Brasil monitora risco à soberania em plano dos EUA para usar drones militares na América do Sul

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha com preocupação o plano dos Estados Unidos de enviar drones militares para a América do Sul sob a justificativa de combater o narcotráfico e o crime organizado. Em Brasília, uma das principais preocupações é que os equipamentos possam ultrapassar fronteiras e eventualmente ser utilizados em ações de espionagem contra o Brasil.

Segundo a coluna da jornalista Débora Bergamasco, da CNN Brasil, integrantes do governo analisam a iniciativa do governo Donald Trump sob duas perspectivas: de um lado, os riscos à soberania brasileira decorrentes de uma eventual ampliação da atuação militar dos Estados Unidos na região; de outro, possíveis efeitos positivos sobre o crime organizado caso as operações permaneçam restritas ao enfrentamento do tráfico de drogas.

Temor de espionagem e operações terrestres

Entre as preocupações existentes no governo está a possibilidade de que drones destinados oficialmente ao combate ao narcotráfico acabem empregados em atividades de inteligência e atravessem as fronteiras brasileiras.

Nesse cenário, a utilização dos equipamentos para monitorar o Brasil seria vista como uma questão envolvendo diretamente a soberania nacional.

Outro ponto acompanhado por Brasília é a possibilidade de Washington negociar operações terrestres com países vizinhos. A diplomacia brasileira monitora a ampliação da presença militar estadunidense no continente e sustenta a posição de que a América do Sul deve ser preservada como uma zona de paz.

A preocupação, portanto, não se limita à utilização dos drones. O governo também observa as possíveis consequências de uma presença militar mais ampla dos Estados Unidos em território sul-americano e os impactos que eventuais operações poderiam provocar sobre a dinâmica de segurança regional.

Combate ao narcotráfico pode ter efeito positivo

Apesar das ressalvas, integrantes do governo brasileiro também identificam uma possível consequência favorável caso as ações dos Estados Unidos sejam efetivamente limitadas ao combate ao narcotráfico.

Segundo a reportagem, a avaliação dessas fontes é de que uma ofensiva contra organizações criminosas instaladas em países vizinhos poderia contribuir para desestruturar redes transnacionais ligadas ao tráfico e, consequentemente, atingir facções que mantêm conexões com o crime organizado no Brasil.

Brasil não negocia recebimento dos equipamentos

O Brasil, até o momento, não discute com os Estados Unidos a possibilidade de receber os drones militares previstos no plano.

Questionadas sobre a hipótese de o governo brasileiro pleitear o fornecimento desses equipamentos, fontes da administração federal afirmaram que, a princípio, não houve conversas nesse sentido.

Transferência de tecnologia é prioridade

Integrantes do governo também destacaram que o Brasil prioriza parcerias internacionais que incluam transferência de tecnologia, especialmente quando envolvem projetos estratégicos de defesa.

Entre os exemplos mencionados estão a cooperação com a França para o desenvolvimento de submarinos e a parceria com a Suécia para o fornecimento de caças.

Fonte: Brasil 247

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