Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
Por Camille Lima — Seu Dinheiro

A tão aguardada OPA da Braskem (BRKM5) deu mais um passo para sair do papel. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou o registro da oferta que o Shine I FIP terá de fazer aos acionistas minoritários após assumir o controle da petroquímica.
Com o sinal verde da autarquia, a B3 também autorizou a realização do leilão. Ainda falta, porém, uma peça importante para completar o quebra-cabeça da oferta pública de aquisição: a data da operação.
Ela será definida no edital da OPA, que ainda será publicado pelo fundo e trará as condições da oferta e os procedimentos para participação dos investidores.
A aprovação da xerife do mercado chega alguns meses depois da mudança de controle da Braskem, que saiu das mãos da Novonor e passou a ser comandada em conjunto por Shine e Petrobras — e em um momento particularmente delicado para a petroquímica, que tenta reestruturar dívidas de quase US$ 11 bilhões.
O que a OPA significa para os minoritários da Braskem?
A governança da Braskem começou a mudar em abril, quando a Novonor, ex-Odebrecht, assinou com o Shine I, fundo administrado pela Vórtx Capital e assessorado pela IG4, o contrato para a venda das ações que representavam cerca de 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total da petroquímica.
A operação foi concluída em junho e encerrou o controle da Novonor sobre a Braskem.
Com a mudança, o Shine passou a dividir o controle da companhia com a Petrobras. A estatal detém cerca de 47% do capital votante e 36,1% do capital total da Braskem e firmou um novo acordo de acionistas com o fundo, estabelecendo o compartilhamento do controle em decisões relevantes.
Agora, a mudança de controlador abre uma nova frente: a OPA destinada aos acionistas que ficaram de fora da negociação de controle.
Pelas regras aplicáveis à operação e pelo estatuto da Braskem, o Shine deverá oferecer aos acionistas minoritários as mesmas condições pagas à Novonor na aquisição do controle da petroquímica.
A oferta contemplará a totalidade das ações ordinárias e preferenciais da Braskem em circulação no mercado.
Segundo o comunicado, a OPA não será registrada nos Estados Unidos nem será direcionada a acionistas residentes ou domiciliados no país, incluindo os detentores de American Depositary Shares (ADRs).
OPA é uma etapa; a dívida é outra
A aprovação da oferta resolve uma etapa da mudança societária, mas não elimina o principal desafio financeiro que está sobre a mesa na Braskem.
No segundo trimestre, a companhia apresentou alguma melhora operacional, impulsionada pela recuperação dos spreads petroquímicos. O Ebitda recorrente, que mensura a capacidade de geração de caixa operacional de um negócio, chegou a US$ 1,04 bilhão, mais de cinco vezes o registrado no trimestre anterior.
A melhora, porém, veio acompanhada de ressalvas. Analistas avaliaram que os resultados ficaram abaixo das expectativas e que parte da recuperação dos spreads petroquímicos já havia começado a se reverter no fim do trimestre.
É nesse contexto que entra a segunda frente da companhia. Em agosto, a Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras.
O processo tem escopo estritamente financeiro e envolve negociações com credores para reorganizar a estrutura de capital da petroquímica.
A Justiça de São Paulo aprovou o processamento da recuperação extrajudicial e determinou a suspensão, por 120 dias, das execuções relacionadas aos créditos sujeitos ao processo.
*Conteúdo em atualização.
The post Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica appeared first on Seu Dinheiro.
Fonte: Seu Dinheiro