Campanha de Lula busca reverter abstenções e vai destacar ameaças de Flávio Bolsonaro a programas sociais
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Na tentativa de reduzir o índice de abstenção no segundo turno das eleições, especialmente nas regiões metropolitanas, a campanha do presidente Lula (PT) pretende apresentar ao eleitorado os riscos envolvidos na disputa presidencial, detalha a CNN Brasil. A estratégia no entorno do presidente é deixar claro que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) coloca em risco a continuidade de programas sociais no país.
O entorno de Lula detectou um alto índice de abstenção nas franjas de grandes cidades do Sudeste e do Sul, incluindo a região metropolitana de São Paulo, que historicamente registram bons índices de votos para o PT. Para a campanha à reeleição do presidente, diminuir a abstenção — que alcançou 21% no primeiro turno — é considerado fundamental para garantir a vitória contra Flávio Bolsonaro.
Diante desse cenário, Lula pediu a seus ministros que percorram pessoalmente as periferias de grandes cidades nas regiões Sul e Sudeste, levando mensagens direcionadas e específicas a públicos que apresentaram elevada abstenção. Para os idosos, a mensagem destacará que o programa Farmácia Popular foi encolhido na gestão de Jair Bolsonaro (PL) e corre riscos sob eventual gestão de Flávio Bolsonaro. Para as mães, o foco da comunicação estará na merenda escolar, que também ficou sem reajustes no governo anterior. Já o discurso voltado para os cooperativistas da agricultura familiar se concentrará no risco de continuidade do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), considerado essencial para garantir compras estatais e manter os preços estáveis.
Os estrategistas da campanha de Lula avaliam que abordar o Bolsa Família, no momento atual, gera pouco impacto direto no eleitorado. A expectativa, no entanto, é sensibilizar os eleitores com menções a outros programas sociais.
A campanha do presidente admite ainda que a possibilidade de uma virada no segundo turno passa necessariamente por uma redução da abstenção, em especial na Região Nordeste. O primeiro turno de 2026 registrou recorde de eleitores que não votaram, com o percentual atingindo 21,08%, o maior nível observado desde 1998. O PT avalia haver um espaço limitado para atrair votos de presidenciáveis derrotados no primeiro turno, traçando estratégias para engajar parte dos 33,4 milhões de brasileiros que não foram às urnas.
Uma das principais estratégias na região será apontar a ameaça que Flávio Bolsonaro representa à soberania nacional e aos programas sociais. De olho no eleitorado nordestino, uma das primeiras decisões de Lula para a etapa decisiva foi a de reforçar a equipe de campanha com os candidatos mais bem votados da região.
Com isso, os governadores reeleitos na Bahia e no Piauí, Jerônimo Rodrigues (4,6 milhões de votos) e Rafael Fonteles (2,8 milhões de votos), respectivamente, terão espaço na estrutura da campanha e devem indicar membros de suas equipes a Lula. Também serão incorporados Rui Costa (4,3 milhões de votos) e Jaques Wagner (3,9 milhões de votos), vitoriosos na disputa ao Senado pela Bahia. O ex-governador Camilo Santana, que no primeiro turno esteve focado na reeleição de Elmano de Freitas no Ceará, voltará suas atenções para a disputa presidencial.
No campo da comunicação, Lula mantém uma bateria de reuniões e encontra nesta quarta-feira (7) parlamentares mais bem votados da esquerda para tratar da atuação digital. Estarão presentes as deputadas Erika Hilton (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Ana Elisa (PT-MG). Aos 21 anos, Ana Elisa foi a petista mais bem votada para o Legislativo no país e a segunda candidata mais votada de Minas Gerais, somando 524 mil votos.
O encontro ocorre após a parlamentar mineira tecer críticas públicas à estratégia de comunicação digital do presidente aplicada no primeiro turno das eleições. Nas redes sociais, nas quais acumula mais de dois milhões de seguidores no Instagram, a deputada cobrou mudanças na atuação e na linguagem do presidente nas redes, afirmando que uma nova postura será decisiva para o enfrentamento de Flávio Bolsonaro e para a redução da abstenção.
A equipe de comunicação de Lula sinalizou interesse em conversar com a deputada. Em vídeo publicado na sua rede social, Ana Elisa apontou falhas do candidato à reeleição em transmitir digitalmente as realizações do governo: “Eu não estou dizendo que comício na rua e ir para rua não é importante. Eu estou te falando que se você não tiver presença nas redes sociais, o mundo pode estar ótimo, a economia pode estar ótima, o poder de compra pode estar ótimo. Mas se tiver alguém aqui na rede social falando que o mundo está uma bosta, as pessoas vão acreditar”, disse a deputada.
Ela complementou pedindo a união do campo progressista em torno do aprendizado no ambiente digital e a inclusão dos jovens no processo: “Gostaria de deixar realmente um apelo para toda a esquerda. É o momento de nós deixarmos realmente a ignorância de lado, calçarmos a sandália da humildade e entendermos que com a rede social a gente precisa sim aprender. Não é que não é importante ter comícios na rua, não é importante ir para rua, não é isso”, defendeu, acrescentando ainda que “o campo progressista perde muito quando tenta descredibilizar a juventude”.
Fonte: Brasil 247