Camilo diz que governo Lula descarta demissões de indicados do centrão após partidos apoiarem Flávio Bolsonaro
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), descartou neste sábado (10) a possibilidade de o governo exonerar indicados de partidos do centrão que declararam apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As informações são do Metrópoles.
Ex-ministro da Educação e coordenador-geral da campanha de Lula no segundo turno, Camilo argumentou que parlamentares de legendas que aderiram formalmente ao adversário continuam apoiando o presidente. Como exemplo, citou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“O governo não age dessa forma e sempre teve uma relação com os seus aliados pela governabilidade do país. A gente sabe que muitos deputados do União, muitos deputados do PP estão apoiando o presidente Lula, o exemplo é o próprio presidente da Câmara, Hugo Motta […] Então, por mais que tenha havido essa declaração dos partidos oficialmente em apoio à candidatura do nosso adversário, muitos parlamentares desses partidos apoiam o presidente Lula, então vamos manter uma relação”, disse.
Partidos do centrão, como União Brasil, Progressistas e Republicanos, já declararam apoio a Flávio Bolsonaro. Apesar disso, integrantes dessas legendas continuam alinhados à candidatura de Lula, segundo Camilo.
O governo também mantém representantes ligados a partidos do centrão em postos ministeriais. É o caso do Ministério das Comunicações, comandado por Frederico Siqueira Filho, ligado ao União Brasil.
Flávio Bolsonaro já conquistou o apoio de cinco partidos do centrão e deve oficializar a adesão do MDB na próxima semana. No primeiro turno, o senador disputou a Presidência sem o apoio formal de outras legendas. Na votação de domingo (4), terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.
Camilo critica plano de cortes de Flávio
O porta-voz da campanha de Lula também voltou a criticar o plano de redução de gastos na máquina pública apresentado por Flávio Bolsonaro. Camilo afirmou que as medidas podem atingir programas sociais e comparou a proposta ao modelo adotado pelo presidente argentino Javier Milei, aliado do senador do PL.
“Ele [Flávio Bolsonaro] não quer que o povo brasileiro saiba que ele vai fazer um tesouraço e esse dinheiro vai ser cortado dos programas sociais desse país. A relação que ele tem com o Milei na Argentina, nós não queremos que o Brasil se transforme na Argentina e é esse o risco que esse país pode correr”, disse.
Mais cedo, Lula também criticou a agenda do adversário, afirmando que ela prevê cortes de benefícios destinados aos setores mais vulneráveis da população. Entre as propostas de Flávio estão a extinção de dez ministérios, uma reforma administrativa e a avaliação de desempenho de políticas públicas.
Campanha de Lula anuncia medidas contra a Meta
Em outra frente da disputa eleitoral, a campanha de Lula anunciou que acionará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e apresentará uma denúncia à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook.
Fonte: Brasil 247