sobre a ocorrência de crimes ou a responsabilidade individual dos envolvidos.
A análise começou depois da exoneração de Gualberto, em 23 de junho de 2026. Ao assumir a administração, a nova diretoria informou ter encontrado arquivos apagados que continham nomes de fornecedores e registros contábeis referentes ao período entre dezembro de 2023 e abril de 2026, coincidente com o mandato do ex-presidente.
Segundo a companhia, os auditores conseguiram recuperar os dados e dar continuidade ao levantamento das operações financeiras realizadas pela gestão anterior.
Repasses mensais caíram de R$ 20 milhões para R$ 6 milhões
A atual administração também afirma ter encontrado discrepâncias nos repasses destinados à manutenção da Cedae Saúde. Durante a gestão anterior, os valores transferidos mensalmente para custear as atividades da entidade eram, em média, de R$ 20 milhões. Atualmente, segundo a companhia, os repasses estão em torno de R$ 6 milhões por mês.
A diferença representa uma redução de aproximadamente 70% nos recursos mensais destinados à operação do plano. A auditoria busca esclarecer as movimentações financeiras do período anterior e as condições em que os pagamentos foram realizados.
O encaminhamento dos documentos ao Ministério Público poderá ampliar a apuração sobre a administração da entidade, incluindo os pagamentos a empresas, os registros contábeis recuperados e a concessão de benefícios médicos.
No caso de Cláudio Castro, a cobrança de R$ 140 mil permanece acompanhada da versão apresentada pelo ex-governador: ele afirma que não solicitou o plano, que não foi cobrado regularmente e que pretende quitar o valor informado pela Cedae Saúde.
Fonte: Brasil 247