Caso Master não impede a vitória da maioria dos políticos citados

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Por Vinícius Nunes — Carta Capital

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Wagner, Motta, Rueda e Nikolas Ferreira saíram vitoriosos. No DF, 11 dos 15 distritais que aprovaram a compra do banco pelo BRB foram reeleitos

A crise envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro não impediu a eleição ou a reeleição da maioria dos políticos citados nas investigações e em conversas sobre os vínculos do empresário com integrantes da política. Entre os que conquistaram mandatos estão o senador  Jaques Wagner (PT-BA) , o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda (RJ), e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Na Bahia, Wagner foi reeleito ao Senado com 27,65% dos votos. Ele foi  alvo de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, em junho. A PF apura suspeitas de que o senador tenha recebido vantagens relacionadas ao banco, incluindo um apartamento em Salvador e transferências para uma empresa ligada à família. Wagner nega irregularidades.

Na Câmara, Motta foi reeleito com 124.284 votos. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram conversas entre os dois sobre encontros, negócios e a liberação de um empréstimo de pelo menos 22 milhões de reais para uma empresa da cunhada do deputado. Motta admitiu ter se encontrado com Vorcaro e viajado em seu jatinho, mas negou irregularidades.

Nikolas Ferreira também foi reeleito, com o maior número de votos na história para um deputado federal. O mineiro aparece em registros sobre o uso de aeronaves de Vorcaro e em conversas nas quais pediu ajuda para destravar uma questão envolvendo um ativo de mineração. Nikolas confirmou o contato, mas negou qualquer ato ilícito ou repasse financeiro entre os dois.

Antonio Rueda conquistou uma vaga na Câmara pelo Rio de Janeiro. Escritórios ligados ao dirigente partidário receberam pagamentos do Master, e ele admitiu ter prestado serviços jurídicos ao banco. Segundo a defesa apresentada por Rueda, tratava-se de atividade profissional legítima, exercida em caráter técnico e dentro das regras da advocacia.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito com 62,65% dos votos em São Paulo. Ele recebeu mais de 2 milhões de reais de Fabiano Zetttel , cunhado e braço operador de Vorcaro, na campanha de 2022. 

No outro extremo, o caso também alcançou derrotas importantes . Ciro Nogueira (PP-PI), que buscava a reeleição, ficou de fora do Senado . Ele terminou a disputa pelo Piauí com 24,68% dos votos e não conseguiu renovar o mandato. Foi  alvo de buscas da PF e era tratado por Vorcaro como um de seus “grandes amigos de vida”. A investigação também reuniu registros de viagens custeadas por Vorcaro e relacionou Ciro à “ emenda Master ”, proposta que aumentaria de 250 mil para 1 milhão de reais a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. A mudança não avançou no Congresso e Ciro nega qualquer irregularidade.

Na Bahia, ACM Neto (União) perdeu a disputa pelo governo para o governador Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito no primeiro turno. Uma empresa de ACM, a A&M Consultoria Ltda, recebeu 3,6 milhões de reais do Banco Master. O baiano disse que não houve “irregularidade” nos contratos de consultoria.

O resultado mais expressivo entre os políticos relacionados diretamente à operação envolvendo o Banco Master ocorreu no Distrito Federal. Dos 15 deputados distritais que aprovaram a compra do banco pelo BRB, 11 foram reeleitos para a Câmara Legislativa.

Foram reeleitos:

Além deles, Thiago Manzoni (PL) foi eleito deputado federal pelo Distrito Federal, com 90.418 votos. 


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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