Castração de cachorro: veterinário responde dúvidas sobre o procedimento
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Publicado em 17 de Outubro de 2026 às 09:00
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A castração é um procedimento comum na rotina dos animais de estimação, mas ainda gera dúvidas entre os tutores. Depois da cirurgia, o cachorro fica mais calmo? Pode continuar tentando cruzar? Vai engordar? E no caso das cadelas, elas ainda podem entrar no cio?
Segundo o médico veterinário Marcio Becacici, a castração provoca mudanças relacionadas aos hormônios reprodutivos e pode refletir no comportamento, na reprodução e no organismo do animal. Os efeitos, não aparecem da mesma forma em todos os cães e podem levar meses para acontecer.
“Geralmente os hormônios reprodutivos, eles ficam no sangue mesmo após a castração por um período de até 6 meses a 8 meses”, destaca Marcio Becacici.
A supressão da testosterona, hormônio prevalente masculino, pode influenciar comportamentos, agressividade e respostas muitas vezes instintivas e exacerbadas.
“Então, quando você castra, e você suprime a produção de testosterona, você tende, em alguns pacientes, ter mais tranquilidade. Agora, isso é parte de um contexto. Alguns animais, por exemplo, que têm diagnósticos de distúrbios comportamentais, a castração é uma das etapas que levam benefício ao indivíduo”, explica o médico-veterinário.
Márcio ressalta que alguns cães precisam de outros cuidados, como reeducação comportamental, acompanhamento com adestrador ou medicação. “A tendência é que eles fiquem mais calmos. Porém, se é um cão que tem diagnóstico de alteração comportamental, ansiedade de separação, fobias com barulho, na castração sozinha não resolve esse problema”, afirma.
Quando o cachorro é castrado por meio da orquiectomia, técnica cirúrgica que consiste na retirada dos testículos, ele deixa de produzir espermatozoides e, consequentemente, não consegue fecundar uma fêmea.
“É exatamente no testículo que, através de dois hormônios, LH e FSH, que tem a produção e a maturação tanto da testosterona quanto do espermatozoide. Então, se o cachorro foi castrado, ou seja, ele foi submetido a uma técnica de orquiectomia, ele não produz mais o espermatozoide, logo ele não tem como fecundar uma fêmea”, explica.
Cadelas castradas ainda podem apresentar sangramento, dependendo da técnica cirúrgica utilizada. Segundo o Márcio, existem procedimentos que retiram os ovários e o útero e outros que removem apenas parte dessas estruturas.
“Quando faz a ovariectomia, mantém a estrutura de corpo uterino e corpo do útero, o sangramento pode acontecer, mas não por uma origem de ciclo reprodutivo, porque tirou o ovário e o ovário é o componente responsável pela manutenção do ciclo estral”, destaca.
O veterinário ressalta que o sangramento também pode estar relacionado a outras doenças do trato reprodutivo e precisa ser investigado. Além disso, em casos de falha na cirurgia, pode permanecer um fragmento do ovário que continua funcionando.
“Quando há erro de técnica operatória, essa cadela que teoricamente foi castrada, mas ainda permaneceu uma estrutura ovariana, ela pode ciclar e ela pode sangrar, sim”, afirma.
Segundo o médico-veterinário, as mudanças físicas e comportamentais não acontecem imediatamente após a cirurgia.
“Então tutor espera que na semana que vem, daqui a um mês, tenha mudanças substanciais, tanto físicas quanto comportamentais, isso não vai acontecer”, explica.
O veterinário também destaca que o ganho de peso pode ocorrer após o procedimento, mas não é consequência exclusiva da castração. A alimentação e a rotina de exercícios do animal também influenciam nesse processo.
“Se juntar fatores, é lógico que a castração vai contribuir”, afirma. Os hormônios sexuais possuem um papel na manutenção da massa muscular e na queima de gordura. Após a castração, há uma tendência ao aumento do depósito de gordura e à perda progressiva de massa muscular.
O profissional ressalta, que é necessário avaliar os hábitos do animal, como a quantidade de calorias consumidas e gastas ao longo do dia, a prática de exercícios e o sedentarismo.
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