Caso Master: Ala de Moraes no STF tenta expor relação de Vorcaro com outros ministros
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A ala mais próxima de Alexandre de Moraes passou a atuar para espalhar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o desgaste provocado pelas revelações sobre Daniel Vorcaro e o caso Master. A estratégia, exposta na sessão desta terça-feira, busca deslocar o foco da crise de “Moraes e Vorcaro” para uma discussão mais ampla sobre “Vorcaro e o Supremo”, em meio à disputa pelo controle das investigações.
Segundo o blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, o movimento já vinha sendo desenhado nos bastidores. Nos últimos dias, vieram a público mensagens que citam pessoas ligadas a outros ministros da Corte, entre eles Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Os episódios, no entanto, são distintos, e não há elementos que permitam equiparar as situações.
Ainda assim, fontes ouvidas pelo blog afirmam que o objetivo político do grupo de Moraes é ampliar a rede de nomes associados ao caso. A leitura é que, quanto maior o chamado cinturão de relações de Vorcaro dentro do STF, maior a capacidade de diluir o desgaste concentrado em Moraes e reposicionar a crise como um problema institucional da Corte.
Essa movimentação se cruza com uma disputa mais ampla pelo comando das apurações do caso Master. A atuação de André Mendonça entrou no centro do embate porque o grupo ligado a Moraes questiona a forma como o ministro conduziu a investigação e tenta colocar os diferentes episódios no mesmo pacote.
Na sessão do STF, Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin defenderam que os casos fossem analisados de forma conjunta. Já Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação. O julgamento foi interrompido por pedido de vista de Flávio Dino quando o placar estava em 4 a 3.
A divergência expôs a divisão interna da Corte. Para a ala favorável à análise conjunta, a existência de menções a pessoas próximas a diferentes ministros justificaria uma apuração mais ampla sobre a rede de influência de Vorcaro. Para os ministros que votaram pela separação, os episódios não devem ser tratados como equivalentes sem elementos concretos que sustentem essa conexão.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que espalhar a crise também muda a correlação de forças no tribunal. Ao ampliar o alcance do caso, aumenta a disputa sobre quem pode votar, quem pode ser considerado impedido ou suspeito, quem deve investigar e quem ficará responsável pelas próximas etapas da apuração.
O risco, segundo essa avaliação, é que o Supremo passe a discutir prioritariamente suas próprias relações internas, relatorias, suspeições e procedimentos, deixando em segundo plano a questão central do caso Master: o que precisa ser investigado e até onde chegava a rede de influência de Daniel Vorcaro.
Com o pedido de vista de Dino, o julgamento segue suspenso e sem prazo definido para ser retomado. Enquanto isso, a disputa pelo enquadramento da crise tende a continuar: para a ala de Moraes, o caso deve ser tratado como uma crise mais ampla do STF; para os críticos dessa estratégia, a ampliação do foco pode servir para diluir responsabilidades e embaralhar o controle das investigações.
Fonte: Brasil 247