Cancelamento de debate frustra Zema, Caiado e Cury e amplia temor de voto útil na reta final

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – As campanhas de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) receberam com frustração o cancelamento do debate presidencial que seria promovido pela TV Globo na reta final do primeiro turno. As equipes avaliavam que a exposição em rede nacional representava uma das últimas oportunidades para ampliar o conhecimento dos candidatos entre os eleitores e tentar conter o avanço do chamado voto útil.

Segundo a jornalista Isabel Mega, da CNN Brasil, integrantes das campanhas afirmam reservadamente que a decisão comprometeu uma oportunidade considerada decisiva para os candidatos que aparecem atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto.

A preocupação central é com a possibilidade de eleitores que hoje declaram apoio a candidaturas menos competitivas migrarem, nos últimos dias antes da votação, para Lula ou Flávio. As duas candidaturas têm concentrado a disputa presidencial, enquanto os demais nomes tentam evitar uma redução ainda maior de seu espaço eleitoral.

Integrantes das campanhas da terceira via demonstraram decepção com o cancelamento e disseram, sob reserva, que suas chances foram prejudicadas com “as bênçãos” de Lula e Flávio, em referência aos dois candidatos que lideram as pesquisas. A avaliação das equipes é que a ausência do confronto televisivo favorece a manutenção do cenário de polarização.

A aposta no debate era especialmente importante porque, mesmo na reta final da campanha, Caiado e Zema ainda enfrentavam dificuldades para nacionalizar seus nomes. Ambos deixaram governos estaduais nos quais foram reeleitos em 2022, mas não conseguiram transformar automaticamente essa projeção regional em competitividade na corrida pelo Palácio do Planalto.

No caso de Zema, a campanha enfrenta ainda o desafio de recuperar espaço em Minas Gerais. Segundo o relato publicado pela CNN, a pesquisa Genial/Quaest mais recente apontava potencial de voto de 3% para o candidato em seu próprio estado. O ex-governador também enfrenta dificuldades para transferir força política à disputa pela sucessão estadual.

Caiado, por sua vez, divide as atenções da corrida presidencial com a eleição em Goiás, onde seu grupo político busca manter o controle do governo estadual. Na disputa nacional, sua campanha vinha tentando explorar a experiência administrativa e ampliar o conhecimento do eleitorado sobre sua candidatura.

Cury queria confrontar voto útil

Augusto Cury também via no debate uma oportunidade para reagir diretamente à movimentação pelo voto útil. Segundo interlocutores citados pela CNN, o candidato pretendia questionar a estratégia de Flávio Bolsonaro de atrair eleitores de outros concorrentes, adotando um tom firme, mas evitando uma postura considerada agressiva.

A campanha de Cury trabalhava ainda com a perspectiva de que a eleição provavelmente teria segundo turno. A estratégia consistia em argumentar que não haveria necessidade de antecipar no primeiro turno uma escolha entre os dois candidatos mais bem posicionados.

O desempenho do candidato do Avante chegou a gerar expectativa entre seus aliados depois de uma participação em debate realizado pela Band. O crescimento, entretanto, não se sustentou nas pesquisas posteriores, e Cury voltou a registrar índices próximos aos de outros candidatos da terceira via.

A busca por conter o voto útil já vinha pautando as estratégias dessas campanhas. Um dia antes, a própria CNN havia informado que Caiado e Cury pretendiam aproveitar o último debate para responder, de forma indireta, à tentativa da campanha de Flávio Bolsonaro de conquistar eleitores de candidaturas menores.

Terceira via perde espaço na reta final

O cancelamento ocorre em um momento no qual candidaturas alternativas a Lula e Flávio tentam interromper uma tendência de perda de espaço. Nas últimas semanas, Cury, Caiado e Zema passaram a intensificar críticas à polarização e a defender que os eleitores mantenham suas escolhas no primeiro turno.

A estratégia já havia sido identificada em setembro. Na ocasião, as campanhas buscavam explorar atributos como experiência administrativa, baixa rejeição e distanciamento dos dois principais polos da disputa para tentar preservar votos até o dia da eleição.

O desafio ficou maior na reta final. Levantamento Meio/Ideia divulgado em 30 de setembro mostrou que cerca de 18% dos entrevistados ainda não apontavam espontaneamente um candidato à Presidência, parcela que mantém aberta uma disputa pelos eleitores que podem decidir o voto nos últimos dias.

Sem o último confronto televisionado, Cury, Caiado e Zema perdem uma das principais vitrines disponíveis para tentar alcançar esse eleitorado e chegam aos dias finais da campanha sob pressão para evitar que a disputa se concentre ainda mais em Lula e Flávio Bolsonaro.

Fonte: Brasil 247

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