Caso Master: PF solicitou centenas de dados ligados a Daniel Vorcaro, mas Mendonça não despachou

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Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 – A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para acessar informações sobre pessoas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas o pedido não teria sido despachado pelo ministro André Mendonça. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (24) pela jornalista Daniela Lima, no programa Pulso Político, do Canal UOL.

Segundo a apuração da apresentadora, o pedido da PF está relacionado a alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações consideradas atípicas envolvendo Vorcaro. O material reuniria informações sobre centenas de pessoas físicas e empresas.

Parte dos dados, porém, não foi disponibilizada pelo Coaf porque envolveria pessoas protegidas por foro por prerrogativa de função. Diante disso, a PF teria encaminhado o caso a Mendonça para que o ministro autorizasse o acesso às informações.

“O Coaf se encontra impossibilitado de fornecer parte das informações relativas a algumas das pessoas mencionadas, por também constar nas comunicações sobre as pessoas às quais a decisão judicial proferida nos autos do Supremo restringe o acesso. A PF recebe isso e manda para o ministro André Mendonça pedindo: ministro, o senhor pode autorizar? Porque entendemos que já está no Supremo, quem pode autorizar tudo é o próprio Supremo Tribunal Federal. O que aconteceu? Não foi despachado”, afirmou Daniela Lima.

Relatório reúne 823 pessoas e empresas

De acordo com a jornalista, o ministro Alexandre de Moraes havia determinado o levantamento do sigilo de um caso específico. Mendonça posteriormente retirou o sigilo do material.

Quando o conteúdo ficou disponível, entretanto, o documento tinha 13 páginas. Segundo Daniela, o número chamou atenção diante da quantidade de pessoas e empresas mencionadas nos dados do Coaf.

O levantamento citado pela apresentadora reúne 303 pessoas físicas e 520 pessoas jurídicas, totalizando 823 relacionados a Vorcaro.

“Quantidade de pessoas relacionadas no relatório: pessoas físicas, 303; pessoas jurídicas, 520. Total de relacionados, 823. Então você teria de ter relatório suficiente para cobrir 520 empresas e 303 pessoas que se relacionaram com o Vorcaro. Mas o Coaf avisou: não posso porque tem gente politicamente exposta, protegida por foro de prerrogativa de função”, disse Daniela.

A jornalista afirmou ainda que a PF solicitou a Mendonça que requisitasse os dados que não haviam sido disponibilizados pelo Coaf. Segundo ela, não houve uma nova comunicação ao órgão até 14 de setembro, quando o documento se tornou público.

Igreja Batista da Lagoinha

Daniela Lima também citou o espaço ocupado no relatório pelas informações relacionadas à Igreja Batista da Lagoinha. Segundo ela, quatro das 13 páginas do documento tratavam dessas movimentações.

Na avaliação apresentada pela jornalista, a extensão do documento em relação ao número de pessoas e empresas mencionadas indicaria que os 823 relacionados não teriam sido analisados de forma abrangente.

“Só aqui, só na Lagoinha, a gente teve quatro das 13 páginas gastas. Então, o que nos deixa evidente é que não foram escrutinados os 800 alvos e que essa é uma das coisas que é utilizada para ampliar a pressão sobre o Mendonça”, afirmou Daniela Lima.

Fonte: Brasil 247

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