Campanha de Lula divide MG entre deputados para reforçar mobilização no 2º turno
Por Amanda Prado — ICL Notícias
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Por Cleber Lourenço
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está dividindo Minas Gerais em regiões sob responsabilidade de parlamentares para intensificar a mobilização eleitoral no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia prevê uma atuação coordenada com prefeitos, vereadores e movimentos sociais, além do reforço da comunicação nas redes digitais e da divulgação das diferenças entre os programas de governo dos dois candidatos.
A informação foi revelada ao ICL Notícias pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que ficará responsável pela organização da campanha em Belo Horizonte e também ajudará na mobilização de outras cidades da região metropolitana.
“Estamos dividindo tarefas. Cada deputado, cada parlamentar, fica responsável por organizar uma determinada região, entrar em contato com os movimentos sociais, vereadores e prefeitos, para que a gente possa chegar a mais pessoas e não faltar material”, explicou.
Segundo Correia, a divisão territorial busca dar mais organização à campanha e garantir que as orientações políticas cheguem às lideranças locais. O modelo também pretende ampliar a capacidade de mobilização presencial, com distribuição de materiais e articulação entre diferentes setores que apoiam a reeleição de Lula.
A estratégia em Minas Gerais faz parte de uma movimentação mais ampla da campanha para intensificar a disputa eleitoral nas ruas e nas plataformas digitais nesta reta final.
Campanha quer explorar propostas de Flávio Bolsonaro
Outro eixo da mobilização será o confronto entre as propostas dos dois presidenciáveis. De acordo com Correia, a orientação é apresentar aos eleitores as consequências das medidas defendidas por Flávio Bolsonaro, especialmente nas áreas econômica, social e administrativa.
Uma das prioridades será o debate sobre o ajuste fiscal defendido pela campanha do senador, que prevê cortes expressivos nas despesas públicas.
“O povo precisa saber o que de fato é a proposta do adversário. Por exemplo, corte de R$ 200 bilhões. Onde vai cortar R$ 200 bilhões? Pé-de-Meia, Bolsa Família, salário mínimo. Vai cortar dos pobres”, afirmou o deputado.
A declaração expressa a avaliação política de Correia sobre os possíveis efeitos do ajuste. A campanha de Flávio afirma que pretende preservar benefícios sociais, embora discuta mudanças nas regras de correção de despesas públicas para obter economia fiscal.
O parlamentar também pretende explorar o debate sobre a reforma administrativa. Ele associa as propostas de redução do Estado à PEC 32, apresentada durante o governo de Jair Bolsonaro, e defende que a campanha de Lula apresente os impactos de eventuais mudanças sobre os serviços públicos.
“A questão da reforma administrativa que eles falam, que é a PEC 32, que a gente conhece bem, é o fim da estabilidade do servidor e da privatização do serviço público, incluindo educação, saúde e até segurança pública”, declarou.
A PEC 32 propôs mudanças nas regras de contratação e nos vínculos de servidores, mas não estabelecia, de maneira geral, o fim da estabilidade de todos os funcionários públicos nem a privatização automática desses serviços. A associação entre a proposta e o programa de Flávio é feita pelo deputado petista.
Segundo Correia, a orientação é utilizar propostas concretas, projetos de lei e o próprio programa de governo do adversário para sustentar as comparações. A campanha pretende adotar essa abordagem também em temas ambientais e em outras áreas da administração pública.
Diagnóstico de dificuldades nas redes leva a reforço digital
A reorganização também responde a uma avaliação interna sobre o desempenho da campanha nas redes sociais. Correia reconheceu que há um diagnóstico de desvantagem na presença digital em relação aos adversários.
“Tem avaliação de que nas redes nós somos derrotados, do ponto de vista de inserções, de disputa na rede social. Então é muito fundamental nos comunicar mais pelas redes sociais”, afirmou.
O reconhecimento ocorre em meio à ampliação das iniciativas digitais de apoiadores de Lula, com a criação de plataformas para distribuição de vídeos, materiais de campanha e conteúdos destinados à circulação em aplicativos de mensagens e redes sociais.
A mobilização territorial descrita por Correia deverá funcionar em paralelo a esse esforço digital. A intenção é combinar a atuação de parlamentares e lideranças municipais com uma presença mais intensa dos apoiadores nas plataformas.
O deputado também destacou a importância das manifestações estudantis que vêm ocorrendo durante a disputa eleitoral. Segundo ele, a campanha vê positivamente os atos pacíficos e democráticos, especialmente diante de episódios que considera manifestações de intolerância política.
Para Correia, essas mobilizações ajudam a reforçar o debate sobre democracia e autoritarismo, outro tema que deverá integrar a atuação política dos apoiadores de Lula no segundo turno.
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Fonte: ICL Notícias

