‘Cada voz em Cuba importa’: presidente Díaz-Canel conversa com a população em novo programa de rádio

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Por Gabriel Vera LopesBrasil de Fato

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O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, estreou nesta quarta-feira (23) Criterio Compartido, programa de rádio transmitido ao vivo pela emissora nacional Radio Rebelde e apresentado em conjunto com a jornalista Bárbara Betancourt. A nova produção irá ao ar a cada duas semanas, às quartas-feiras, e foi apresentada como um espaço de participação cidadã e diálogo direto com a população.

Sob o slogan “Cada voz em Cuba importa”, o programa conta com a participação de ouvintes de diferentes territórios do país, que podem apresentar opiniões, reclamações e perguntas. A primeira edição foi dedicada às transformações econômicas e sociais pelas quais Cuba está passando e às preocupações da população com a implementação das novas medidas.

Nesta primeira edição, várias pessoas de diferentes pontos do país relataram problemas e dificuldades de seu cotidiano. Entre elas, uma aposentada afirmou que sua pensão não é suficiente para viver, enquanto um trabalhador falou sobre a alta inflação.

Também foi transmitido o áudio de uma mulher da província de Cienfuegos, integrante de uma rede de mulheres produtoras de alimentos. Em sua intervenção, ela questionou a distância entre as políticas e orientações nacionais e sua aplicação nos territórios e reivindicou maior controle para garantir que as decisões adotadas em nível central sejam efetivamente cumpridas na base.

Como exemplo, relatou que há mais de dez anos solicitava uma terra não cultivada para produzir alimentos para sua comunidade, mas que ela ainda não havia sido concedida devido, segundo explicou, a problemas burocráticos em nível municipal.

“Há mais de dez anos estamos solicitando uma terra não cultivada aqui dentro da comunidade, que hoje está cheia de lixo e, mesmo quando o Ministério da Agricultura veio, fez a investigação e decidiu a nosso favor, a terra não nos foi entregue pela Delegação Municipal de Arroyo Naranjo”, afirmou.

Díaz-Canel reconheceu o problema e destacou a necessidade de fortalecer o controle e a participação popular.

“Você terá uma resposta sobre a sua terra, e eu acho que sim, que temos que lhe dar a terra, porque, além disso, estamos agilizando as entregas de terras”, afirmou. Ele também defendeu a necessidade de fortalecer “o controle sobre como as coisas também chegam ao município”.

Criterio Compartido é o segundo espaço de comunicação periódica de Díaz-Canel com a população. O primeiro foi Desde la Presidencia, um podcast que começou a ser transmitido no início de 2024 e teve 32 episódios, nos quais foram abordados temas da conjuntura nacional, como o aumento do preço do serviço de internet na ilha e a crise do sistema elétrico, antes de deixar de ser transmitido em meados de 2025.

Ao contrário daquela experiência, transmitida exclusivamente pela internet, Criterio Compartido aposta no rádio, um meio de comunicação de amplo alcance nos lares cubanos e que permite chegar à população em um contexto no qual a conexão à internet é instável e cara, enquanto os cortes de energia afetam boa parte do país.

A aposta no diálogo ocorre, além disso, em um momento em que a ilha atravessa uma forte crise, em grande parte como consequência dos efeitos da guerra econômica que, segundo sustenta o governo cubano, os Estados Unidos mantêm contra o país. Ao mesmo tempo, Cuba vive intensos debates sobre as transformações econômicas e sociais que estão sendo implementadas. Diante desse cenário, o programa aposta em ouvir diretamente a população e levar ao ar suas preocupações, reivindicações, perguntas e críticas.

Durante o programa, Díaz-Canel também se referiu às 176 transformações econômicas que estão sendo implementadas no país e defendeu a participação popular como um elemento central desse processo.

“Mesmo que haja iniciativa privada, mesmo que haja mercado, mesmo que haja investimento estrangeiro, quem manda é o povo por meio de suas instituições”, afirmou o presidente. Nessa linha, sustentou que “o mercado é uma ferramenta, e não um amo, como é no capitalismo”.

Díaz-Canel insistiu que as mudanças econômicas em curso exigem a participação e o controle da população para responder às necessidades da maioria.

“Essas transformações só vão funcionar se participarmos como povo, se controlarmos como povo, se exigirmos como povo e se, como povo, nos envolvermos. Essa é a diferença entre uma mudança que sirva ao povo e uma mudança que sirva apenas a alguns poucos”, ressaltou.

Da mesma forma, rejeitou que as transformações impliquem uma guinada em direção ao capitalismo.

“Essas transformações não são uma guinada ao capitalismo nem são um processo de restauração capitalista. São a atualização do nosso modelo econômico e social em uma construção socialista que também precisa ser inovadora em meio à situação. Nenhum país em construção socialista no mundo esteve submetido ao bloqueio mais prolongado da história por parte da nação mais poderosa do mundo. E agora esse bloqueio se agravou como um bloqueio energético”, afirmou.

Díaz-Canel lembrou ainda que, em outros momentos, a Revolução Cubana recorreu a mecanismos e tomou decisões que, segundo afirmou, não eram de seu agrado, mas que considerou necessárias para preservar suas conquistas.

“E lembro que não é a primeira vez que a Revolução teve que recorrer a determinados mecanismos, a determinadas decisões das quais não gostamos para salvar a Revolução. Para salvar as conquistas da Revolução, e isso é uma expressão revolucionária: defender o socialismo”, afirmou.

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Fonte: Brasil de Fato

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