Cabos eleitorais denunciam calote de Marconi Perillo após campanha: “Muita gente foi trabalhar doente e não recebeu”
Por Ton Paulo — Jornal Opção

Cabos eleitorais e lideranças comunitárias que trabalharam na campanha de Marconi Perillo (PSDB) para o governo do Estado afirmam que não receberam o pagamento combinado pelo ex-candidato tucano. Ao Jornal Opção, eles relatam ter trabalhado na campanha política contando com o pagamento para comprar itens básicos, como comida e remédios, mas que o prazo para receberem o Pix por parte do ex-governador nunca foi cumprido.
Em entrevista à reportagem, Sandra Sasaki, representante de 73 cabos eleitorais de Caldas Novas, contou que a campanha de Marconi contratou o grupo para trabalhar ao longo do período eleitoral pelo valor de R$ 800 para cada integrante.
Porém, ainda segundo Sandra, a promessa inicial de pagamento no dia 3 de outubro não se concretizou. A transferência dos valores ficou para o dia 5 de outubro, um dia após a derrota de Marconi, que ficou em quarto lugar na disputa, mas também não aconteceu.
“E até hoje, eles vão enrolando, enrolando, passando de um dia para o outro. E tem muita gente ali que é muito humilde, que está esperando para fazer uma compra de mercado, para tirar a moto da oficina. Nós estamos aqui representando essas 73 pessoas que trabalharam debaixo do sol quente, chuva e nada de receber”, disse.
Sandra relatou ainda ter presenciado pessoas trabalhando doentes na campanha somente para ter direito ao pagamento e poder comprar o necessário para casa. “A coordenadora ficou doente e eu fiquei substituindo. E eu via a luta de cada um. Muita gente levava marmita, muita gente ia trabalhar doente. Fazia questão de trabalhar contando com dinheiro”.

Os representantes dizem também que não puderam assinar nenhum contrato ou termo que oficializasse a contratação. “Eles prometiam, mas no final disseram ‘Não será necessário, nós vamos enviar [o pagamento] por Pix’. Que um dia antes da eleição seria depositado por Pix”, conta Sandra Sasaki.
Mariane Monteiro, outra cabo eleitoral que trabalhou em Goiânia, falou também sobre a preocupação com a retenção das cópias dos documentos, uma vez que, segundo ela, nenhuma contratação foi formalizada com os dados fornecidos. “Queremos um posicionamento deles em relação à nossa documentação, pois não queremos que nenhum documento permaneça em posse deles.”
Já Marcão da Voz do Povo, liderança comunitária de Goiânia, afirmou que a situação foi exatamente a mesma na capital. Ele diz que “tentou de todas as formas, através de assessores de Marconi Perillo”, obter uma previsão concreta para o pagamento dos cabos eleitorais. O grupo representado por Marcão é composto por 15 pessoas e, segundo ele, nenhuma recebeu o pagamento.
“Nós precisamos passar [uma posição] para todos os nossos demais amigos, colaboradores e lideranças. Que trabalharam na campanha do Marconi Perillo em 2026”, conclui.
Os cabos eleitorais apontam o ex-deputado Josias Gonzaga, um dos coordenadores da campanha de Marconi, como o responsável pelas contratações. O Jornal Opção tentou contato com Josias para tratar da questão, mas não obteve retorno. A reportagem também entrou em contato com a assessoria de Marconi Perillo e aguarda uma resposta. O espaço permanece aberto.
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Fonte: Jornal Opção