Campanha de Lula estuda propor checagem de fatos em tempo real durante debate da Globo

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – A equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia apresentar à TV Globo uma proposta para incluir a checagem de fatos em tempo real no último debate presidencial antes do segundo turno das eleições, marcado para sexta-feira (23). A iniciativa busca permitir que informações apresentadas pelos candidatos sejam verificadas durante a transmissão, com esclarecimentos ao público sobre a veracidade das declarações.

Segundo a CNN Brasil, a possibilidade é discutida internamente por integrantes da campanha petista, que estudam alternativas inspiradas em formatos utilizados nos debates presidenciais dos Estados Unidos. A proposta, entretanto, ainda não foi formalmente apresentada à emissora, e sua eventual implementação dependeria de mudanças nas regras previamente estabelecidas.

Um dos principais argumentos dos aliados de Lula para defender a medida é o comportamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no debate realizado pela Band. Na ocasião, o candidato mencionou informações que não haviam sido confirmadas por órgãos oficiais, incluindo um suposto áudio atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no qual haveria referências a pagamentos “por fora” a pessoas associadas ao presidente.

O material mencionado por Flávio Bolsonaro não foi reconhecido pela Polícia Federal (PF) nem pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A ausência de confirmação oficial é apontada por integrantes da campanha petista como uma das razões para defender mecanismos capazes de verificar alegações durante os confrontos televisivos.

Campanha avalia modelos de verificação em tempo real

Entre as possibilidades analisadas está a adoção de um sistema semelhante ao utilizado em debates eleitorais nos EUA. Nesse formato, uma equipe especializada acompanha as declarações dos candidatos, consulta informações disponíveis e fornece subsídios aos mediadores para que eventuais imprecisões sejam esclarecidas durante a transmissão.

O procedimento permite que o apresentador intervenha para informar aos telespectadores quando determinada afirmação não corresponde aos dados disponíveis ou carece de comprovação.

De acordo com um interlocutor de Lula ouvido pela reportagem, a campanha procura alternativas que assegurem “credibilidade” ao processo de verificação. A preocupação envolve a necessidade de estabelecer critérios que permitam esclarecer informações sem comprometer a imparcialidade da mediação.

Outra possibilidade considerada é a utilização de um código QR exibido na tela durante o debate. O recurso direcionaria os telespectadores a uma página na internet dedicada à verificação das declarações dos presidenciáveis, sem exigir intervenções constantes dos mediadores.

Esse formato foi empregado nos Estados Unidos durante o debate entre os candidatos à vice-presidência JD Vance e Tim Walz. A alternativa permite que a checagem seja disponibilizada paralelamente à transmissão televisiva.

Regras já assinadas representam obstáculo

A principal dificuldade para a adoção de qualquer um dos modelos está no acordo previamente firmado entre as campanhas e a TV Globo.

A equipe de Lula já assinou o documento que estabelece as regras do debate de sexta-feira (23). Dessa forma, a inclusão de um mecanismo de checagem representaria uma alteração nas condições acertadas para o encontro.

Apesar desse obstáculo, integrantes da campanha presidencial continuam examinando a possibilidade de encaminhar uma sugestão à emissora.

Experiência nos Estados Unidos entra na discussão

A campanha petista também considera experiências recentes de verificação de informações em debates realizados nos Estados Unidos, onde a participação dos mediadores na checagem das declarações dos candidatos provocou controvérsias.

Durante a eleição presidencial estadunidense de 2024, Donald Trump criticou emissoras de televisão após ser alvo de intervenções destinadas a verificar afirmações feitas durante os debates. Na ocasião, o republicano acusou veículos de comunicação de favorecer sua adversária democrata, Kamala Harris.

O episódio é uma das referências para a discussão sobre os diferentes formatos de checagem e os questionamentos que podem surgir quando a verificação ocorre por meio de intervenções diretas dos apresentadores.

No Brasil, a avaliação da campanha de Lula ocorre às vésperas do último confronto televisivo entre os candidatos antes da votação do segundo turno, marcada para domingo (25).

Fonte: Brasil 247

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