Caso Master “é uma grande oportunidade de passar o país a limpo, incluindo o Judiciário”, diz Haddad

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Por João Antonio Cunha — Brasil 247

247 – O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira (12) que o caso Master representa uma oportunidade para investigar irregularidades no Brasil, inclusive no Poder Judiciário. Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, ele defendeu a apuração dos fatos e disse que o governo não tinha condições de dimensionar a extensão das relações do banqueiro Daniel Vorcaro.

“Eu sou da opinião de que é uma grande oportunidade de passar o país a limpo, incluindo o Judiciário”, declarou Haddad. Questionado sobre se o governo demorou a perceber os possíveis impactos da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro afirmou que acompanhava os indícios de fraude no banco desde o início, mas não previa o envolvimento do Judiciário.

“O que não se imaginava é que isso pudesse envolver o Poder Judiciário, como a gente está notando. Ele [Daniel Vorcaro] realmente urdiu ali um plano de blindagem envolvendo muita gente. Eu penso que o governo nem tinha condições de saber até onde iam os tentáculos do Master”, disse.

Haddad também defendeu a liquidação do banco e a atuação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público nas investigações. Embora a regulação do sistema financeiro seja atribuição do Banco Central, ele afirmou que se empenhou para que as irregularidades fossem combatidas.

Haddad defende propostas para o futuro na campanha de Lula

Na entrevista, o ex-ministro avaliou o desempenho de Lula no primeiro turno das eleições, quando o presidente ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Para Haddad, a campanha petista precisa combinar a apresentação das realizações do governo com propostas capazes de responder às preocupações da população.

“O presidente Lula leva uma vantagem tremenda sobre qualquer antecessor, mas isso hoje não é garantia de êxito numa eleição”, afirmou. Segundo Haddad, a prestação de contas sobre as ações do governo é importante, mas não basta para conquistar eleitores preocupados com temas como emprego, mudanças climáticas, inteligência artificial e automação.

“Prestar contas é importante, mas é fundamental você dialogar com o futuro em torno de um projeto que baixe a angústia da pessoa”, disse. O ex-ministro avaliou que a disputa no segundo turno será “apertadíssima” e afirmou que ainda não é possível antecipar o resultado. Apesar disso, relatou acompanhar com esperança a mobilização de apoiadores de Lula nas redes sociais e nas ruas, na expectativa de reverter o cenário da primeira etapa da eleição.

Ex-ministro diz que continuará na política

Haddad também foi questionado sobre a possibilidade de assumir a Casa Civil em um eventual novo mandato de Lula e sobre seus planos caso o presidente seja derrotado nas urnas.

Ele não confirmou a possibilidade de ocupar o ministério, mas afirmou que seguirá atuando na política independentemente do resultado eleitoral. “Cidadão eu vou ser sempre e vou atuar sempre na política, de acordo com as minhas convicções”, declarou.

Fonte: Brasil 247

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