Campos Neto passa a ser cotado para a Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto passou a ser considerado um dos nomes para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o avanço do senador nas pesquisas para o segundo turno da eleição presidencial intensificou as articulações entre integrantes da família Bolsonaro, aliados políticos e representantes do mercado financeiro em torno da futura equipe econômica.

A disputa ocorre em meio às críticas à proposta de Flávio de promover cortes de aproximadamente R$ 200 bilhões nas despesas públicas, valor equivalente a cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Além de Campos Neto, estão entre os nomes mencionados o financista Marcelo Kayath, o ex-ministro Adolfo Sachsida e o executivo Alexandre Bettamio, enquanto Daniella Marques, coordenadora do plano de governo, também participa das articulações.

Tarcísio de Freitas fortalece nome de Campos Neto

A reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo, com 62,65% dos votos, ampliou sua influência no campo político que apoia Flávio Bolsonaro.

Depois de divergências com integrantes da família Bolsonaro durante o primeiro turno, Tarcísio passou a atuar publicamente pela candidatura presidencial do senador e participou das articulações que aproximaram Republicanos, União Brasil, PP e Podemos da campanha.

Nesse cenário, Roberto Campos Neto ganhou força como possível ministro da Fazenda. O ex-presidente do Banco Central, atualmente vice-chairman e chefe global de Políticas Públicas do Nubank, mantém uma relação de confiança com Tarcísio, construída durante o governo de Jair Bolsonaro.

O nome de Campos Neto também passou a circular com maior frequência entre representantes do mercado financeiro.

Entretanto, segundo a Folha, o ex-presidente do Banco Central tem afirmado a pessoas próximas que está concentrado em suas responsabilidades no Nubank, especialmente no processo de expansão internacional da instituição.

Tarcísio, por sua vez, teria dito a interlocutores que pretende colaborar quando for consultado, mas não deseja apresentar indicações neste momento. Procurados pelo jornal, o governador paulista e Campos Neto não comentaram as especulações.

Eduardo Bolsonaro defende Marcelo Kayath para a Fazenda

Outro grupo que tenta influenciar a composição da equipe econômica é liderado por Eduardo Bolsonaro, que apoia o nome de Marcelo Kayath, sócio da gestora QMS Capital e ex-executivo do Credit Suisse.

Kayath participou da aproximação de Flávio Bolsonaro com banqueiros e empresários e tem defendido um programa de ajuste fiscal como condição para estabilizar as contas públicas e permitir a redução dos juros.

Sua eventual indicação, porém, enfrenta resistências dentro do próprio campo bolsonarista.

Parte das críticas está relacionada ao histórico político do financista, que já manifestou apoio ao presidente Lula e fez críticas à gestão do ex-ministro da Economia Paulo Guedes.

Eduardo Bolsonaro, que teve participação importante na escolha de Flávio como candidato presidencial, representa um dos principais centros de influência familiar nas discussões sobre o futuro governo.

Daniella Marques amplia protagonismo e enfrenta disputas internas

A coordenadora do plano de governo de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, também ganhou espaço nas discussões sobre a composição de um eventual ministério.

Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Marques se afastou de suas atividades na Legends Capital para se dedicar à campanha e assumiu o papel de principal porta-voz econômica da candidatura.

Segundo a Folha, o aumento de sua exposição pública foi acompanhado por disputas internas e questionamentos de outros integrantes do grupo político.

Amiga de Roberto Campos Neto e vice dele no conselho econômico da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Daniella teria preferência pelo executivo Alexandre Bettamio, do Bank of America, para comandar a Fazenda.

Ela própria também aparece nas especulações sobre a formação de um superministério voltado à área social.

Em resposta à Folha, Daniella rejeitou a existência de articulações pessoais para a distribuição de cargos.

“Todo nosso tempo e esforço é dedicado a eventos diários da campanha conversando com os brasileiros sobre as propostas e combatendo a rede criminosa de fake news da esquerda”, declarou.

A coordenadora também contestou as informações sobre suas preferências para a equipe econômica.

“Não aceito que usem minhas relações pessoais para especular sobre articulações que simplesmente não existem”, afirmou.

Sachsida, Mansueto e Rogério Marinho também aparecem nas especulações

Outros nomes são mencionados nas conversas sobre um eventual governo de Flávio Bolsonaro.

Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia e coordenador do núcleo econômico da campanha, aparece como alternativa para a Fazenda, embora também seja considerado para áreas como Infraestrutura e Planejamento.

Próximo de Jair Bolsonaro e de Carlos Bolsonaro, Sachsida mantém interlocução com diferentes setores do grupo político.

Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-integrante da equipe econômica dos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, também é citado. Entretanto, segundo a reportagem, ele tem afirmado a amigos que não pretende retornar ao serviço público.

Uma possibilidade considerada por um aliado de Flávio seria a escolha do senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do Desenvolvimento Regional.

Essa alternativa dependeria das negociações políticas envolvendo o Senado e a disputa pela presidência da Casa, atualmente ocupada por Davi Alcolumbre.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que chegou a ser considerada para integrar a chapa presidencial como vice, também participa das conversas sobre a composição de um eventual governo.

Amiga de Roberto Campos Neto, ela teria defendido seu nome para a Fazenda em discussões iniciais com Flávio. A própria senadora é mencionada como possível escolha para o Ministério das Relações Exteriores, dependendo de seus planos políticos.

Caso Master aparece entre as resistências a Campos Neto

Entre os fatores que podem dificultar uma eventual indicação de Roberto Campos Neto estão questionamentos sobre sua atuação à frente do Banco Central no contexto do caso Master.

Segundo a Folha, críticos de Tarcísio e de Campos Neto dentro do campo bolsonarista mencionam o episódio como uma das ressalvas à escolha do ex-presidente da autoridade monetária.

A referência ao caso ocorre em meio às disputas internas por influência sobre a equipe econômica e não representa, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade de Campos Neto.

Pessoas próximas ao executivo, por outro lado, ressaltam seu compromisso com o Nubank e com a expansão internacional da instituição.

Apesar da movimentação de aliados, Flávio Bolsonaro ainda não anunciou publicamente nomes para um eventual ministério.

Segundo interlocutores ouvidos pela Folha, Jair Bolsonaro deverá exercer influência decisiva sobre a composição da equipe caso o senador vença a eleição presidencial.

As articulações revelam a existência de diferentes grupos políticos e econômicos interessados em influenciar as decisões de um eventual governo, especialmente em relação ao Ministério da Fazenda, considerado central para a definição da política fiscal e econômica.

Fonte: Brasil 247

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