Campanha de Lula acende alerta em Minas e reforça presença no estado
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A disputa presidencial em Minas Gerais entrou no centro das preocupações da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passou a tratar o estado como prioridade na agenda eleitoral. Nesta quinta-feira (17), Lula participa de um comício em Montes Claros, no Norte de Minas, em sua terceira passagem pelo estado ainda no primeiro turno. As informações são da CNN Brasil.
Minas Gerais é o estado mais visitado pela campanha petista até agora. Além do ato em Montes Claros, Lula já esteve duas vezes em Belo Horizonte. O movimento reflete a importância estratégica do segundo maior colégio eleitoral do país, historicamente visto como decisivo nas disputas presidenciais.
O principal motivo de atenção é o cenário de empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado. Pesquisa Datafolha divulgada no início de setembro mostrou o petista com 37% das intenções de voto em Minas, contra 35% do senador. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Nos bastidores, aliados de Lula avaliam que a presença de Romeu Zema (Novo) na corrida presidencial dificulta o avanço do petista em Minas. Zema governou o estado nos últimos oito anos e é visto pela campanha como um obstáculo adicional na tentativa de consolidar votos entre os mineiros.
A leitura é semelhante à feita pelo PT em Goiás, onde o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) também aparece como presidenciável e pode exercer influência regional sobre o eleitorado. No caso mineiro, porém, a preocupação é maior pelo peso eleitoral do estado e pela diversidade política, econômica e social de suas regiões.
Outro ponto reconhecido por petistas é o atraso na montagem do palanque estadual. Patrus Ananias foi definido como candidato ao governo de Minas apenas no fim de julho, depois das negativas de Rodrigo Pacheco (PSB) e Marília Campos (PT). Para integrantes da campanha, a indefinição reduziu o tempo disponível para organizar alianças e fortalecer a presença territorial no estado.
A estratégia petista agora passa por mapear cidades consideradas fundamentais para ampliar a presença de Lula em diferentes segmentos do eleitorado mineiro. A campanha busca alcançar regiões com perfis distintos, já que Minas costuma ser tratada como uma espécie de “síntese” do Brasil por reunir realidades econômicas, sociais e políticas variadas.
A ideia inicial era concentrar atos em municípios que funcionam como capitais regionais. A execução, no entanto, tem enfrentado entraves logísticos. O PT desistiu, por exemplo, de realizar um ato em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, porque o aeroporto da cidade não comporta aviões de grande porte.
Montes Claros, por outro lado, foi mantida na agenda por sua relevância no Norte de Minas. A cidade é considerada uma capital regional e tem papel estratégico na tentativa da campanha de Lula de ampliar sua penetração fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Fonte: Brasil 247