Caminhar 3 mil passos por dia pode desacelerar o Alzheimer, aponta estudo

0

Por Tiago Souza — Carta Capital

Menu

Pesquisa com quase 300 idosos associa maior atividade física a menor acúmulo de proteína tau e declínio cognitivo mais lento

Um estudo publicado na revista Nature Medicine e divulgado pelo portal ScienceDaily indica que caminhar 3 mil passos diários pode ajudar a desacelerar as mudanças cerebrais associadas ao Alzheimer. A pesquisa acompanhou quase 300 idosos com sinais precoces da doença ao longo de nove a 11 anos, utilizando pedômetros para medir a atividade física.

Os cientistas observaram que a atividade física não reduziu a formação das placas tóxicas de amiloide, alvo da maioria dos tratamentos atuais para o Alzheimer. Em vez disso, entre os participantes que já apresentavam essas placas, o movimento reduziu o acúmulo de proteínas tau mal dobradas em áreas específicas do cérebro. Essas proteínas surgem mais tarde no curso da doença e estão mais diretamente ligadas ao declínio cognitivo e funcional.

Segundo os pesquisadores, foram observadas mudanças na cognição e na capacidade funcional. Os benefícios começaram a aparecer com 3 mil passos, o equivalente a cerca de meia hora de caminhada em ritmo moderado. A faixa ideal ficou entre 5 mil e 7,5 mil passos diários, patamar a partir do qual o efeito se estabilizou. Mais passos não significaram necessariamente maior proteção, o que sugere uma meta realista para idosos sedentários, em contraste com a referência difundida de 10 mil passos.

O estudo tem limitações. O grupo analisado era relativamente pequeno, formado majoritariamente por pessoas brancas e com alto nível de escolaridade nos Estados Unidos, e não levou em conta outros fatores de estilo de vida ou de saúde. Os autores também consideram a possibilidade de outros mecanismos de proteção associados à caminhada.

Ainda assim, o trabalho reforça pesquisas anteriores. Um estudo britânico com 1.139 pessoas acima de 50 anos apontou redução de 34% a 50% no risco de demência entre os moderadamente ou vigorosamente ativos, em acompanhamento de oito a dez anos. Outro levantamento, de 2022, acompanhou 78.430 pessoas por sete anos e identificou queda de 25% no risco com apenas 3.800 passos diários, chegando a 50% com 9.800 passos.

Os pesquisadores ressaltam que pessoas ativas costumam também ter melhor saúde cardiovascular, dormir melhor e apresentar menor risco de diabetes, fatores que igualmente influenciam o risco de demência. Essa relação próxima entre hábitos saudáveis dificulta isolar o efeito exclusivo do exercício.

Há indícios de como a atividade física pode beneficiar o cérebro: melhora da saúde cardiovascular, aumento do fluxo sanguíneo e estímulo à produção de substâncias que favorecem as conexões entre células nervosas. Uma delas é a irisina, hormônio produzido pelos músculos que atua sobre vários mecanismos cerebrais associados ao Alzheimer, incluindo a inflamação. Outra é o BDNF, também relacionado ao exercício.

A relação, porém, pode funcionar nos dois sentidos. Pessoas podem se tornar menos ativas por causa de sintomas iniciais da doença. Quem tem problemas de audição, por exemplo, fator de risco para demência, costuma relatar barreiras que levam à interrupção da atividade física antes do surgimento de outros sintomas. A redução do movimento, então, acelera o declínio da memória, criando um ciclo.

Um pequeno ensaio com 15 pessoas com Alzheimer leve a moderado que praticaram caminhada nórdica, técnica que usa bastões para trabalhar também a parte superior do corpo, manteve a função cerebral ao longo de 24 semanas, com melhora em algumas funções. Os outros 15 participantes, que receberam apenas cuidados padrão, apresentaram declínio ou nenhuma melhora. Apesar do tamanho reduzido, o teste sugere que até quem já recebeu o diagnóstico pode se beneficiar de mais atividade física.

A combinação de movimento, exposição à luz natural e interação social ao caminhar ao ar livre pode gerar efeitos protetores que se complementam. O desafio, segundo os autores, é ajudar as pessoas a superar barreiras à atividade externa, como preocupações com segurança, medo de quedas ou a preferência pelo conforto do sofá, sobretudo em meses mais frios e chuvosos.

*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.


CartaLab

Agenda cultural, novidades científicas e utilidade pública. Informação com a velocidade da IA, sob zelosa supervisão e curadoria humana

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.


Desenvolvido por OKN Technology Agency

Fonte: Carta Capital

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *