Campanha de Flávio Bolsonaro promete excluir beneficiários do Bolsa Família em 2 anos
Por Ana Luiza Basilio — Carta Capital
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Candidato sustenta tese de que beneficiários ficam presas ao benefício por tempo indeterminado
A coordenadora da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou que o programa Bolsa Família terá um período de transição de dois anos caso o candidato seja eleito. Na prática, os beneficiários terão um prazo de 24 meses deixar o programa .
Segundo a campanha do bolsonarista, a regra é válida somente às pessoas que conseguirem uma colocação profissional. “Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado”, declarou, em entrevista à CBN Bahia.
“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade’”, completou.
A coordenadora citou, ainda, que o tema será conduzido pelo Ministério da Prosperidade, pasta anunciada por Flávio Bolsonaro em sua campanha eleitoral. O ministério ajudaria a população a abandonar o Bolsa Família com a concessão de crédito para um novo negócio, além de oferecer capacitação.
A afirmação feita pela campanha do bolsonarista de que as pessoas ficam presas ao Bolsa Família, contudo, não se sustenta . O estudo ‘Filhos do Bolsa Família, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, mostrou, em uma análise de 10 anos (2014 a 2025), que 60,68% das famílias deixaram o programa.
A taxa de emancipação é ainda maior entre os jovens: mais de 71% daqueles que tinham entre 15 e 17 anos em 2014 conseguiram sair do programa ao atingirem a vida adulta. O principal motor de saída é a inserção no mercado de trabalho formal e a elevação da escolaridade.
Os beneficiários do programa também responderam por 67,5% do saldo de empregos formais registrado no Brasil no primeiro semestre de 2026. Segundo dados Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), dos 765,7 mil postos líquidos gerados no país, 516,5 mil foram contabilizados entre integrantes do programa.
Quem recebe o Bolsa Família e consegue um emprego não perde o benefício automaticamente. Existe uma política chamada Regra de Proteção, justamente para evitar que uma família perca o auxílio assim que sua renda aumenta. O que determina a permanência no programa é principalmente a renda mensal por pessoa da família, e não o fato de a pessoa conseguir um trabalho com carteira assinada.
São elegíveis ao programa famílias com renda per capita de até 218 reais mensais O cálculo da renda per capita é feito pela soma da renda total da família dividida pelo número de integrantes.
Pelas regras vigentes em outubro de 2026, o funcionamento é o seguinte:
Renda de até 218 reais por pessoa da família: a família pode continuar recebendo o Bolsa Família integralmente, desde que cumpra os demais requisitos do programa.
Renda acima de 218 reais e de até 706 reais por pessoa: a família pode entrar na Regra de Proteção e continuar recebendo 50% do benefício por até 12 meses, no caso de aumento de renda proveniente do trabalho.
Renda acima de 706 reais por pessoa: a família não se enquadra nessa regra de proteção e, em geral, perde o benefício.
Famílias que saem do programa após o período de proteção, ou pedem desligamento voluntário, podem ter retorno garantido ao Bolsa Família por até três anos, caso a renda volte a cair para a situação de pobreza e os critérios sejam atendidos.
Recentemente, o presidente Lula (PT) anunciou o reajuste do piso do programa, que 600 reais para 691 reais. Os repasses relativos ao mês de outubro começaram a ser pagos nesta segunda-feira 19 aos beneficiários. Com o aumento, o benefício médio, que é a soma do valor mínimo aos demais benefícios, saltará de 675 reais para 777 reais.
A campanha do petista tem associado a eventual eleição de Flávio Bolsonaro a um corte orçamentário no programa. Flávio Bolsonaro anunciou que, se eleito, vai operar um chamado ‘tesouraço’, cortando 250 bilhões de reais de gastos públicos que, segundo o presidente, colocam os programas sociais em risco.
Ana Luiza Basilio
Repórter do site de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital