Campanha de Lula avalia incorporar propostas de Cury para o 2º turno
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – A campanha do presidente Lula (PT) avalia incorporar propostas do candidato Augusto Cury (Avante) ao seu plano de governo com o objetivo de atrair seus eleitores e isolar o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, informa a CNN Brasil.
A estratégia traçada pela cúpula petista busca afastar o escritor de uma aproximação com o candidato bolsonarista. Mesmo sem a expectativa de obter um apoio explícito de Cury, a meta do PT é trabalhar para que ele permaneça neutro na disputa do segundo turno. Integrantes do comando de campanha avaliam que o programa de Cury apresenta propostas aproveitáveis, mas descartam de antemão ideias consideradas mais mirabolantes, como a utilização de drones para proteger mulheres vítimas de violência doméstica. Interlocutores da candidatura de Lula já iniciaram contatos com o Avante para sondar as reações da legenda após a votação de primeiro turno.
Outro alvo dos movimentos da campanha petista é Renan Santos, candidato do partido Missão. Na reta final da campanha, Renan Santos intensificou os ataques diretos contra Flávio Bolsonaro, postura que se aprofundou após ele ter ficado de fora do último debate televisivo antes do pleito de 4 de outubro, promovido pela TV Globo nesta quinta-feira (1º).
Apesar de Renan e Cury terem mantido uma postura crítica em relação a Lula ao longo de todo o processo eleitoral — apresentando um perfil de eleitorado fortemente associado à direita —, Renan demonstra forte diálogo com o público jovem. A fatia do eleitorado jovem é identificada pela articulação petista como um segmento no qual a campanha enfrentou dificuldades para expandir o desempenho neste primeiro turno.
O comando do PT defende formalmente procurar todos os adversários que ficarem fora da disputa após o domingo de eleição. No entanto, o partido reconhece maior dificuldade de aproximação com Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), em razão do posicionamento político anti-PT historicamente consolidado por ambos.
Caiado, ex-governador de Goiás, também subiu o tom contra Flávio Bolsonaro ao longo da campanha, mantendo em aberto seu posicionamento quanto a um eventual apoio ao senador do PL no segundo turno. Diante desse cenário, dirigentes petistas mantêm conversas diretas com o presidente do PSD e vice na chapa de Caiado, Gilberto Kassab, apostando em sua articulação para garantir a neutralidade do PSD na segunda etapa do pleito.
Em relação a Romeu Zema, o ex-governador mineiro alternou momentos de intensificação de ataques contra Flávio com posteriores recuos. Como o Novo e o PL mantêm alianças consolidadas em diversos estados, a expectativa do PT é de que Zema declare apoio formal a Flávio Bolsonaro na etapa decisiva das eleições.
Fonte: Brasil 247