Campanha de Lula denuncia Meta a observadores internacionais por suspeita de interferência

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu denunciar a Meta a organismos internacionais e missões de observação eleitoral por suspeitas de interferência no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. A iniciativa foi anunciada nesta quarta-feira (14), após uma sequência de problemas relatados pela coligação no funcionamento das plataformas digitais da empresa.

A campanha apresentará as denúncias às missões internacionais de observação eleitoral durante uma reunião marcada para quinta-feira (15), em Brasília. O material também será encaminhado a instituições que atuam na defesa da democracia e da liberdade de expressão. A documentação incluirá relatórios de organizações da sociedade civil e mais de 2.700 denúncias individuais recebidas pela equipe de Lula nos últimos três dias.

Segundo a coligação, as dificuldades começaram no início da campanha eleitoral e atingiram diferentes funcionalidades das plataformas administradas pela Meta, incluindo recursos utilizados para a divulgação de propaganda política. A equipe do presidente sustenta que os episódios podem comprometer a igualdade de condições entre os candidatos, princípio previsto na legislação eleitoral brasileira.

Entre as ocorrências relatadas estão a suspensão temporária da conta utilizada para anúncios, a redução na contagem de visualizações de publicações favoráveis à candidatura de Lula e o impedimento de impulsionar conteúdos no feed do Instagram durante 24 horas.

A campanha também questiona diferenças identificadas no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial e no mecanismo de buscas do WhatsApp. Segundo a coligação, esses episódios se somam a outras dificuldades técnicas registradas ao longo do processo eleitoral.

Campanha questiona vantagem de Flávio Bolsonaro nas redes

Outro ponto levantado pela equipe de Lula envolve o desempenho das publicações do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente no segundo turno.

De acordo com os dados apresentados pela campanha petista, Flávio registra um engajamento quase três vezes superior ao de Lula, apesar de possuir 17% menos seguidores nas plataformas analisadas.

A coligação considera essa diferença um elemento que merece investigação, especialmente diante dos problemas relatados em suas próprias contas. Os números, isoladamente, não comprovam interferência da empresa, mas integram o conjunto de informações que a campanha pretende apresentar aos observadores internacionais.

A Meta atribuiu os episódios a problemas técnicos que também teriam afetado outros anunciantes e mercados. A campanha contesta a suficiência dessas explicações e afirma que a empresa não apresentou, na maioria dos casos, evidências capazes de demonstrar que as falhas atingiram outros candidatos brasileiros.

A suspeita apresentada pela coligação é de que os problemas possam ter produzido efeitos desiguais sobre a disputa presidencial, eventualmente favorecendo a candidatura de Flávio Bolsonaro. Trata-se de uma acusação da campanha de Lula, sem comprovação independente apresentada até o momento.

Mais de 2.700 denúncias serão encaminhadas

A equipe de Lula informou que criou, há três dias, uma ferramenta destinada a receber relatos de possíveis episódios de censura digital. Desde sua disponibilização, o sistema registrou mais de 2.700 denúncias, concentradas principalmente no Instagram.

Os registros estão sendo organizados para integrar a documentação destinada às missões de observação eleitoral e aos organismos internacionais.

A campanha afirma que a ausência de transparência sobre o funcionamento dos sistemas da Meta dificulta a identificação das causas dos problemas e a avaliação de seus possíveis efeitos sobre o processo eleitoral.

A coligação também acusa a campanha de Flávio Bolsonaro de tentar utilizar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para restringir atividades digitais de Lula e de seus apoiadores, incluindo o deputado eleito André Janones.

Denúncia envolve liberdade de expressão e soberania digital

A iniciativa internacional também pretende ampliar a discussão sobre o poder das grandes empresas de tecnologia na circulação de informações durante processos democráticos.

A campanha argumenta que plataformas transnacionais exercem influência significativa sobre a infraestrutura digital utilizada para produzir, armazenar e distribuir conteúdos, o que pode afetar a comunicação política e a participação pública.

A coligação considera que a concentração desse poder nas mãos de empresas privadas levanta questões relacionadas à liberdade de expressão, à transparência das plataformas e à soberania dos países sobre seus processos eleitorais.

O encaminhamento das denúncias ao exterior busca submeter os episódios relatados à avaliação de instituições que acompanham eleições e questões relacionadas aos direitos digitais.

A reunião prevista para quinta-feira (15) ocorrerá dez dias antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.

Fonte: Brasil 247

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