Carros conectados enfrentam risco de perda de funções com fim do 4G

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Por Tiago Souza — Carta Capital

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Análise da Omdia aponta que certos veículos equipados com modems LTE podem perder serviços digitais quando operadoras desativarem a tecnologia

Um número crescente de veículos depende da rede móvel para funções que vão além da locomoção. Segundo análise do instituto de pesquisa de mercado Omdia, sediado em Londres, cerca de 500 milhões de carros conectados circulam atualmente no mundo, cifra que pode ultrapassar 1 bilhão até 2035. O avanço, porém, traz uma questão pouco discutida: o que acontece com esses veículos quando as operadoras decidirem desligar as redes 4G.

A Omdia projeta que as operadoras de telecomunicações nos Estados Unidos podem iniciar o desmonte da rede LTE a partir de 2030. Não existe uma data única de desligamento. Cada empresa decide quando redistribuir frequências e substituir o LTE por tecnologias mais recentes. O prazo, embora pareça distante, é curto para a indústria automotiva, que desenvolve veículos vários anos antes de colocá-los no mercado. Equipes de engenharia já trabalham em modelos que chegarão às concessionárias apenas no fim da década.

O continente europeu não tem um cronograma comum para o fim do 4G. As redes variam de país para país, e cada operadora segue planos próprios. Em diversos mercados europeus, o setor concentra esforços primeiro no encerramento das redes 2G e 3G. Por isso, o LTE deve permanecer disponível em muitas regiões europeias por mais tempo do que nos Estados Unidos. Ainda assim, não há garantia permanente. Proprietários europeus também devem verificar qual tecnologia de comunicação equipa seus veículos e quais serviços dependem dela.

Um modem 4G não capta sinais 5G. Uma atualização de software pode alterar a interface, o sistema de controle ou a busca por rede, mas não substitui a tecnologia de radiofrequência do veículo. Para obter conexão 5G, o carro precisa de hardware compatível, incluindo modem 5G, antenas adequadas e uma arquitetura que permita trocar o módulo de comunicação. Em muitos veículos mais antigos, essa adaptação não se justifica economicamente para o fabricante.

O impacto não atinge todos os carros da mesma maneira. Alguns modelos usam a rede móvel apenas para chamadas de emergência e comunicação com a oficina. Outros recorrem à conexão para diversas funções de conveniência. Nesses casos, os proprietários podem perder o acesso remoto pelo aplicativo do celular, a localização do veículo ou o travamento à distância.

Serviços como rádio online, perfis na nuvem, dados meteorológicos, informações de tráfego em tempo real e atualizações automáticas de software também podem deixar de funcionar. As funções mecânicas tradicionais, no entanto, permanecem na maioria dos casos. Motor, câmbio, freios, iluminação e a maior parte dos sistemas de assistência local operam independentemente da rede móvel. O carro continua rodando, mas sua dotação digital encolhe.

O 4G, também chamado de LTE, sustenta hoje boa parte da conectividade móvel cotidiana, com velocidades que chegam geralmente a 300 Mbit/s. O 5G alcança teoricamente mais de 10 Gbit/s em condições ideais. A melhoria mais relevante está no tempo de resposta: enquanto o 4G leva de 20 a 40 milissegundos para transmitir dados, o 5G realiza a operação em menos de um milissegundo. Além disso, o 5G tem potencial de conectar até 1 milhão de dispositivos por quilômetro quadrado de forma simultânea, o equivalente a dez vezes a capacidade do 4G.

Os Estados Unidos já demonstraram o impacto que um desligamento de rede pode causar aos proprietários de automóveis. Após o fim do 3G, milhões de veículos perderam serviços conectados. Alguns fabricantes ofereceram soluções de adaptação ou ajustes de software. Outros simplesmente removeram funções.

A transição do 4G para o 5G deve afetar um número maior de carros, já que o 4G se disseminou de forma mais ampla que o 3G e equipa muitos veículos que hoje ainda são considerados seminovos recentes. Um automóvel fabricado na segunda metade da década de 2020 pode permanecer em circulação muito depois do término da garantia de fábrica.

Quilometragem, histórico de manutenção e ausência de colisões já não bastam como critérios únicos na avaliação de um carro conectado. O comprador deve esclarecer qual modem o veículo utiliza, quais serviços o fabricante vincula a ele e por quanto tempo a empresa garante essas funções.

As condições contratuais também merecem atenção. Alguns serviços vigoram apenas por prazo determinado ou mediante pagamento mensal. Outros dependem de uma eSIM e da infraestrutura de uma operadora externa. O valor de revenda tende a considerar não apenas ano de fabricação, quilometragem e itens de série. Um veículo com hardware 5G pode levar vantagem sobre um modelo 4G de idade semelhante, caso não haja outras diferenças relevantes entre ambos.

As montadoras têm alternativas para mitigar o problema. Podem projetar módulos de comunicação substituíveis e informar os clientes com antecedência sobre o encerramento de cada rede. Também podem oferecer módulos de adaptação, prazos de serviço estendidos ou conexões alternativas.

Outra possibilidade seria uma infraestrutura compartilhada entre fabricantes e operadoras. Uma oferta limitada de LTE para veículos mais antigos poderia manter os serviços conectados por mais tempo. Para isso, as empresas envolvidas precisariam acordar padrões técnicos, custos e responsabilidades.

*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.


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Fonte: Carta Capital

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